(Comentário do 3º tópico da lição 9: Lição 9: Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão)
Neste terceiro e último tópico, estudaremos o poder do testemunho pessoal, tomando como base a experiência do apóstolo Paulo diante da multidão (At 22.3-21). Em seu testemunho, Paulo apresentou seu passado religioso e sua intensa perseguição aos seguidores de Cristo, demonstrando como era antes de seu encontro com Jesus (At 22.3-5; cf. Fp 3.4-6).
Em seguida, relatou sua conversão no caminho de Damasco, quando teve um encontro com Jesus de Nazaré e recebeu uma nova direção para sua vida (At 22.6-16; 26.12-18). Seu testemunho evidencia o poder transformador do Evangelho e a importância de anunciar aquilo que Cristo realizou em nossa vida.
1. A vida de Paulo antes da conversão (At 22.3-5). Paulo iniciou sua defesa apresentando sua história de vida. Falou de sua origem judaica, de sua formação aos pés de Gamaliel e de seu zelo pela Lei e pelas tradições de seus antepassados (At 22.3-5). Embora tivesse nascido em Tarso da Cilícia, fora do território de Israel, Saulo era judeu e descendente da tribo de Benjamim (Fp 3.5). Seu nome hebraico era Saulo, enquanto Paulo era a forma latina de seu nome, que passou a ser usada com maior frequência em seu ministério entre os gentios (At 13.9).
É provável que os seus pais fossem pessoas influentes, pois ele tinha cidadania romana de nascimento (At 22.28) e recebeu sua formação religiosa em Jerusalém, aos pés de Gamaliel, reconhecido mestre da Lei. Tornou-se fariseu e destacou-se pelo rigor com que defendia as tradições de seus antepassados (At 22.3; 26.4,5; Fp 3.5,6).
Saulo tinha religião, conhecimento e zelo, mas seu zelo estava equivocado. Esse zelo, porém, o levou a perseguir severamente os seguidores de Jesus, prendendo-os e conduzindo-os para serem castigados (At 22.4,5; 26.9-11). Antes de seu encontro com Cristo, Saulo julgava estar demonstrando fidelidade a Deus; contudo, sua experiência no caminho de Damasco revelou que, ao perseguir os cristãos, estava, na verdade, perseguindo o próprio Cristo (At 9.1-6; 22.6-8).
O passado de Saulo demonstra que o zelo religioso, quando desvinculado da verdade de Cristo, pode conduzir à cegueira espiritual e a atitudes contrárias à vontade de Deus (Jo 16.2,3; Rm 10.2,3). Muitos chegam, inclusive, a praticar as maiores atrocidades em nome da religião.
2. O encontro com Cristo no caminho de Damasco (At 22.6-11). Em Atos 22.6-11, Paulo descreveu em detalhes seu encontro com Jesus, o Nazareno. Ele explicou aos seus ouvintes que seguia de Jerusalém para Damasco, levando cartas do sumo sacerdote que o autorizavam a prender e conduzir a Jerusalém os seguidores do Caminho, como eram chamados os discípulos de Jesus (At 22.4,5; 9.1,2).
De repente, uma intensa luz vinda do céu o cercou, fazendo-o cair por terra. Então, ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Ao perguntar quem falava, ouviu: “Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues” (At 22.6-8). Aquele que Saulo perseguia estava vivo e se revelou a ele de maneira gloriosa.
Atônito, Saulo perguntou: “Que farei, Senhor?”. Jesus ordenou-lhe que fosse a Damasco, onde receberia as instruções necessárias (At 22.10). Durante três dias, permaneceu sem ver, nem comer, nem beber, até que o Senhor enviou Ananias para encontrá-lo e orientá-lo (At 9.9-18; 22.12-16).
Esse encontro marcou o grande ponto de transformação na vida de Paulo. Antes, perseguia os seguidores de Cristo; depois, tornou-se uma de suas mais ousadas testemunhas (At 9.20-22; 26.15-19). Sua conversão não foi apenas uma mudança de opinião ou de religião, mas uma profunda transformação produzida pelo encontro com o Cristo ressurreto (2Co 5.17; Gl 2.20).
O encontro verdadeiro com Cristo transforma a direção da vida e leva o convertido a submeter seus valores, atitudes, objetivos e missão à vontade de Deus. Como afirmou Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).
3. Sua missão como servo e testemunha de Cristo (At 22.12-29). Após seu encontro com Jesus e sua consequente transformação, Paulo recebeu do Senhor, por intermédio de Ananias, a missão de ser sua testemunha: “Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido” (At 22.15).
Inicialmente, Ananias questionou o Senhor a respeito de Saulo, pois conhecia seu histórico de perseguição aos cristãos. Contudo, o Senhor lhe disse: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9.15,16).
O encontro com Cristo não se resume à experiência da salvação, mas também nos conduz ao serviço e ao testemunho do Evangelho. Paulo não foi chamado apenas para ser salvo, mas também para servir e anunciar Cristo, inclusive aos gentios, enfrentando oposição, prisões, açoites e sofrimentos por causa do seu nome (At 9.15,16; 20.24; 2Tm 1.8-12).
Todo cristão deve compreender que Deus o salvou e o chamou para testemunhar do Evangelho aos perdidos (Mt 28.19,20; At 1.8). Não precisamos ter uma experiência idêntica à de Paulo para testemunhar. Podemos contar o que éramos, como conhecemos a Cristo, o que Ele fez por nós e como nossa vida foi transformada por Ele (Mc 5.19,20; 2Co 5.17).
Entretanto, testemunhar não significa expor detalhes desnecessários da antiga vida. O foco deve estar na graça de Deus e na transformação realizada por Cristo, evitando relatos que possam causar constrangimento ou expor indevidamente outras pessoas (Ef 5.11,12; Fp 4.8).
Ev. WELIANO PIRES
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