18 dezembro 2025

EDIFICAÇÃO E FRUTO DO ESPÍRITO

(Comentário do 3º tópico da lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus).

No terceiro e último tópico, abordaremos a edificação do espírito e o Fruto do Espírito Santo. Inicialmente, trataremos da edificação do nosso espírito por meio do falar em línguas, conforme mencionado pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14.14.

Por fim, estudaremos as virtudes do Fruto do Espírito, descritas em Gálatas 5.22, apresentadas como o ápice da vida cristã e a evidência de uma vida plenamente conduzida pelo Espírito Santo.

1. O espírito ora bem.

Neste subtópico, aprendemos sobre a ação edificadora do Espírito Santo no espírito do crente por meio do falar em línguas. O apóstolo Paulo ensina que o nosso espírito pode orar a Deus e ser fortalecido, mesmo quando a nossa mente não compreende plenamente as palavras que estão sendo pronunciadas:

“Porque, se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto”. (1 Co 14.14).

Esse texto mostra que a oração em línguas é uma experiência espiritual que edifica o interior do crente. Aqui, o falar em línguas não se limita apenas à evidência inicial do batismo no Espírito Santo, mas refere-se ao dom de variedade de línguas, concedido por Deus para edificação.

Quando esse dom é usado para transmitir uma mensagem à igreja, é necessária a interpretação, para que todos sejam edificados. Contudo, quando não há interpretação, Paulo orienta que o crente fale em línguas consigo mesmo e com Deus, pois essa prática fortalece o seu espírito.

Assim, orar em línguas é um presente de Deus para a edificação pessoal. Por meio dessa oração, o crente se conecta profundamente com Deus, fortalece o seu ser interior e tem a sua fé renovada. Essa oração é conduzida pelo Espírito Santo e promove uma comunhão íntima com o Espírito de Deus.

2. O ápice da vida cristã.

O Espírito Santo produz no crente as virtudes listadas pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.22–23, conhecidas como o fruto do Espírito. Essas virtudes representam o ápice, ou seja, o ponto mais elevado da vida cristã, pois revelam o caráter de Cristo sendo formado em nós e envolvem o ser humano por completo.

Muitos confundem o fruto do Espírito com os dons do Espírito Santo. Embora ambos sejam obras do Espírito, tratam-se de realidades distintas. Os dons espirituais, conforme a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, são “capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja”. Eles são distribuídos pelo Espírito Santo a cada um, segundo a Sua vontade, para aquilo que for útil à edificação do Corpo de Cristo.

O fruto do Espírito Santo, por sua vez, é composto por nove virtudes que o Espírito produz na vida do crente que anda no Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22). Essas virtudes são o resultado de uma vida rendida ao Espírito Santo e vivida sob o seu domínio.

A expressão “fruto” está no singular porque ele é um só, formado por várias virtudes inseparáveis. Não é possível desenvolver uma dessas virtudes isoladamente. Por exemplo, não pode haver verdadeira alegria, paz ou bondade onde não existe amor, pois o amor é a base de todo o fruto do Espírito.

Essas virtudes são produzidas no interior do crente pelo Espírito Santo e estão diretamente relacionadas ao caráter cristão. Elas não podem ser fabricadas artificialmente nem simuladas por esforço humano, embora alguns tentem fazê-lo. O fruto do Espírito é resultado de uma vida conduzida pelo Espírito Santo.

Além disso, essas virtudes não são condenadas nem pela Lei de Deus nem pelas leis humanas. Pelo contrário, elas cumprem a Lei de Deus de maneira plena. O apóstolo Paulo afirma:

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14).

Assim, o fruto do Espírito Santo é a evidência mais elevada de uma vida cristã madura e alinhada com a vontade de Deus.

Ev. WELIANO PIRES

17 dezembro 2025

TESTEMUNHO, INTERCESSÃO E EDIFICAÇÃO

(Comentário do 2º tópico da Lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus)

Neste segundo tópico, são apresentados três aspectos fundamentais da atuação do Espírito Santo na vida do crente: o testemunho, a intercessão e a edificação.

Inicialmente, é tratado o testemunho do Espírito Santo ao nosso espírito, conforme Romanos 8.16. Em seguida, aborda-se a intercessão do Espírito em nosso favor, com gemidos inexprimíveis, diante do Pai. Embora a edificação seja mencionada no título deste tópico, o comentarista não a desenvolve de forma direta neste ponto, pois esse tema será tratado de maneira mais específica no tópico seguinte.

1. O Espírito testifica ao espírito

No capítulo 8 da Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo discorre amplamente sobre a atuação do Espírito Santo na vida do crente e destaca o papel do espírito humano na comunhão com Deus. Nesse contexto, ele apresenta a doutrina da adoção espiritual, cuja certeza é testificada pelo próprio Espírito Santo ao espírito do crente regenerado.

O Espírito Santo produz em nosso espírito a firme convicção de que somos filhos de Deus, concedendo-nos segurança espiritual e libertação do temor. Por isso, Paulo afirma:

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos” (Rm 8.15).

Essa adoção não é apenas uma declaração externa, mas uma realidade interior confirmada pelo Espírito de Deus. Em Romanos 8.16, o apóstolo ensina:

“O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus.”

A expressão “testifica com”, no texto grego symmartyréō, significa “testemunhar juntamente com” ou “dar confirmação em concordância”. A ideia central é que o Espírito Santo se une ao nosso espírito, dando um testemunho conjunto e convincente de nossa filiação divina. A tradução da Nova Almeida Atualizada expressa adequadamente esse sentido ao afirmar: “O próprio Espírito confirma ao nosso espírito que somos filhos de Deus”.

Essa verdade revela a profunda relação entre o espírito humano regenerado e o Espírito de Deus. O Espírito Santo habita no interior do crente e se comunica diretamente com o seu espírito, produzindo certeza, consolo e comunhão. Contudo, essa experiência é exclusiva daqueles que creram em Jesus Cristo e foram feitos filhos de Deus, conforme declara o evangelista João:

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1.12).

Os que não creram permanecem separados de Deus e são descritos pelas Escrituras como “filhos da ira” (Ef 2.3), destituídos dessa comunhão espiritual. Assim, o testemunho do Espírito ao nosso espírito constitui um dos privilégios mais sublimes da vida cristã, assegurando-nos nossa identidade, filiação e relacionamento com Deus Pai.

2. O Espírito intercede

Na continuidade do capítulo 8 da Epístola aos Romanos, Paulo trata da intercessão do Espírito Santo em nosso favor:

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8.26)

O Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis, isto é, que não podem ser expressos por meio de palavras humanas (Rm 8.27). Em momentos de dificuldade, em razão de nossas fraquezas e limitações, não sabemos como nos dirigir a Deus em oração. O Espírito Santo, que é Deus, conhecendo perfeitamente quem somos, bem como nossas necessidades e intenções, intercede por nós diante do Pai de forma perfeita e eficaz.

Aquele que tudo conhece examina os corações e discerne plenamente a intenção do Espírito. É importante destacar que a intercessão do Espírito Santo está sempre em plena harmonia com a vontade de Deus, pois Ele é Deus e, portanto, não pensa nem age de modo diferente do Pai e do Filho. Assim, jamais devemos pedir algo que contrarie as Escrituras e supor que o Espírito Santo intercederá em favor de tais pedidos.

3. O Espírito edifica

O comentarista menciona, apenas no título deste tópico, a edificação pelo Espírito Santo, sem desenvolver diretamente o assunto. Todavia, a edificação espiritual é tratada de forma mais específica no tópico seguinte.

Ao falarmos de edificação, somos naturalmente remetidos à construção de um edifício, o qual necessita de um bom alicerce, colunas bem estruturadas e manutenção constante, a fim de não comprometer sua segurança e estabilidade.

Na edificação espiritual, o alicerce do crente é Cristo, e é sobre Ele que o Espírito Santo edifica a nossa fé, conforme declara a Escritura:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (1Co 3.11)

As colunas que sustentam a vida cristã são: a doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações, conforme lemos:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (At 2.42)

Sem essas colunas, o crente não se mantém firme, ainda que afirme estar fundamentado em Cristo, assim como um edifício, mesmo possuindo um bom alicerce, não se sustenta sem colunas adequadas.

A manutenção do edifício espiritual consiste na prática contínua das disciplinas espirituais, conforme estudado na lição anterior: vigilância, oração, jejum, leitura e meditação na Palavra de Deus.

16 dezembro 2025

A OBRA INICIAL DO ESPÍRITO

(Comentário do 1º tópico da Lição 12: O espírito humano e o Espírito de Deus)

No primeiro tópico, são apresentados quatro subtópicos que tratam da obra do Espírito Santo na vida do crente. Inicialmente, veremos que o Espírito Santo desperta em nós a consciência e a fé, faculdades próprias do espírito humano. 

Em seguida, será abordada a pedagogia do Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus de que o Consolador nos “ensinaria todas as coisas” (Jo 14.26).

Na sequência, veremos que o Espírito Santo renova a nossa mente, conforme a exortação paulina: “...transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2).

Por fim, trataremos da voz e da luz do Espírito Santo, que fala ao nosso coração e nos ilumina para compreendermos corretamente a Palavra de Deus.

1. Consciência e fé.

O comentarista nos diz aqui que “a ação do Espírito Santo começa em nossa consciência, despertando-a da culpa pelo pecado e apontando a necessidade de perdão”. Na Lição 6 deste trimestre, estudamos a consciência como o tribunal interior do ser humano. Vimos, naquela ocasião, que a nossa consciência foi criada pura, mas foi corrompida pelo pecado. Sendo assim, todos os seres humanos, sem exceção, já nascem com a sua natureza corrompida pelo pecado.

A partir desse entendimento, podemos afirmar que a atuação do Espírito Santo é indispensável para despertar a consciência humana, pois, embora ela ainda funcione como esse “tribunal interior”, já não é plenamente confiável por si mesma. Corrompida pelo pecado, ela pode tornar-se insensível, distorcida ou até justificar o erro. Por isso, o Espírito Santo age despertando a consciência, convencendo “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8), levando o ser humano a reconhecer sua condição caída e sua total dependência da graça divina.

O Espírito Santo age também em nosso interior para produzir a fé salvífica. Essa fé nasce por meio da ministração da Palavra de Deus no poder do Espírito Santo. A fé salvífica não é resultado apenas da capacidade humana de compreender a mensagem, mas é fruto direto da ação soberana do Espírito Santo. Como ensina o apóstolo Paulo: “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Deus” (Rm 10.17). Contudo, esse “ouvir” eficaz acontece quando o Espírito Santo ilumina tanto quem anuncia quanto quem escuta.

O Espírito Santo capacita o pregador, concedendo-lhe unção, autoridade espiritual e clareza na exposição da Palavra, para que ela não seja apenas informativa, mas transformadora. Ao mesmo tempo, Ele opera no coração dos ouvintes, convencendo-os do pecado, quebrando resistências e despertando o arrependimento e a fé em Cristo. Por isso, a conversão não depende da eloquência, da retórica ou da sabedoria humana, mas do poder de Deus em ação.

Concluímos, portanto, que a salvação é inteiramente uma obra da graça divina: o Espírito Santo aplica a Palavra ao coração humano, gera a fé, conduz à conversão e inicia o processo de transformação da vida. Sem essa atuação interior do Espírito, a mensagem pode até ser ouvida externamente, mas não produzirá o novo nascimento. Entretanto, é preciso deixar claro que, apesar de o Espírito Santo realizar todo esse trabalho de despertamento da consciência e agir para produzir a fé, a decisão final continua sendo do ser humano: aceitar ou rejeitar a mensagem de Cristo.

2. A pedagogia do Espírito.

Quando o ser humano ouve a Palavra de Deus e crê nela, imediatamente ocorre a justificação, isto é, ele é declarado justo diante de Deus, não por seus próprios méritos, mas pelos méritos de Cristo. A partir desse momento, inicia-se o processo da regeneração, também conhecido como novo nascimento. Trata-se da transformação da velha natureza, corrompida pelo pecado, em uma nova criatura, segundo os padrões estabelecidos por Deus.

Essa obra não acontece de forma instantânea em todos os aspectos da vida, mas é um processo contínuo. O Espírito Santo passa a agir diariamente no crente, transformando seu caráter para que ele se torne cada vez mais semelhante a Cristo. Paralelamente à regeneração, ocorre a santificação, que consiste na separação de tudo aquilo que desagrada a Deus e na dedicação exclusiva ao Senhor.

Após a conversão, o Espírito Santo assume um papel pedagógico na vida do crente, ensinando-lhe as verdades espirituais. O apóstolo Paulo afirmou aos coríntios:

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Co 2.13).

Isso significa que é o Espírito Santo quem nos capacita a compreender as verdades espirituais, revelando aquilo que, naturalmente, o ser humano não conseguiria entender por si mesmo.

Enquanto esteve fisicamente com os discípulos, Jesus ensinou muitas coisas, mas deixou claro que eles ainda não estavam preparados para receber todo o ensino:

“Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16.12).

Por isso, Jesus prometeu enviar o Espírito Santo, que continuaria essa obra de ensino e orientação:

“Ele [o Espírito Santo] ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26).
“Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13).

Essas palavras mostram que o Espírito Santo é o Mestre divino que conduz o crente à verdade plena, de forma progressiva e segura.

O apóstolo Paulo também ensinou que o Espírito Santo penetra todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus, pois somente o Espírito de Deus conhece plenamente as coisas de Deus (1 Co 2.10-12). Dessa maneira, o Espírito Santo não apenas ensina, mas também revela, orienta e concede discernimento espiritual, capacitando o crente a identificar a procedência das manifestações espirituais.

Assim, aprendemos que a pedagogia do Espírito Santo é essencial para o crescimento cristão, pois Ele nos ensina, nos guia, nos corrige e nos conduz a uma vida que glorifica a Deus.

3. A renovação da mente.

O ser humano, quando vive afastado de Deus, possui a mente corrompida pelo pecado e, por isso, tende a pensar e desejar coisas más. As Escrituras afirmam que “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7) e que “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17.9). Essa realidade revela a incapacidade do ser humano, por si mesmo, de agradar a Deus ou de viver segundo a Sua vontade.

Para que essa condição seja transformada, faz-se necessária a atuação do Espírito Santo na renovação da mente. O apóstolo Paulo exorta os crentes dizendo: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Essa renovação não é resultado de esforço humano, mas da ação contínua do Espírito Santo na vida do crente.

O Espírito Santo renova a mente segundo os padrões divinos, produzindo uma transformação interior profunda. Essa transformação ocorre de dentro para fora, conforme já estudamos na Lição 10, e se manifesta em uma nova maneira de pensar, sentir e agir. Assim, a verdadeira vitória sobre o pecado não está na força da vontade humana, mas na obra redentora de Cristo e na ação santificadora do Espírito Santo, que capacita o crente a viver em obediência à vontade de Deus.

4. Voz e luz.

A Bíblia revela que o Espírito Santo não é uma força impessoal, mas uma Pessoa divina. Ele possui intelecto, sentimentos e vontade, características próprias da personalidade. Como Pessoa da Trindade, o Espírito Santo comunica-se com o crente, falando ao íntimo do seu ser e iluminando os olhos do coração, a fim de conduzi-lo segundo a vontade de Deus.

As Escrituras apresentam diversos exemplos em que o Espírito Santo fala de maneira coletiva, dirigindo-se à Igreja. No contexto do ministério em Antioquia, enquanto os discípulos serviam ao Senhor com jejum e oração, “disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Esse texto evidencia que o Espírito Santo orienta a Igreja em suas decisões ministeriais e missionárias. Do mesmo modo, nas mensagens às sete igrejas da Ásia, o próprio Senhor exorta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7), destacando que a voz do Espírito continua ativa na edificação do Corpo de Cristo.

Além de falar à Igreja de forma coletiva, o Espírito Santo também se comunica individualmente com servos de Deus, dirigindo-os de maneira pessoal. Foi assim com Filipe, quando o Espírito lhe ordenou: “Chega-te e ajunta-te a esse carro” (At 8.29), conduzindo-o ao encontro do eunuco etíope. De igual modo, Pedro foi instruído pelo Espírito Santo a não resistir ao chamado que recebera, o que resultou na abertura do Evangelho aos gentios (At 10.19,29). Esses relatos confirmam que o Espírito Santo dirige e envia seus servos conforme o propósito divino.

O Espírito Santo também atua esclarecendo dúvidas e orientando a Igreja nas tomadas de decisões. No primeiro concílio realizado em Jerusalém, os apóstolos e líderes reconheceram a direção do Espírito ao afirmarem: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (At 15.28). Tal declaração revela a harmonia entre a liderança espiritual e a orientação divina.

Além disso, o Espírito Santo ilumina a mente do crente, concedendo entendimento espiritual e paz. O apóstolo Paulo afirma: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14), ressaltando que a direção do Espírito é uma marca da filiação divina.

Por fim, o Espírito Santo também ilumina o crente para que compreenda sua vocação em Cristo. Conforme ensina o apóstolo, Deus concede iluminação aos olhos do entendimento “para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Ef 1.18). Assim, o Espírito Santo não apenas fala, mas também esclarece, guia e fortalece o povo de Deus em sua caminhada cristã.

Ev. WELIANO PIRES

15 dezembro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 12: O ESPÍRITO HUMANO E O ESPÍRITO DE DEUS

TEXTO ÁUREO: 

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16).

VERDADE PRÁTICA:

Além do seu testemunho em nosso espírito, o Espírito Santo age no íntimo de nosso ser intercedendo, edificando e produzindo o seu fruto.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 8.14-16; 1 Coríntios 14.14; Gálatas 5.22,23

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudamos três lições relacionadas ao espírito humano. Na Lição 10, refletimos sobre o espírito como o âmago, ou a parte mais profunda do ser humano, conforme a Escritura afirma que é no interior do homem que Deus opera (Pv 20.27). 

Na Lição 11, analisamos a relação entre o espírito e as disciplinas da vida cristã, destacando a necessidade do exercício espiritual para uma vida piedosa (1Tm 4.7,8).

Esta é a última lição desta série e nela abordaremos a relação entre o Espírito de Deus e o espírito humano. À luz das Escrituras, veremos a multiforme obra do Espírito Santo na vida do crente, desde a conversão, quando somos regenerados pelo Espírito (Jo 3.5–6), passando pelo processo contínuo de santificação (2Ts 2.13), até a capacitação espiritual para vivermos uma vida cristã autêntica, frutífera e agradável a Deus (Gl 5.16,22).

PALAVRA-CHAVE: COMUNHÃO

A palavra comunhão deriva do termo latino communio, formado por com (junto) e munus (dever, serviço, encargo, dom). O termo expressa a ideia de algo comum, partilhado e vivido em conjunto, indicando compromisso e participação mútua.

No Novo Testamento, a palavra traduzida por comunhão é o termo grego κοινωνία (koinonía), cujo significado envolve fraternidade, comunhão, participação e relacionamento. Biblicamente, koinonía não se limita a um sentimento de amizade, mas descreve uma relação espiritual viva, produzida pela ação do Espírito Santo na vida do crente.

As Escrituras apresentam a comunhão em três aspectos fundamentais:

  1. A comunhão entre os crentes, evidenciada pela perseverança na doutrina, no partir do pão e nas orações, bem como na partilha dos bens com os necessitados (At 2.42–45);

  2. A comunhão do crente com Deus e com Cristo, resultado do chamado divino e da obra redentora realizada em Cristo Jesus (1Co 1.9);

  3. A comunhão na Ceia do Senhor, na qual o crente participa espiritualmente do corpo e do sangue de Cristo, reafirmando sua união com Ele e com o Corpo (1Co 10.16).

No contexto desta lição, a comunhão refere-se especialmente ao relacionamento profundo e contínuo entre o espírito do crente e o Espírito Santo, conforme ensina o apóstolo Paulo: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

TÓPICOS DA LIÇÃO

I. A OBRA INICIAL DO ESPÍRITO

Neste primeiro tópico, estudaremos a obra inicial do Espírito Santo na vida do crente. Veremos que é o Espírito quem desperta a consciência espiritual e gera a fé salvadora no coração humano (Jo 16.8; Ef 2.8).

Em seguida, abordaremos a pedagogia do Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus de que o Consolador nos ensinaria todas as coisas e nos faria lembrar de tudo quanto Ele disse (Jo 14.26).

Na sequência, veremos que o Espírito Santo promove a renovação da mente, conduzindo o crente a uma transformação progressiva, conforme Romanos 12.2.

Por fim, trataremos da voz e da luz do Espírito Santo, que ilumina o entendimento do crente para compreender as Escrituras e dirige o coração na vontade de Deus (1Co 2.10–12; Sl 119.105).

II. TESTEMUNHO, INTERCESSÃO E EDIFICAÇÃO

No segundo tópico, analisaremos a atuação contínua do Espírito Santo no interior do crente. Inicialmente, veremos o testemunho do Espírito ao nosso espírito, confirmando nossa filiação divina, conforme Romanos 8.16.

Em seguida, estudaremos a intercessão do Espírito Santo, que intercede por nós com gemidos inexprimíveis, segundo a vontade de Deus, fortalecendo-nos em nossas fraquezas (Rm 8.26,27).

Embora a edificação seja mencionada no título deste tópico, o comentarista a desenvolverá de forma mais específica no tópico seguinte.

III. EDIFICAÇÃO E FRUTO DO ESPÍRITO

No terceiro e último tópico, estudaremos a edificação do espírito e o Fruto do Espírito Santo. Inicialmente, veremos que o falar em línguas contribui para a edificação pessoal, conforme o ensino do apóstolo Paulo: “O que fala em língua estranha edifica-se a si mesmo” (1Co 14.4,14).

Por fim, abordaremos as virtudes do Fruto do Espírito, descritas em Gálatas 5.22, que representam o caráter de Cristo sendo formado no crente e constituem o ponto culminante de uma vida conduzida pelo Espírito Santo.

Ev. WELIANO PIRES

O ESPÍRITO HUMANO E O ESPÍRITO DE DEUS


(Subsídio da Revista Ensinador Cristão/CPAD).

No estudo desta lição, veremos a ação do Espírito Santo na vida do crente. Quando o pecador aceita a fé, recebe o Espírito Santo que opera em sua consciência, convence-o do pecado e aponta a necessidade de perdão. Em seguida, na trajetória da vida cristã, o Espírito atua como um professor, ensinando e trazendo à memória todas as coisas que o convertido aprende com Cristo por meio das Escrituras Sagradas (Jo 14.26). O resultado desse processo é a maturidade espiritual e uma vida cristã profícua e frutífera na presença de Deus (Gl 5.22). Nesse sentido, a ação do Espírito de Deus no interior humano tem o poder de transformá-lo e moldá-lo conforme a vontade de Deus. Trata-se de um processo de santificação que é impossível de ser alcançado apenas pelo esforço humano. Sem a ação do Espírito não podemos ser santificados e trazidos a uma intimidade profunda com Deus (Rm 8.26,27).

Conforme explica Lawrence O. Richards em seu livro Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento (CPAD), sobre a santificação na verdade, ensinada por nosso Senhor Jesus (Jo 17.17): “Três conceitos teológicos críticos se encontram neste único versículo. ‘Verdade’, ‘Santificação’ e a ‘Palavra’ de Deus. ‘Santificar’ significa tornar santo, e/ou separar para uso sagrado. A ‘verdade’ é a realidade como Deus a entende e a revela por meio das Escrituras e do Filho. A ‘Palavra’ é o meio, escrito e encarnado, pelo qual Ele rompe o véu da confusão humana e revela a realidade como Ele — como Criador e Redentor — conhece. Quando colocarmos a nossa confiança na revelação de Deus e agirmos de acordo com ela, nós nos moveremos sob o campo da realidade, em que sentiremos a transformação e seremos úteis para o Senhor. [...] No AT, a santificação é uma questão de isolamento. No NT, a santificação é uma questão de transformação — uma obra dinâmica e purificadora do Espírito Santo dentro de nós que nos capacita a viver vidas santas enquanto desempenhamos nossos papéis numa sociedade que é basicamente corrupta e hostil a Deus”. (2007, pp.237,238).

Destarte, assim como os discípulos sentiram a necessidade de alguém que os continuasse a guiar com a partida do Mestre, nós também precisamos do Espírito Santo para nos ensinar, instruir e revelar o que agrada a Deus. A promessa do paracleto não ficou restrita aos discípulos do primeiro século. Ela também se estende até os nossos dias. O Espírito continua a cumprir a incumbência de capacitar a sua igreja, seja por meio da inspiração das Sagradas Escrituras ou por intermédio dos dons espirituais, a cumprir os propósitos de Deus para alcançar esta geração (Mt 28.20).

FONTE: Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO; CPAD, 2025, Ed. 103, p.42. 

Família, projeto de Deus

A  família é projeto de Deus 
Pois Ele mesmo a idealizou
Do pó formou o primeiro homem
O seu sopro a vida nele gerou
Viu que a solidão não era boa 
Da sua costela a mulher criou.  


Minha família é projeto de Deus 
Pois em seu amor nos firmamos
Oramos e pedimos a sua direção
Nos conhecemos e namoramos 
Sob a orientação da Sua Palavra 
Em seus princípios nos casamos.
 
A sua família é projeto de Deus
Não é uma construção social
As suas vidas Deus ajuntou
Através do enlace matrimonial
Orem sempre um pelo outro
Para que o amor seja perenal.
 
WELIANO PIRES 

11 dezembro 2025

AS DISCIPLINAS E A LUTA ESPIRITUAL

(Comentário do 3º tópico da Lição 11: O espírito humano e as disciplinas cristãs)

No terceiro tópico, abordaremos a relação entre as disciplinas espirituais cristãs e a luta espiritual. Iniciaremos destacando a astúcia do maligno, que constantemente prepara ciladas com o objetivo de enfraquecer a fé do cristão e conduzi-lo ao naufrágio espiritual. 


Em seguida, trataremos da necessidade de administrar bem o nosso tempo, pois a batalha espiritual também passa pelo uso sábio dos nossos dias. As distrações têm se multiplicado, e entre elas se destaca a dependência digital, que tem consumido grande parte do tempo, da atenção e até da energia emocional de muitos cristãos.


1. As astúcias do Maligno. A Bíblia nos ensina que o diabo é o arquiinimigo de Deus e, portanto, ele odeia o povo de Deus. Ele é um inimigo perigosíssimo, pois é mentiroso e pai da mentira. Seu modo de agir é caracterizado pela falsidade, sutileza e toda sorte de engano. Sobre isso, o apóstolo Pedro nos alertou:


"Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar." (1 Pe 5:8).


Nessa advertência, o apóstolo alerta os crentes sobre o perigo do nosso adversário, que é maligno e altamente destruidor, mas, ao mesmo tempo, é astuto como um leão quando ataca suas presas. O primeiro passo para o leão atacar uma presa é acompanhar seus passos e isolá-la do bando. Quando a presa está sozinha, ele a ataca com um golpe certeiro, impedindo sua reação.


O inimigo possui métodos e artimanhas para enganar os crentes. Somente com discernimento, vigilância e toda a armadura de Deus podemos vencer seus enganos. Escrevendo aos Efésios, o apóstolo Paulo disse:


"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo." (Ef 6:11).


A expressão “astutas ciladas”, no grego, é methodeias, que significa artifícios, truques, arte e malandragem. Essa palavra deu origem à palavra portuguesa "método". Se o diabo revelasse sua verdadeira identidade e aparecesse para as pessoas com chifres, uma cauda enorme e soltando fogo pelas narinas, como muitos imaginam que ele é, ninguém se deixaria enganar por suas investidas. Mas ele é perigoso justamente porque age de forma sutil, sem revelar quem realmente é.


Como vencer as astúcias do inimigo? A Bíblia nos ensina que, para vencer as astúcias do diabo, devemos nos revestir de toda a armadura de Deus. Essa armadura é composta de: cinto da verdade, couraça da justiça, escudo da fé, calçados na preparação do Evangelho, capacete da salvação, espada do Espírito e oração em todo o tempo. 


Cada uma destas armas tem um significado específico na proteção do crente e não vamos discorrer sobre cada uma delas, para não nos alongarmos. Na luta para vencer a astúcia do inimigo, é preciso pelo menos três disciplinas espirituais: oração, para estar em contato com Deus; estudo da Palavra de Deus, para não ser enganado; e vigilância constante, para não ser surpreendido pelo inimigo. 

Cada uma dessas peças tem um significado específico na proteção do crente, mas não entraremos em detalhes sobre cada uma delas neste momento.

Na luta para vencer as astúcias do inimigo, pelo menos três disciplinas espirituais são essenciais:

a) Oração: Para mantermos contato constante com Deus.

b) Estudo da Palavra de Deus: Para que não sejamos enganados.

c) Vigilância constante: Para não sermos surpreendidos pelas investidas do inimigo.

Essas disciplinas são fundamentais para nos mantermos firmes e protegidos em nossa caminhada espiritual, especialmente diante das tentações e enganos que o inimigo tenta lançar sobre nós.

2. Evitando as distrações. No texto de Efésios 5:15-16, o apóstolo Paulo faz a seguinte advertência:

"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus."

O contexto de Efésios 5 começa no capítulo 4, a partir do versículo 17, quando Paulo fala sobre o modo de vida dos gentios, que andavam segundo a sua natureza pecaminosa, separada de Deus:

"E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente." (Ef 4.17)

O apóstolo prossegue falando sobre o estilo de vida pecaminoso dos gentios e diz que os crentes de Éfeso não aprenderam assim de Cristo (Ef 4.20). Na sequência, ele faz várias recomendações aos crentes de Éfeso para se despojarem do velho homem e abandonarem as velhas práticas de mentira, ódio, furto, palavras torpes, blasfêmias, imoralidade sexual, avareza, etc.

A expressão grega dia touto, traduzida por “portanto” em Efésios 5:17, indica uma conclusão do que foi dito anteriormente. Sendo assim, Paulo recomenda que, devido ao comportamento dos gentios e à sociedade em que os crentes de Éfeso estavam inseridos, eles deveriam portar-se com prudência, não como insensatos, mas como sábios, aproveitando bem as oportunidades, pois os dias são maus.

O ponto-chave dessa recomendação paulina é a administração sábia do tempo, evitando distrações e a perda de tempo com futilidades. O comentarista chamou a atenção para o uso excessivo do celular e das redes sociais, que, sem sombra de dúvida, são os grandes vilões na questão das distrações e da dependência digital.

Na sociedade pós-moderna, a vida é uma correria em todos os aspectos. Temos muitas coisas a fazer no trabalho, nos estudos, na igreja, em casa, nas compras, viagens etc. Se não administrarmos o tempo, não conseguiremos dar conta de tantas tarefas. E, aliás, muitas pessoas não conseguem, o que gera estresse e esgotamento emocional.

A internet facilitou muito a nossa vida em vários aspectos, pois hoje podemos realizar muitas coisas sem precisar sair de casa, como operações bancárias, marcações de consultas, retirada de resultados de exames, envio de documentos, pesquisas, leituras de livros digitais, comunicação por chamadas de vídeo e até o trabalho remoto.

Por outro lado, a internet também trouxe a dependência digital e muitas atividades inúteis que consomem nosso tempo, prejudicando as disciplinas espirituais tanto em casa quanto nos templos. Há pessoas que não conseguem se desconectar das redes sociais nem mesmo no momento do culto, quando deveriam estar em conexão direta com Deus.

No momento em que deveriam estar orando ou ouvindo a Palavra de Deus, estão vendo atualizações do Instagram, Facebook, WhatsApp, X (anteriormente Twitter) ou TikTok. Que Deus nos guarde e nos dê sabedoria e discernimento para administrarmos o nosso tempo, evitando todo tipo de distração nos momentos de oração, adoração e louvor a Ele.

Ev. WELIANO PIRES

O DESAFIO DAS DISCIPLINAS ESPIRITUAIS

(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 11: O espírito humano e as disciplinas cristãs)

No segundo tópico, refletiremos sobre o desafio de praticar as disciplinas espirituais. Começaremos fazendo uma analogia com o funcionamento do corpo humano: assim como muitos encontram dificuldade em manter uma rotina regular de exercícios físicos, também não é simples manter constância nas práticas espirituais. Ambas exigem esforço, perseverança e um propósito claro.

Em seguida, veremos que a negligência dessas disciplinas produz sérias consequências na vida do crente. Entre elas estão a apatia espiritual, que enfraquece a fé; o engano, que torna o cristão vulnerável às falsas doutrinas e tentações; e, por fim, a prática do pecado, como resultado de uma vida desconectada das fontes de graça e fortalecimento espiritual.

Por último, destacaremos que as disciplinas espirituais não podem permanecer apenas na teoria. Elas devem ser cultivadas diariamente, com intencionalidade e zelo, pois somente assim o cristão experimenta crescimento genuíno e maturidade espiritual. 

1. A analogia do corpo. 

O apóstolo Paulo estabeleceu uma analogia entre a atividade física e as disciplinas espirituais. Assim como todos nós sabemos que o corpo humano precisa de exercícios para se manter saudável, também sabemos que o sedentarismo traz inúmeros prejuízos à saúde.

Com o passar do tempo, um corpo sedentário tende a desenvolver problemas de circulação, diabetes, obesidade, desgaste nas articulações, cansaço constante, osteoporose, perda de força, dores crônicas, atrofia muscular, sono irregular, estresse, depressão e tantas outras complicações.

Apesar disso, não é simples iniciar uma rotina de atividade física — muito menos mantê-la. Muitos começam empolgados, mas rapidamente desistem. E, depois de um período parado, retornar se torna ainda mais difícil, mesmo para quem já teve uma prática regular. Tenho uma rotina de exercícios há mais de 15 anos e sei, por experiência própria, que não é fácil, mas é necessário se exercitar fisicamente.

Da mesma forma acontece em nossa vida espiritual. Todo cristão que conhece minimamente a Palavra de Deus sabe que precisa se dedicar às disciplinas espirituais: oração, jejum, leitura e meditação nas Escrituras, além da participação fiel na comunhão da igreja.

Entretanto, após começar, é preciso perseverar. Certamente surgirão obstáculos e desculpas para abandonar essas práticas: cansaço, falta de tempo, sono, trabalho, estudos, lazer, família e tantas outras demandas. Por isso, é necessário reagir, fortalecer-se no Senhor e continuar. O treinamento espiritual exige esforço, constância e disciplina, mas produz frutos eternos.

2. Apatia, engano e pecado. 

Assim como o corpo enfraquece quando não se exercita, o espírito também sofre quando há abandono das disciplinas espirituais. A interrupção da oração, da leitura bíblica, da meditação, do jejum e da comunhão cristã produz fraqueza, paralisia e, em casos extremos, até morte espiritual.

O comentarista destaca três consequências principais da falta de exercícios espirituais na vida do crente:

a) Apatia. A palavra apatia deriva do grego apatheia — formada pelo prefixo “a” (negação) e pathos (emoção, sentimento, paixão, sofrimento). Assim, apatia significa ausência de sentimento, frieza e insensibilidade. A apatia espiritual é marcada por indiferença em relação às coisas de Deus, falta de discernimento e perda de sensibilidade à atuação do Espírito Santo. O crente já não se alegra, não chora, não se quebranta, não se arrepende — simplesmente não reage às realidades espirituais.

b) Engano. Quando o crente deixa de ler, estudar e meditar na Palavra de Deus, torna-se vulnerável a erros, modismos e “ventos de doutrina”.

Infelizmente, muitos têm sucumbido a heresias por falta de conhecimento bíblico. A negligência com a Escola Dominical, cultos de ensino e estudo sistemático das Escrituras abre brechas para que o engano se instale. Quem conhece a Palavra de Deus, não se deixa levar por doutrinas estranhas, pois a verdade funciona como um filtro que rejeita o erro.

c) Pecado. O pecado se apresenta de forma sutil, muitas vezes disfarçado pela antiga desculpa: “não tem nada a ver”. Para resistir ao pecado, o crente precisa revestir-se do Senhor e da força do Seu poder (Ef 6.10). Mas isso só é possível mediante prática constante das disciplinas espirituais. Sem oração, sem vigilância, sem meditação na Palavra, o crente enfraquece e se torna presa fácil das tentações. A santificação não acontece por acaso; ela é fruto de uma vida espiritual disciplinada.

3. Da teoria à prática.

Até aqui tratamos da necessidade vital que o crente tem de praticar as disciplinas espirituais. Essa é a parte teórica, reconhecida por qualquer cristão que conhece minimamente a Bíblia. Contudo, como bem observou o comentarista, não podemos permanecer apenas no conhecimento teórico — é necessário avançar para a prática diária.

Assim como ocorre na atividade física, não basta saber que os exercícios são importantes; é preciso começar a praticá-los. Porém, ninguém inicia um treino intenso sem orientação, tentando fazer exercícios que exigem alto condicionamento. Surge então a pergunta natural: por onde começar? Que práticas são adequadas para o iniciante? Com que frequência e de que maneira devem ser feitas?

a) Começar corretamente. Na vida espiritual, o princípio é o mesmo: não se inicia a jornada das disciplinas espirituais de modo desordenado e com extrema intensidade. Tomemos a oração como exemplo. Não adianta começar tentando orar duas horas ajoelhado. O corpo não está preparado, a mente se dispersa, as palavras faltam, os joelhos doem — e o desânimo aparece. Por isso, a sabedoria está em começar com passos firmes, porém possíveis.

b) Estabelecer um ritmo espiritual. O ideal é reservar um horário e um local específico para a oração e a meditação na Palavra. Esse lugar deve ser livre de distrações e interrupções.

O horário mais recomendado é no início do dia, antes das demais atividades, pois, começamos o dia falando com Deus e permitimos que Ele fale conosco através das Escrituras.

c) Outras ocasiões de oração. É claro que a oração não deve se limitar ao devocional diário. Devemos orar também antes das refeições, antes de viajar, antes de dormir e diante de qualquer situação adversa. Também é importante participar — na medida do possível — dos momentos de oração da igreja local, pois somos edificados e fortalecidos na comunhão.

d) Participação ativa no culto. Da mesma forma, devemos participar ativamente dos cultos e não como meros espectadores. Ao entrar no templo, devemos dobrar os joelhos e falar com Deus. A partir desse momento, devemos deixar de lado assuntos que não pertencem ao momento do culto e participar de toda a liturgia: cantar, orar, acompanhar leitura das Escrituras e ouvir atentamente a pregação. Assim, aos poucos, o crente desenvolve um ritmo constante de comunhão com Deus, fortalecendo seu espírito e amadurecendo na fé.

A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO

(Comentário do 3º tópico da Lição 5: O Deus Filho) No terceiro tópico, estudaremos a missão redentora do Deus Filho, tomando como referência...