(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 6: A suficiência das graça na cidade de Corinto).
Neste segundo tópico, estudaremos a continuidade da missão de Paulo em Corinto, mesmo após a oposição enfrentada na sinagoga. Ao deixar aquele local, o apóstolo encontrou uma nova oportunidade para anunciar o Evangelho, e o Senhor Jesus o encorajou a permanecer firme e a não se calar (At 18.7-10).
Após sair da sinagoga, Paulo passou a ensinar na casa de Tito Justo, um homem que temia a Deus e cuja casa ficava ao lado da sinagoga. Ali, muitos coríntios ouviram a mensagem, creram no Senhor e foram batizados. Entre os convertidos estava Crispo, chefe da sinagoga, que creu no Senhor com toda a sua casa (At 18.7,8).
Fortalecido pelo encorajamento do Senhor, Paulo permaneceu em Corinto e continuou ensinando a Palavra de Deus. O apóstolo permaneceu naquela cidade por um ano e seis meses, demonstrando que a presença e a promessa de Deus são suficientes para sustentar seus servos diante das adversidades (At 18.9-11; cf. 2Co 12.9).
1. A casa de Justo e o avanço do Evangelho. Diante da resistência de alguns judeus à pregação, Paulo deixou a sinagoga e passou a ensinar na casa de um homem chamado Tito Justo, também identificado como Tício Justo ou simplesmente Justo em algumas versões. O texto bíblico afirma que ele era temente a Deus e que sua casa ficava ao lado da sinagoga (At 18.7).
A partir desse novo local, Paulo continuou anunciando o Evangelho em Corinto, e muitos coríntios creram e foram batizados. Entre eles estava Crispo, chefe da sinagoga, que creu no Senhor com toda a sua casa (At 18.8). Assim, a oposição encontrada na sinagoga não impediu o avanço da mensagem do Evangelho.
Este episódio nos ensina que, quando uma porta se fecha, Deus pode abrir outras para o cumprimento de seus propósitos. Conforme estudamos na Lição 4, a obra missionária é conduzida pelo Espírito Santo, que dirige seus servos, abre portas para a pregação, confirma a sua Palavra e estabelece a Igreja segundo a sua vontade (At 13.2-4; 16.6-10; 1Co 3.6).
2. O medo do apóstolo e a palavra que fortalece. Aqui, eu penso que o comentarista foi um tanto repetitivo, pois já havia abordado este assunto no subtópico 2, do primeiro tópico. Entretanto, quero destacar dois aspectos importantes para a nossa reflexão: a fragilidade humana do apóstolo Paulo e a palavra de encorajamento que ele recebeu diretamente do Senhor.
Conforme vimos no tópico anterior, Paulo chegou a Corinto em um momento de grande desgaste emocional e espiritual, pois ele mesmo afirmou aos coríntios: “E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor” (1Co 2.3). Essa declaração revela que, apesar de sua profunda fé e de sua grande experiência com Deus, o apóstolo também enfrentava momentos de limitações e insegurança.
Estamos falando de um homem que possuía amplo conhecimento das Escrituras e uma profunda intimidade com o Senhor. Paulo não apenas era um estudioso da Lei, tendo sido instruído aos pés de Gamaliel (At 22.3), mas também recebeu revelações divinas acerca do Evangelho de Cristo (Gl 1.11,12; Ef 3.3-5). Sua conversão ocorreu mediante uma manifestação direta do próprio Jesus Cristo no caminho para Damasco (At 9.3-6).
Ao longo de seu ministério, Paulo demonstrou grande coragem e fidelidade ao Senhor. Ele enfrentou prisões, perseguições, açoites e ameaças de morte sem abandonar sua missão (At 14.19-20; 16.22-25; 20.24). Contudo, sua experiência com Deus não o tornou imune às emoções humanas. Mesmo sendo um servo cheio do Espírito Santo, ele reconheceu que passou por um momento de fraqueza e temor.
Essa realidade nos ensina que não existem “supercrentes”. Todos os servos de Deus estão sujeitos às limitações humanas e podem enfrentar momentos de medo, angústia e insegurança. Grandes homens e mulheres de Deus, ao longo da história bíblica, também passaram por situações semelhantes (1Rs 19.3-4; Sl 42.5; Mt 26.37-38). A fé não elimina a humanidade do cristão, mas nos conduz a depender da graça e do poder de Deus.
Foi exatamente nesse contexto que o Senhor apareceu a Paulo durante a noite e lhe trouxe uma palavra de encorajamento: “Não temas, mas fala e não te cales; porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18.9,10). Embora Paulo não tenha revelado publicamente seus sentimentos naquele momento, o Senhor conhecia o seu coração e sabia que ele precisava ser fortalecido.
A expressão “não temas” aparece frequentemente nas Escrituras como uma palavra de encorajamento de Deus aos seus servos diante de circunstâncias difíceis. Em geral, o Senhor apresenta a razão pela qual seus servos não devem viver dominados pelo medo: a sua presença constante. Foi assim com Josué: “Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares” (Js 1.9). O salmista também declarou: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo” (Sl 23.4).
Portanto, o fundamento da coragem cristã não está nas capacidades humanas, nos recursos materiais ou nos sistemas de proteção deste mundo, mas na presença fiel de Deus. A certeza de que o Senhor está conosco nos fortalece para enfrentar as adversidades e cumprir a missão que Ele nos confiou (Is 41.10; Mt 28.20).
3. Graça suficiente, perseverança e transição. O ser humano, mesmo aquele que serve fielmente a Deus, possui a tendência de confiar em suas próprias capacidades e desejar que as circunstâncias aconteçam conforme os seus planos. Contudo, Deus é soberano e não está sujeito à vontade ou à agenda humana (Is 55.8,9; Rm 11.33-36). Muitas vezes, o Senhor permite que passemos por limitações, lutas e aflições para nos ensinar a depender inteiramente dEle e reconhecer que a nossa suficiência vem do alto (2Co 3.5).
A Bíblia apresenta diversos servos de Deus que foram poderosamente usados por Ele, mas que também enfrentaram momentos de fraqueza, medo e frustração. Isso demonstra que a instrumentalidade de uma pessoa nas mãos de Deus não significa ausência de limitações humanas.
O profeta Elias, por exemplo, foi grandemente usado pelo Senhor no confronto com os profetas de Baal no monte Carmelo, onde Deus manifestou o seu poder de maneira extraordinária (1Rs 18.36-39). Entretanto, após ser ameaçado por Jezabel, ele fugiu para o deserto e, em um momento de profundo abatimento, pediu a Deus a morte (1Rs 19.3,4). O Senhor, porém, não o abandonou; antes, cuidou dele, renovou suas forças e reafirmou sua missão (1Rs 19.5-18).
Outro exemplo é o profeta Eliseu. Embora tenha sido usado por Deus para realizar grandes milagres, como a multiplicação do azeite da viúva (2Rs 4.1-7) e a ressurreição do filho da sunamita (2Rs 4.32-37), ele também precisou compreender que o poder não estava em métodos ou instrumentos humanos, mas no próprio Deus. Quando o bordão enviado por Geazi não produziu resultado imediato (2Rs 4.29-31), Eliseu foi pessoalmente ao encontro do menino e buscou ao Senhor em oração, e Deus operou o milagre (2Rs 4.33-35).
Com o apóstolo Paulo não foi diferente. Apesar de suas grandes experiências espirituais, incluindo o arrebatamento ao terceiro céu, onde ouviu palavras inefáveis (2Co 12.1-4), Deus permitiu que ele enfrentasse uma aflição que o próprio apóstolo chamou de “espinho na carne” (2Co 12.7). Paulo orou ao Senhor por três vezes, pedindo que aquela dificuldade fosse retirada, mas recebeu uma resposta que revela uma das maiores verdades da vida cristã: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9).
A resposta divina não significa ausência de cuidado, mas uma demonstração de que a graça de Deus é suficiente para sustentar o seu servo em qualquer circunstância. A fraqueza humana torna-se o cenário onde o poder de Deus se manifesta de maneira mais evidente (2Co 12.10).
O cristão não deve confiar em sua própria força, mas descansar na graça daquele que prometeu estar presente em todos os momentos (Fp 4.13; Hb 4.16). Portanto, as aflições não são sinais de abandono de Deus, mas podem ser instrumentos usados pelo Senhor para aprofundar nossa dependência dEle e fortalecer nossa fé.
Ev. WELIANO PIRES

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