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| Imagem: Editora CPAD |
por Weliano Pires
Graças a Deus, fui criado em um lar evangélico e frequento, desde a minha infância, a Escola Bíblica Dominical da Assembleia de Deus, usando as revistas Lições Bíblicas, da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).
Estudei muitas lições comentadas por escritores renomados como Abraão de Almeida, Geziel Gomes, Estevam Ângelo de Souza, Antonio Gilberto, Elienai Cabral, Geremias do Couto, Severino Pedro da Silva, Raimundo de Oliveira, Eurico Bergstén, Elinaldo Renovato de Lima, Claudionor Correia de Andrade e muitos outros.
Por graça de Deus, no ano 2000 fui convidado para ministrar aulas na classe de adultos e, de lá para cá, tenho feito isso ininterruptamente. São mais de 20 anos de dedicação ao ensino bíblico na Escola Bíblica Dominical. Aprendi muito como aluno e continuo meu aprendizado como professor.
Fiz um curso bacharel livre em Teologia para me preparar melhor para o ministério e busco sempre aprimorar minhas aulas, consultando dicionários bíblicos, Bíblias de estudo, enciclopédias bíblicas, comentários das lições em blogs e no Portal da Escola Dominical, videoaulas no YouTube etc.
No Ensino Médio, fiz o curso de preparação para o magistério, que é um curso técnico para professor. No tempo em que estudei, esse curso era suficiente para dar aulas do 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental. Depois, o Ministério da Educação passou a exigir licenciatura em Pedagogia para o exercício do magistério.
Nesse curso, assim como no curso de Pedagogia, estudamos diretrizes para o ensino de 1º grau, Didática Geral, Psicologia Educacional, Sociologia, metodologias do ensino da Língua Portuguesa, da Matemática, dos Estudos Sociais e das Ciências. Aprendemos também a elaborar um plano de aula e tivemos estágio supervisionado em sala de aula.
Feita essa apresentação curricular, gostaria de expressar aqui minha opinião sobre a grade curricular e a metodologia de ensino das nossas escolas bíblicas dominicais. Faço isso, naturalmente, respeitando o preparo acadêmico, a seriedade e a experiência dos profissionais do Setor de Educação Cristã da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. O objetivo aqui não é criticar ou menosprezar o trabalho deles, mas expor minhas observações como professor e contribuir para melhorias.
Sempre comparo o método de ensino bíblico na Escola Dominical com o da educação secular. O conteúdo, evidentemente, é diferente, mas as diretrizes e os métodos de ensino são semelhantes.
Na educação secular, a criança vai para a escola e começa do zero, sem saber nada. Não sabe ler, escrever nem fazer operações aritméticas. Começa na alfabetização e vai avançando ano após ano, até concluir o Ensino Fundamental. Depois, segue para o Ensino Médio. Após a conclusão deste, submete-se ao vestibular e, se aprovada, vai para a universidade.
Todo esse processo é formado por etapas que não podem ser puladas. Na Escola Dominical, se quisermos ter um bom aprendizado, devemos seguir os mesmos parâmetros. Quem nunca passou por nenhum estudo bíblico deve começar do zero, como os novos convertidos, e ir avançando até chegar a uma formação.
Vamos agora a uma análise do currículo da Escola Dominical, com base nas minhas experiências como aluno e professor.
Nas classes de adultos e jovens, temos um único assunto para todos os alunos, independentemente da escolaridade e do tempo de conversão. O ideal seria que todos os crentes passassem por um curso bíblico por etapas, como nos cursos teológicos.
Na verdade, o currículo da Escola Dominical é muito genérico. Particularmente, não acho adequada a divisão considerando apenas as faixas etárias. Nesse modelo, podemos ter, por exemplo, um novo convertido e um teólogo na mesma classe. Podemos ter, em uma mesma sala de aula, uma senhora de 80 anos, analfabeta, que não ouve ou não enxerga direito e com um raciocínio mais lento, junto com uma mulher de 30 anos com pós-graduação.
O ideal seria montar um currículo com vários níveis, começando no nível inicial para pessoas com baixa escolaridade e sem conhecimento bíblico, avançando até chegar a uma formação teológica. Sei que muita gente poderia achar que isso é discriminação, mas não é.
Nas classes de discipulado, temos um sistema melhor, pois há duas revistas com as principais doutrinas bíblicas. Os novos convertidos precisam de acompanhamento, como uma criança que está aprendendo a falar e a dar os primeiros passos.
As classes de discipulado são muito importantes para um ensino geral dos temas bíblicos. Contudo, precisamos mudar um pouco a linguagem, escrever textos mais claros, com mais ilustrações, voltados para quem nunca teve contato com a Bíblia, e preparar nossos professores para isso.
Nossas revistas, infelizmente, são recheadas de termos teológicos técnicos que até mesmo um professor experiente, se não for formado em Teologia, terá dificuldade para entender.
Um exemplo claro disso são as literaturas das Testemunhas de Jeová. Eles propagam suas heresias usando muitas figuras, letras grandes, perguntas e respostas e não tratam de temas polêmicos em seus materiais de proselitismo.
Nas classes de crianças, juniores, adolescentes e juvenis, já temos o modelo por ciclos. É preciso apenas simplificar a linguagem e usar mais recursos audiovisuais e dinâmicas em classe, pois eles não suportam muito tempo de aulas expositivas, como nas classes de adultos.
Na CPAD há muitos ensinadores que são mestres em Pedagogia e Letras. Eles devem saber perfeitamente que um ensino, para ser eficiente, deve ser composto de fases ou módulos. Sendo assim, deveriam elaborar um trimestre de estudos como continuidade do outro.
Não sei se esses especialistas não são ouvidos pelas lideranças da igreja ou se não têm autonomia para isso. O fato é que precisamos reavaliar nossos currículos e a metodologia de ensino, promovendo mudanças profundas.
Vamos imaginar uma pessoa completamente analfabeta participando de uma aula em uma universidade. Qual seria o resultado disso? Imaginemos alguém que não sabe as quatro operações fundamentais da aritmética tendo contato com equação do segundo grau, expressões algébricas etc. O resultado seria desastroso!
A mesma coisa está acontecendo em nossa Escola Dominical. Muitos irmãos a frequentam, mas não entendem muita coisa porque não seguem uma educação bíblica continuada.
Precisamos reavaliar nossos currículos, metodologias e estratégias de ensino para que a Escola Bíblica Dominical continue cumprindo sua missão de formar crentes maduros, conscientes e firmes na Palavra.
Deus abençoe a nossa Escola Dominical.
Weliano Pires é bacharel em teologia, articulista, blogueiro evangélico, evangelista e professor da Escola Dominical da Assembleia de Deus, Ministério do Belém, em São Carlos-SP.

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