15 janeiro 2025

HERESIAS QUE NEGAM A CORPOREIDADE DE CRISTO

(Comentário do 1º tópico da Lição 03: A Encarnação do Verbo). 

Ev. WELIANO PIRES

No primeiro tópico, apresentaremos as heresias que negavam a corporeidade de Cristo nos primórdios da Igreja. Falaremos da mais antiga delas, que era chamada de Docetismo. Os docetas ensinavam muitas coisas contrárias às Escrituras e negavam que Jesus tivesse um corpo físico. Neste tópico, veremos também alguns detalhes descritos no Evangelho segundo Lucas, que comprovam a humanidade de Jesus. Por fim, veremos o que os principais docetas diziam sobre Jesus e apresentaremos também textos bíblicos que contestam estas heresias.

1. O que é Docetismo? O Gnosticismo era um grupo muito diversificado, que misturava Judaísmo com Cristianismo e Paganismo. O nome Gnosticismo vem do grego “gnosis”, que significa conhecimento. Os gnósticos diziam possuir um conhecimento superior. O Docetismo surgiu da ideia gnóstica de que há um dualismo entre espírito e matéria, sendo o espírito bom e a matéria má. Desta forma, diziam que se Jesus é Deus, Ele não poderia ter um corpo físico, pois, segundo eles, o corpo é mal.

O Docetismo é uma seita do Gnosticismo, que surgiu no final do primeiro século e é considerada a mais antiga heresia do Cristianismo, junto com a heresia judaizante, que vimos na lição passada. O nome Docetismo deriva do grego Dokeo, que significa “ter aparência”. Este nome se deu porque os docetas negavam que Cristo teve um corpo real e diziam que tinha apenas um corpo aparente, como um fantasma.

2. O que os docetas ensinavam sobre Jesus? Os docetas e as outras ramificações do Gnosticismo ensinavam muitas coisas extrabíblicas e antibíblicas, conforme nos informou o comentarista. Para esta lição, na qual tratamos da encarnação do Verbo, vamos nos deter na questão da humanidade de Jesus que eles negavam. Não há como alguém negar a humanidade de Cristo e não negar as Escrituras, pois está muito claro na Bíblia que Jesus viveu como homem e teve um corpo físico.

Neste subtópico, o comentarista apresenta vários relatos do Evangelista Lucas, que não foi testemunha ocular dos fatos, mas os registrou como um exímio historiador, colhendo informações fidedignas daqueles que conviveram com Jesus. Além disso, Lucas foi inspirado pelo Espírito Santo para escrever o Evangelho.

O Evangelho segundo Lucas é o mais detalhista em relação a datas e fatos históricos, que nos permitem situar os acontecimentos da vida terrena de Jesus na história. Lucas cita um sacerdote chamado Zacarias e sua esposa Isabel, que era prima de Maria, mãe de Jesus (Lc 1.5).  Neste relato, ele menciona como se deu o nascimento de João Batista e a vista que Maria fez à sua prima Isabel, que estava  grávida de João e ao saudá-la a criança saltou em seu ventre.

Lucas narra com riqueza de detalhes como se deu o nascimento de Jesus, desde o seu anúncio pelo anjo Gabriel. Há também os registros dos amigos, vizinhos, parentes e pais terrenos de Jesus. Lucas registrou também que José vivia com a sua esposa em Nazaré, na Galiléia, mas foi se alistar em Belém da Judéia, pois era da família de Davi (Lc 2.4). Na ocasião do nascimento de Jesus, Lucas registrou que não havia hospedagem para Ele e foi envolto em panos e colocado em uma manjedoura. Um anjo avisou do seu nascimento aos pastores que guardavam os seus rebanhos e eles vieram ao local do nascimento e testemunharam o fato.

Há ainda os relatos das visitas do velho Simeão e da profetisa Ana, que eram pessoas idosas, tementes a Deus desde a mocidade. Ambos visitaram o menino Jesus e foram usados pelo Espírito Santo para falar dele como o Messias prometido a Israel. Eles viram o menino e comprovaram a sua humanidade. Lucas é o único evangelista a mencionar a adolescência de Jesus, no episódio em que ficou em Jerusalém depois da festa e foi encontrado no templo, no meio dos doutores, dialogando com eles. Todos estes relatos nos mostram o desenvolvimento físico, intelectual e espiritual de Jesus, como um ser humano.

3. O que os principais docetas diziam sobre Jesus? Um heresiarca é o principal líder fundador de uma heresia. Aqui, o comentarista nos apresenta os três principais heresiarcas docetas: Cerinto, Saturnino e Marcião. Os três eram expoentes do gnosticismo e ensinavam heresias sobre a humanidade de Jesus, mas com algumas diferenças de pensamento.

a) Cerinto. Era um judeu, natural de Antioquia, convertido ao Cristianismo, que viveu entre o final do primeiro século e o início do segundo século da Era Cristã. Foi contemporâneo do apóstolo João, de Policarpo de Esmirna, e de Irineu de Lião. Cerinto ensinava que havia diferença entre Jesus e Cristo. Segundo ele, Jesus era um um ser humano normal, filho biológico de José e Maria, que recebeu o Cristo divino após o batismo. Cristo teria guiado Jesus durante todo o seu ministério e pouco antes da crucificação, o abandonou e Ele morreu como um homem comum. No Livro de apoio, o comentarista cita também os ebionitas, que pensavam como Cerinto em relação à humanidade de Jesus.
b) Saturnino. Foi um dos primeiros cristãos da Síria a abraçar o gnosticismo, por volta de 120 d.C. Era aprendiz de Menandro, que era um gnóstico e mágico, discípulo do mágico Simão de Samaria. Saturnino ensinava que Jesus não nasceu, não teve corpo, nem forma humana. Era apenas uma aparência humana, que veio para destruir o Deus do Antigo Testamento que, segundo ele, era um impostor maligno.
c) Marcião. Era natural de Sinope, província do Ponto, na Ásia Menor e transferiu-se para Roma em 135 d.C. Assim como Saturnino, Marcião considerava que o Deus do Antigo Testamento era mau e ensinava que os cristãos deveriam rejeitar as Escrituras do Antigo Testamento. Por causa disso, tornou-se antissemita e crirou o seu próprio cânon das Escrituras, excluindo todo o Antigo Testamento e os textos do Novo Testamento que faziam referência ao Antigo Testamento. Ele incluiu dez cartas paulinas, excluindo as pastorais e incluindo a Epístola aos Laodicenses. Marcião negava a humanidade de Jesus, mas não está claro em seus escritos se ele cria que fosse apenas uma aparência.

13 janeiro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 3: A ENCARNAÇÃO DO VERBO

 


Ev. WELIANO PIRES
AD-BELÉM / SÃO CARLOS, SP

Nas próximas seis lições, estudaremos sobre Cristologia, que é a matéria da teologia que estuda sobre a pessoa e Obra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nestas lições falaremos da humanidade, divindade e natureza de Cristo e sobre as principais heresias sobre o tema. Na próxima lição, estudaremos a doutrina da Santíssima Trindade e as heresias contra esta doutrina, que também está relacionada à Pessoa e natureza de Cristo. 

Nesta primeira lição sobre Cristologia, estudaremos a doutrina bíblica da humanidade de Jesus, denominada de “Encarnação do Verbo”. Logo nas primeiras décadas da Igreja, alguns grupos negavam a divindade de Jesus e outros negavam a sua humanidade. Durante o ministério terreno de Jesus, os seus discípulos tinham dúvidas sobre a sua identidade. Pensavam que Ele fosse um profeta levantado por Deus, para libertar Israel do domínio estrangeiro. Mas, nunca tiveram dúvidas sobre a sua humanidade, pois conviveram com Ele por três anos. Somente após a sua ressurreição e assunção aos céus, eles compreenderam que realmente Ele era o Filho de Deus.

No primeiro tópico, apresentaremos as heresias que negavam a corporeidade de Cristo nos primórdios da Igreja. Falaremos da mais antiga delas, que era chamada de Docetismo, palavra derivada do grego dokeo, que significa ter aparência. Os docetas ensinavam muitas coisas contrárias às Escrituras e negavam que Jesus tivesse um corpo físico. Neste tópico, veremos também alguns detalhes descritos no Evangelho segundo Lucas, que comprovam a humanidade de Jesus. Por fim, veremos o que os principais docetas diziam sobre Jesus, entre eles, Cerinto, Saturnino e Marcião. Apresentaremos também textos bíblicos que contestam estas heresias.  

No segundo tópico, veremos as afirmações dos apóstolos sobre a humanidade de Jesus. Falaremos do significado da expressão “o que era desde o princípio”, usada por João, para afirmar a eternidade de Jesus, e a expressão “o Verbo de fez carne e habitou entre nós” que afirma que Jesus se humanizou e foi visto pelas pessoas. Na sequência, falaremos da reafirmação apostólica da humanidade de Jesus, expressa no Credo apostólico, que diz: “Padeceu sob Pôncio Pilatos”. Por fim, falaremos da crença herética de Cerinto, que negava o nascimento virginal de Cristo e a sua humanidade. Esta heresia foi refutada principalmente pelo apóstolo João em seus escritos. 

No terceiro tópico, veremos como estas heresias se apresentam na atualidade. Falaremos das heresias dos Mórmons e Igreja da Unificação que negam o nascimento virginal de Jesus e são a versão moderna da heresia de Cerinto. Na sequência, falaremos das heresias modernas que negam a crucificação e ressurreição de Jesus, propagadas pelo Islamismo. Por fim, falaremos da confirmação histórica da morte de Jesus por historiadores que não eram cristãos, como Flávio Josefo e Tácito. 

REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. RIO DE JANEIRO: CPAD, Ed. 100, 2025, p. 37.
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp.324,325.
OLSON, Roger. Contra a Teologia Liberal: Uma defesa cristã bíblica tradicional. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, pp.54,55.

11 janeiro 2025

A TENDÊNCIA JUDAIZANTE HOJE

(Comentário do 3° tópico da Lição 02: Somos Cristãos).

Ev. WELIANO PIRES

No terceiro tópico, falaremos da tendência judaizante nos dias atuais. Veremos que o Evangelho é um só e que as expressões “Evangelho da circuncisão” e “Evangelho da incircuncisão”, usadas por Paulo, são meramente formas diferentes de apresentação. Na sequência, falaremos do perigo da tendência judaizante que além de ameaçar a liberdade cristã, pode reduzir o Cristianismo a mais uma seita judaica. Por último, falaremos das práticas judaizantes da atualidade de grupos que se dizem evangélicos e querem introduzir práticas e costumes judaicos. 


1. O mesmo Evangelho (vv.7-9). Após discussão acirrada, sob pressão dos judaizantes, os apóstolos reconheceram que assim como Pedro havia sido chamado para exercer o seu apostolado entre os judeus, Paulo e Barnabé foram chamados para exercer os seus ministérios entre os gentios, em missões transculturais. Para explicar isso, Paulo falou que o Evangelho da incircuncisão lhe foi confiado, assim como o Evangelho da incircuncisão foi confiado a Pedro. 


Isto não significa, evidentemente, que se trata de dois Evangelhos, pois o Evangelho de Cristo é um só para todos os povos. Também não significa que Pedro pregaria apenas aos judeus e Paulo apenas aos gentios. Pedro pregou o Evangelho aos gentios na casa de Cornélio e as Epístolas são universais. Paulo também pregou aos judeus em vários lugares. Onde ele chegava, procurava uma Sinagoga e ali pregava. Entretanto, o ministério apostólico de Pedro foi exercido entre os judeus e o de Paulo entre os gentios, pois Deus assim os vocacionou. 


2. O perigo da doutrina judaizante. Alguns cristãos incautos e “tolerantes” com doutrinas heterodoxas podem pensar que não haveria problemas se alguém quisesse seguir estes ensinos. Mas, será que há algum problema em alguém adotar práticas do Judaísmo? Quais seriam os problemas do ensino judaizante e que perigos que ele representa para o cristão? O grande problema é que este ensino altera a base do Evangelho, que é a Justificação pela fé. 


O ensino judaizante representa um complemento ao sacrifício de Cristo na Cruz. Quando se coloca algo a mais como condição para a Salvação, isso anula o sacrifício de Cristo. Se houvesse a possibilidade de algum ser ser justificado pelas obras da Lei, não haveria necessidade de Jesus vir a este mundo e padecer em nosso lugar. Bastaria o ser humano se converter ao Judaísmo e praticar os preceitos da Lei Mosaica. Mas tudo aquilo eram apenas sombras e figuras do que estava por vir na Nova Aliança. 


O outro problema do ensino judaizante é que ele ameaça a liberdade cristã. Cristo veio nos libertar e não nos escravizar. Os judaizantes são legalistas, embora nem todos os legalistas sejam judaizantes. Todo legalista cria regras e obrigações como meio de obter o favor de Deus. Na verdade, fazem sacrifícios de tolos, pois o favor de Deus se manifestou através do Seu Filho Jesus Cristo, o Único que pode nos reconciliar com Deus. Portanto, devemos rejeitar quaisquer exigências e acréscimos para se obter a Salvação, além da Graça de Deus e fé em Cristo. 


3. As práticas judaizantes atuais. Neste ponto, o comentarista menciona as principais práticas judaizantes da atualidade. As principais são a exigência da guarda do sábado e a observância das leis dietéticas do Judaísmo, chamadas de Kashrut. Estes dois pontos são seguidos principalmente pela Igreja Adventistas do Sétimo Dia e outros grupos que exigem a guarda do sábado e a abstinência de certos tipos de alimentos, como condição para a salvação. 


Estes grupos não exigem a prática da circuncisão e a observância de outros rituais judaicos nos cultos. Mas a exigência da guarda do sábado e a abstinência de alimentos proibidos na Lei como condição para a salvação, configura-se em “outro evangelho”, como disse Paulo. Nem Jesus, nem os apóstolos nunca ensinaram estas coisas. Paulo escreveu aos Colossenses: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”. (Cl 2.16,17).


Há atualmente também Igrejas que adotam outras práticas e símbolos religiosos do Judaísmo, como a liturgia da sinagoga e o uso do kippar, do shofar e do manto para oração. O uso destes elementos fazem parte da cultura judaica. Se um judeu convertido os usar, de forma cultural e sem colocá-los como condição para a salvação, não há nenhum problema. Mas não faz sentido um cristão brasileiro querer se vestir como judeu, seguir a liturgia das sinagogas ou orar em hebraico. Nós vivemos na dependência do Espírito e não estamos sob o jugo da lei. 


REFERÊNCIAS:


SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 

Revista Ensinador Cristão. Ed. 100, p. 37 . RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025. 

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2004, p. 1633. 

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2012, p. 843. 

Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2022, pp. 2153-54. 


10 janeiro 2025

A TENDÊNCIA JUDAIZANTE NO INÍCIO DA IGREJA

(Comentário do 2°tópico da Lição 02: Somos Cristãos) 

Ev. WELIANO PIRES 

No segundo tópico, falaremos das tendências judaizantes no início da Igreja Cristã. Falaremos do espanto do apóstolo Paulo diante da mudança rápida dos crentes da Galácia para o evangelho judaizante. Na sequência, veremos quem eram judaizantes daquela época e as suas características. Por último, falaremos do clima de tensão de Paulo e Barnabé contra os judaizantes, que entraram na reunião sem serem convidados e os pressionaram perante os demais apóstolos. 

1. O espanto do apóstolo. A Epístola de Paulo aos Gálatas é considerada um dos escritos mais antigos do Novo Testamento, escrita entre 49 e 55 d.c. Paulo não expressa ações de graças no início desta epístola, não faz menção a orações dele pelos gálatas e vai direto ao assunto principal da epístola, que é o retrocesso dos gálatas ao deixarem a mensagem do Evangelho da Graça pregado por ele, para cederem aos apelos dos judaizantes. 

No versículo 6, do primeiro capítulo, Paulo mostra-se espantado pela rapidez com que os crentes da Galácia deixaram o Evangelho por ele pregado, atraídos por “outro evangelho”: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho.” Duas palavras-chaves são fundamentais para a compreensão do que Paulo quis dizer: 

a) O verbo “passásseis”. Tradução do grego metatithesthe, que significa “deixar, abandonar, desertar, mudar de pensamento, virar a casaca”, conforme explicou o comentarista. Esta palavra traz a idéia de abandonar, como um soldado que desertou e fugiu do quartel, ou uma mudança radical de pensamento. É uma espécie de mudança da água para o vinho.

b) O pronome indefinido “outro”. Tradução do grego “heteros”, que significa outro diferente. Esta palavra deu origem às palavras portuguesas heterossexual, heterogêneo, heterodoxo, etc. É diferente de “allos”, que é outro da mesma espécie. 

Paulo espantou-se, primeiro pela rapidez com que eles abandonaram o Evangelho que ele lhes havia ensinado. Fazia menos de dois anos que Paulo havia lhes ensinado o Evangelho e eles “desertaram” para um falso evangelho. Segundo, pela mudança radical para “outro evangelho”, diferente daquele que ele lhes havia pregado. 

Na sequência deste texto, Paulo diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema (maldito).” (Gl 1.8). Esta declaração de Paulo é muito importante e nos ensina que ninguém está autorizado a acrescentar, diminuir ou modificar o Evangelho. Qualquer coisa nesse sentido deve ser considerado anátema ou maldito. 

2. Quem eram os judaizantes (v.4)? Os judaizantes eram judeus convertidos ao Cristianismo. A maioria deles pertenciam ao partido [hairesis] dos fariseus, que era o mais conservador do Judaísmo, no tocante ao cumprimento das ordenanças da Lei. Mesmo tendo crido que Jesus era o Messias prometido a Israel e o Filho de Deus, estes cristãos judeus não haviam se desvencilhado da Lei e insistiam que os cristãos deveriam guardar a Lei Mosaica, como condição para a salvação. 

Não se tratava apenas de guardar os princípios morais da Lei, como não servir a outros deuses, honrar aos pais, não cobiçar as coisas do próximo, não matar, não furtar, etc. Eles ensinavam que os cristãos, inclusive os gentios, deveriam ser circuncidados, guardar o sábado e seguir as regras dietéticas previstas na Lei. 

Os judaizantes eram maioria na Igreja de Jerusalém que era majoritariamente formada por judeus. Na verdade, a Igreja de Jerusalém, inclusive os apóstolos, tiveram dificuldades para compreender a salvação dos gentios unicamente pela fé em Cristo. Pedro, por exemplo, antes de ir pregar na casa de Cornélio, precisou que Deus lhe desse uma visão de vários animais considerados imundos pela Lei. Mesmo ouvindo uma voz do Céu dizendo para ele comer, ele insistiu que nunca havia comido nada comum ou imundo. A voz lhe disse para não considerar imundo o que Deus purificou. 

Pedro foi orientado a ir com os emissários do centurião Cornélio, sem duvidar. Ele foi e ao iniciar a sua pregação, disse: “Vós bem sabeis que não é lícito a um judeu ajuntar-se a estrangeiros…”. (At 10.28). Em seguida pregou que Deus havia lhe mostrado para não considerar nenhum homem comum ou imundo. Ou seja, alguns anos após o Pentecostes, tendo visto várias conversões de gentios em Samaria e em outras regiões, Pedro ainda continuava preso ao Judaísmo. 

Em seu discurso, Pedro falou ousadamente sobre Jesus e, durante a sua pregação, o Espírito Santo desceu sobre os seus ouvintes e eles falaram em línguas e profetizaram. Os cristãos judeus que faziam parte da comitiva de Pedro vendo aquilo, se admiraram pelo fato do Espírito Santo descer sobre os gentios, da mesma forma que descera sobre eles no Pentecostes. 

Depois de ter visto os seus ouvintes sendo batizados no Espírito Santo, Pedro os batizou nas águas. Entretanto, quando chegou a Jerusalém, foi convocado pela Igreja para dar explicações pelo fato de haver entrado na casa de pessoas incircuncisas e ter comido com eles. Pedro, então, contou toda a história desde a visão que ele teve, até o momento em que os gentios foram cheios do Espírito Santo. Somente assim, os cristãos judeus se acalmaram e glorificaram a Deus dizendo: “Na verdade, até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida.”

Mesmo após este episódio e após as inúmeras conversões de gentios, principalmente em Antioquia da Síria, que se tornou a primeira Igreja missionária, os judaizantes insistiam no ensino de que era necessário guardar a Lei para ser salvo. Eles se tornaram ferrenhos opositores de Paulo, que os chamava de “falsos irmãos”. Se apresentavam também como “enviados da Igreja de Jerusalém”, mas Tiago negou esta informação no primeiro Concílio da Igreja em Atos 15.

3. O clima de tensão (vv. 3-5). Conforme falamos no tópico anterior, esta reunião era para ser apenas entre Paulo, Barnabé, Tito, Pedro, Tiago e João. Entretanto, os judaizantes vieram para a reunião, sem serem convidados, e tentaram se impor a Paulo e Barnabé perante os demais apóstolos. Eles eram influentes na Igreja de Jerusalém, que era majoritariamente judaica e eram inimigos da liberdade cristã. Em um ambiente assim, naturalmente o clima ficou tenso para Paulo e Barnabé, mas eles não cederam, pois sabiam que o futuro da fé cristã estava em jogo. Se eles cedessem, o Cristianismo seria reduzido a mais uma seita judaica.

Os pastores e mestres da Igreja atual precisam ter a mesma firmeza e coragem em situações como esta. Não podemos ceder um milímetro em questões fundamentais que norteiam a conduta cristã. O nosso manual de fé e prática é a Palavra de Deus e, portanto, não podemos nos curvar diante de inovações, modismos e falsas doutrinas, sejam de homens ou de demônios. 

Evidentemente, quando falamos em questões fundamentais da fé cristã, não estamos nos referindo a usos e costumes ou a estatutos e regras denominacionais. Isso são questões locais, temporais e culturais, que não interferem na salvação. Há também divergências teológicas, que são questões secundárias e não podem ser consideradas heresias de perdição, como vimos na lição passada. Nestas questões secundárias, cada denominação tem o seu posicionamento e não devemos combater. 

08 janeiro 2025

PREVENINDO-SE CONTRA A TENDÊNCIA JUDAIZANTE

(Comentário do 1º tópico da Lição 02: Somos Cristãos) 

Ev. WELIANO PIRES 

No primeiro tópico, falaremos da prevenção do apóstolo Paulo contra a tendência judaizante. Falaremos da subida de Paulo a Jerusalém por orientação divina, catorze anos após a sua conversão, onde ele se reuniu com os apóstolos. Na sequência, falaremos do objetivo desta reunião que, provavelmente, teve ligação com a profecia de Ágabo sobre a fome e não deve ser confundida com o primeiro concílio da Igreja de Jerusalém. Por último, falaremos do caso de Tito, que os judaizantes queria que ele fosse circuncidado, mas Paulo não aceitou, pois ele não era judeu.  

1. Subindo outra vez a Jerusalém (Gl 2.1,2). No primeiro capítulo da Epístola aos Gálatas, Paulo se mostra espantado com o fato dos gálatas haverem passado tão depressa do Evangelho da Graça pregado por ele, para o falso evangelho dos judaizantes (Falaremos disso no segundo tópico). A partir daí, Paulo relata o seu procedimento antes da sua conversão, como ele excedia aos seus compatriotas em Judaísmo e perseguia a Igreja de Cristo.   Em seguida o apóstolo relata como foi o seu procedimento após a sua conversão. Ele diz que não consultou a carne e o sangue e não tornou a Jerusalém, mas partiu para a Arábia e depois retornou a Damasco. Por fim, após três anos da sua conversão, foi a Jerusalém para ver a Pedro e ficou com ele 15 dias (Gl 1.11.18). Esta foi a primeira vez que ele esteve em Jerusalém, após a sua conversão.   No capítulo 2 da Epístola aos Gálatas, ele continua este relato e diz: “Passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém, com Barnabé, levando comigo Tito”. (Gl 2.1). Paulo diz ainda que esta subida a Jerusalém se deu por revelação divina. Como explicou o comentarista, esta subida de Paulo a Jerusalém não foi na ocasião do primeiro concílio da Igreja em Jerusalém, pois este concílio tratou do mesmo assunto, mas não foi mencionado na Epístola aos Gálatas, o que nos leva a crer que a Epístola foi escrita antes deste concílio.   Podemos concluir que esta subida de Paulo a Jerusalém com Barnabé ocorreu antes da sua primeira viagem missionária, quando eles ainda estavam na Igreja de Antioquia da Síria, pois foi nesta época que eles receberam a profecia de Ágabo.   

2. Objetivo da reunião. Esta reunião de Paulo com  os apóstolos para discutir a questão dos judaizantes não foi uma convocação do colégio apostólico, ou concílio como o que aconteceu em Atos 15. Paulo deixou claro na Epístola aos Gálatas que ele subiu a Jerusalém por revelação e lhes expôs o Evangelho que ele pregava aos gentios (Gl 2.2).  Não sabemos de que forma Deus falou com Paulo para que ele fosse a Jerusalém. O comentarista mencionou que é possível que tenha ligação com Ágabo. É uma referência à profecia que Ágabo proferiu em Antioquia, dizendo que viria uma grande fome sobre todo o mundo. Por causa desta profecia, a Igreja de Antioquia enviou donativos aos pobres de Jerusalém, por meio de Barnabé e Saulo (At 11.27-30).   Se for este o caso, Paulo foi a Jerusalém com o objetivo de levar alimentos para os necessitados e aproveitou a oportunidade para expor o Evangelho da Graça que ele pregava aos gentios. Seja como for, o fato é que o Espírito Santo dirige a Igreja e sabe dos seus problemas. Por isso, revelou a Paulo que subisse a Jerusalém para resolver esta questão dos judaizantes.   

3. Tito e a circuncisão (v.5). Paulo subiu a Jerusalém acompanhado de Barnabé e Tito. Quanto a Barnabé, não havia problema com a sua presença, pois ele era judeu e, portanto, circuncidado. Este não era o caso de Tito, que era gentio. Apesar de ter sido um fiel companheiro de ministério do apóstolo Paulo e, provavelmente, seu filho na fé, Tito não é mencionado no Livro de Atos. Sabemos que ele era gentio, por causa da informação dada por Paulo na Epístola aos Gálatas (Gl 2.3).  Paulo era tolerante para com os fracos na fé e cedia em alguns pontos, para não prejudicar o avanço do Evangelho ou para não escandalizar os fracos na fé. No caso de Timóteo, por exemplo, Paulo o circuncidou, antes de levá-lo consigo para a missão, por causa dos judeus. Mas, por que ele não fez o mesmo com Tito? Porque Timóteo era judeu e isso fazia parte da cultura judaica. Entretanto, sendo Tito um gentio, se Paulo o circundasse, estaria dando munição aos judaizantes que insistiam que os convertidos a Cristo precisariam se submeter à Lei Mosaica. Isso seria uma incoerência da parte dele e contaminara a mensagem do Evangelho.   Com este episódio aprendemos que o Evangelho não é uma seita do Judaísmo, mas é transcultural. Se por um lado, não podemos adotar práticas judaicas no Cristianismo, por outro lado, devemos respeitar a cultura judaica para os judeus convertidos. Da mesma forma que devemos respeitar a cultura de outros povos, desde que estas culturas não comprometam os princípios do Evangelho.

06 janeiro 2025

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 02: SOMOS CRISTÃOS


Ev. WELIANO PIRES 

Nesta lição veremos os alertas dos apóstolos no primeiro século para preservar a Igreja dos judaizantes, que insistiam no ensino de que os gentios convertidos à fé cristã precisavam guardar os rituais da Lei Mosaica, como a circuncisão, a guarda do sábado e a abstinência de certos tipos de alimentos. Veremos também como esta tendência se manifesta atualmente em alguns grupos que se dizem cristãos, mas querem “costurar o véu do templo” e voltar à Antiga Aliança. 

No primeiro tópico, falaremos da prevenção do apóstolo Paulo contra a tendência judaizante. Falaremos da subida de Paulo a Jerusalém por orientação divina, catorze anos após a sua conversão, onde ele se reuniu com os apóstolos. Na sequência, falaremos do objetivo desta reunião que, provavelmente, teve ligação com a profecia de Ágabo sobre a fome e não deve ser confundida com o primeiro concílio da Igreja de Jerusalém. Por último, falaremos do caso de Tito, que os judaizantes queria que ele fosse circuncidado, mas Paulo não aceitou, pois ele não era judeu. 

No segundo tópico, falaremos das tendências judaizantes no início da Igreja Cristã. Falaremos do espanto do apóstolo Paulo diante da mudança rápida dos crentes da Galácia para o evangelho judaizante. Na sequência, veremos quem eram judaizantes daquela época e as suas características. Por último, falaremos do clima de tensão de Paulo e Barnabé contra os judaizantes, que entraram na reunião sem serem convidados e os pressionaram perante os demais apóstolos.

No terceiro tópico, falaremos da tendência judaizante nos dias atuais. Veremos que o Evangelho é um só e que as expressões “Evangelho da circuncisão” e “Evangelho da incircuncisão”, usadas por Paulo, são meramente formas de apresentação, pois a mensagem é a mesma. Na sequência, falaremos do perigo da tendência judaizante que além de ameaçar a liberdade cristã, pode reduzir o Cristianismo a mais uma seita judaica. Por último, falaremos das práticas judaizantes da atualidade. Certos grupos que se dizem evangélicos querem introduzir no meio da Igreja costumes e práticas judaicas, como a guarda do sábado, observância de leis dietéticas e usos de elementos da cultura judaica. 


REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. Ed. 100, p. 37 . RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025. 
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2004, p. 1633. 
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2012, p. 843. 
Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2022, pp. 2153-54. 

04 janeiro 2025

O QUE SÃO HERESIAS?

(Comentário do 3° tópico da Lição 01: Quando as heresias ameaçam a unidade da Igreja)

Ev. WELIANO PIRES

No terceiro tópico, com base na terceira parte da leitura bíblica em classe, o comentarista nos apresenta o conceito bíblico de heresias. Inicialmente, falaremos dos significados das palavras seitas e heresias no texto bíblico e na atualidade. Na sequência, falaremos do termo grego hairesis no Novo Testamento. Por, discorreremos sobre o significado da expressão “heresias de perdição”, usada pelo apóstolo Pedro em 2 Pedro 2.1. 

1. Seitas e heresias. As palavras seitas e heresias são bem conhecidas no meio evangélico, mas poucos sabem o que elas realmente significam e qual era o seu significado no Novo Testamento. É preciso esclarecer que estas duas palavras em português traduzem a palavra grega hairesis. Esta palavra tem significados diferentes na Bíblia e varia de acordo com o contexto, conforme veremos no próximo subtópico. No contexto atual, seitas e heresias tem outros significados, que soam pejorativos e podem ser considerados ofensivos por algumas pessoas.

A palavra “seita” deriva do latim “secta”, que significa facção, partido, ou divisão de um grupo. Jerônimo, o tradutor da Versão Latina da Bíblia chamada Vulgata, traduziu a palavra hairesis como secta e daí veio a palavra portuguesa seita. A palavra “heresia”, por sua vez, também é a tradução do grego “hairesis”, mas tem o sentido de divergência de pensamento, como em 1Co 11.19: “E até importa que haja entre vós heresias [hairesis], para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” Significa também divisão e contenda em um grupo, como em 1 Coríntios 3.3. Em 2 Pedro 2.1, no entanto, heresia significa erros doutrinários que levam à perdição, como veremos no terceiro subtópico. 

Com o passar dos anos, as palavras seitas e heresias ganharam novos significados. Atualmente, a teologia define seita como um grupo religioso cujos ensinos contrariam as doutrinas bíblicas. A definição atual de heresia é o que está na Verdade Prática desta lição: “são crenças e práticas contrárias ao pensamento bíblico que distorcem os pontos principais da doutrina bíblica”. Em outras palavras, seita é um grupo heterodoxo que propaga doutrinas contrárias à ortodoxia bíblica. Heresias são os erros doutrinários que estes grupos propagam. Nem todas as heresias são propagadas por seitas, pois há heresias que são propagadas em nosso meio por lobos disfarçados de ovelhas. 

2. “Hairesis” no Novo Testamento. A palavra hairesis não tinha um sentido pejorativo no Novo Testamento, como tem hoje seitas e heresias. Em alguns textos, hairesis foi traduzida na Versão Almeida Revista e Corrigida por “seita”, com o sentido de partido, como em Atos 5.17, em referência ao Grupo dos Saduceus. A Nova Versão Internacional traduziu hairesis neste texto como “partido”. Nesse sentido, até o Cristianismo foi chamado de “Seita dos Nazarenos”, pois pensava-se que o Cristianismo era mais um partido religioso do Judaísmo, como os Fariseus, Saduceus, Herodianos e Zelotes. 

Em outros textos, hairesis significa divisão ou partidarismo dentro da própria Igreja, como no caso da Igreja de Corinto: “Porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões [hairesis], não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?” (1Co 3.3). Em Gálatas 5.20, quando Paulo fala das obras da carne, a palavra hairesis aparece como uma dessas obras, no sentido de facções ou divisões no seio da Igreja. 

3. Heresias de perdição (2 Pe 2.1). Neste texto de 2 Pedro 2.1, quando o apóstolo alerta as Igrejas a respeito do surgimento de falsos mestres no seio da Igreja, ele cita algumas características deles. Uma das principais características dos falsos mestres é que eles “introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” 

Aqui, a palavra heresia apresenta o significado pelo qual é conhecida atualmente na teologia cristã. São erros doutrinários gravíssimos que negam ou distorcem as doutrinas fundamentais do Cristianismo como a Doutrina da Trindade; a divindade e a humanidade de Cristo; a inerrância, infalibilidade e inspiração divina das Escrituras; a doutrina do pecado; a justificação pela fé; a condenação eterna; etc. 

São heresias que comprometem a salvação das pessoas e as conduzem à perdição. A maioria destas heresias de perdição surgiram nos primeiros séculos da Igreja Cristã e foram combatidas pelos apologistas. Entretanto, ressurgem em nossos dias disfarçadamente com novas roupagens. Ao longo deste trimestre, estudaremos algumas delas, pois não seria possível estudar todas em um único trimestre. 

REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. Ed. 100, p. 36. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025. 
Comentário Bíblico Farol. Vol. 10. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2006, p.233.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.178.

O QUE É APOLOGÉTICA?

(Comentário do 2° tópico da Lição 01: Quando as heresias ameaçam a unidade da Igreja).

Ev. WELIANO PIRES

No segundo tópico, analisaremos a segunda parte da leitura bíblica em classe, que é o texto de 1Pe 3.15,16). Tomando como base o versículo 15, onde o apóstolo Pedro fala da necessidade de estarmos “preparados para responder" (Gr. Apologia) a qualquer um que pedir a razão da nossa esperança”, apresentaremos o conceito de Apologética. Na sequência, veremos a que tipo de defesa o apóstolo Pedro se refere no versículo 16. Por último, responderemos à pergunta: Por que devemos combater as heresias? 

1. Definição (1 Pe 3.15). O comentarista, além de ser um especialista em grego, dedica-se à apologética há mais de 30 anos. Portanto, tem autoridade para explicar o que é apologética e o fez com mestria. Conforme ele nos explicou, a palavra apologética deriva do grego “apologia”, que significa uma defesa em resposta a um questionamento, ou uma réplica. No texto de 1Pe 3.15, Pedro que falou que devemos estar preparados para “responder” a qualquer um que pedir a razão da nossa esperança. O termo grego traduzido por “responder” é “apologia”, que significa fazer a defesa ou explicar uma tese, após um questionamento.

Infelizmente, há cristãos que pensam que não devemos nos preocupar com a defesa da nossa fé, pois devemos “apenas evangelizar”. Entretanto, isso é um grande equívoco, pois para evangelizar é preciso fazer apologética ou explicar a razão da nossa esperança para as pessoas que pretendemos evangelizar. Nas ruas, escolas, no trabalho, na família, etc. encontramos vários questionamentos a respeito da nossa fé e, se não estivermos preparados, passaremos vergonha. É importante lembrar que esta defesa da nossa fé deve ser feita com mansidão, visando a conversão da pessoa e não debates acalorados e infrutíferos. 

A Igreja Cristã nasceu apologética. No dia de Pentecostes, quando a Igreja foi inaugurada, os discípulos foram cheios do Espírito Santo e estavam falando em línguas e profetizando. A multidão se admirou, porque os cristãos falavam das maravilhas de Deus em idiomas que eles não conheciam. De repente, alguns começaram a zombar e a acusá-los de embriaguez. Pedro, então, levantou-se e fez um discurso apologético, em resposta àquele questionamento. Posteriormente, Estevão também fez o mesmo, perante o Sumo Sacerdote. Da mesma forma, Paulo fez vários discursos dessa natureza. Alguns deles estão registrados no Livro de Atos. 

2. A que defesa Pedro se refere? (v.16). A palavra grega apologia, como vimos acima, significa uma defesa em resposta a uma acusação ou questionamento. Mas não é apenas isso. Se fosse assim, se ninguém nos acusasse, não precisaríamos fazer a defesa ou a explicação da nossa fé para as pessoas. Pedro falou que devemos estar preparados para fazer a defesa da nossa fé, para qualquer pessoa. 

O Senhor Jesus também falou para os seus discípulos ensinarem todas as nações a guardarem tudo o que Ele havia mandado. Ora, como iriam fazer isso, se não fosse explicando a doutrina cristã para as pessoas? A defesa a que Pedro se refere, portanto, é uma explicação racional e lógica do nosso credo. Todo cristão precisa estar pronto para falar de Jesus e responder aos questionamentos que lhe fizerem sobre a fé cristã. Para isso, precisa estudar a Palavra de Deus e conhecê-la profundamente. 

O comentarista citou o caso de Paulo que teve a oportunidade de fazer a defesa das acusações que pesavam contra ele, perante os governadores Festo e Herodes Agripa. Ele fez um eloquente discurso, contando como conheceu a Cristo e explicou porque pregava o Evangelho. Festo ficou tão impressionado que disse: “Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar.” (At 26.24). Agripa, por sua vez, disse: “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!” (At 26.28). Isso é fazer a defesa da fé cristã com ousadia. 

3. Por que devemos combater as heresias? (3.16).  Eu penso que este ponto se encaixaria melhor no próximo tópico, pois é nele que apresentaremos o conceito de heresia. Mas, como o comentarista tratou deste assunto aqui, vamos lá. O comentarista nos apresenta duas razões, pelas quais devemos combater as heresias:

a) Para defesa própria. Inevitavelmente, o cristão irá se deparar com falsos ensinos e questionamentos a respeito da sua fé. Por isso, ele precisa conhecer profundamente a Palavra de Deus para não ser enganado por causa da ignorância. Jesus disse certa vez: “Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. (Mt 22.29). Deus falou também através do profeta Oséias: “O meu povo destruído porque lhe faltou o conhecimento”. (Os 4.6). Estes dois versículos nos mostram que a falta de conhecimento da Palavra de Deus nos deixa vulneráveis perante os falsos ensinos e pode nos levar ao erro e até à destruição espiritual. Por outro lado, precisamos conhecer aquilo que os falsos mestres ensinam para refutá-los da forma correta. Não há como refutar aquilo que não se conhece. 

b) Para ajudar os outros na compreensão da própria fé. Precisamos combater as heresias também para ajudar outras pessoas, principalmente novos convertidos e crentes inexperientes a se defenderem dos falsos mestres. Não podemos ficar de braços cruzados, assistindo de camarote os lobos destruírem o rebanho do Senhor. Esta responsabilidade cabe primeiramente aos pastores e professores. Mas isso não exclui os demais cristãos. Todos nós precisamos ajudar uns aos outros a compreender as doutrinas bíblicas. Como professor, eu já fui solicitado várias vezes por membros da Igreja, para tirar dúvidas sobre a Bíblia, ou sobre falsos ensinos, mesmo não sendo o pastor da Igreja. Pesa sobre todos nós esta responsabilidade. 


REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. Ed. 100, p. 36. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025. 
Comentário Bíblico Farol. Vol. 10. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2006, p.233.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.178.

03 janeiro 2025

AS AMEAÇAS DOS LOBOS VORAZES

(Comentário do 1° tópico da Lição 01: Quando as heresias ameaçam a unidade da Igreja)

Ev. WELIANO PIRES

Neste primeiro tópico falaremos a respeito das ameaças dos falsos mestres, a quem o apóstolo Paulo chamou de “lobos vorazes”. Usaremos como base a primeira parte da leitura bíblica em classe, que é o texto de Atos 20.28-30. Destacaremos três pontos do discurso de Paulo aos líderes da Igreja de Éfeso, pouco tempo antes da sua prisão no Templo em Jerusalém: Os cuidados pastorais (V. 28), depois da minha partida (v. 29) e a origem dos falsos mestres (v.30).

1. Os cuidados pastorais (At 20.28). No capítulo 20 do livro de Atos, a partir do versículo 15, temos a informação de que Paulo chegou a Mileto e desejava chegar a Jerusalém, antes do Pentecostes. Por causa disso, ele decidiu não passar por Éfeso, para não gastar tempo na região da Ásia Menor, onde ele havia plantado muitas Igrejas. De Mileto, o apóstolo mandou chamar os líderes da Igreja de Éfeso, a quem Lucas se refere como “anciãos” (Gr. presbyteros) e “bispos” (Gr. episkopos), para uma reunião de obreiros: "E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja." (At 20.17). 

No Novo Testamento, as palavras bispo, presbítero e pastor são equivalentes. São usadas para se referir aos líderes das Igrejas. O apóstolo Pedro, que era um dos doze apóstolos, se identificou como sendo um “presbítero” (1Pe 5.1). Da mesma forma, o apóstolo João em sua segunda Epístola se identifica como “o ancião” (Gr. presbyteros) (2Jo 1). O presbitério da Igreja Primitiva formava uma espécie de conselho ou assembléia que deliberava junto com os apóstolos, sobre assuntos doutrinários, éticos e administrativos da Igreja. (At 15.2,6,9-11; At 16.4). Eles faziam o papel exercido hoje pelos pastores e evangelistas nas convenções, no caso das Assembleias de Deus. 

Seja qual for a nomenclatura que se usa (presbítero, bispo, ancião ou pastor), ou a forma de governo eclesiástico, as funções principais do pastor da Igreja são: alimentar, guiar e proteger a Igreja que está sob a sua responsabilidade. Os pastores devem providenciar o alimento espiritual saudável, que é a Palavra de Deus, para a Igreja. Devem valorizar os cultos de ensino, escolas dominicais, cursos de discipulado, cursos teológicos e escolas bíblicas de obreiros. Somente assim, teremos uma Igreja sadia e preparada para enfrentar os lobos devoradores. Devem também guiar as ovelhas do Senhor pelo caminho correto e protegê-las das ameaças dos falsos mestres, principalmente, aqueles que estão em nosso meio e tem acesso fácil ao rebanho. 

2. “Depois da minha partida” (v.29). No versículo 29, Paulo falou: “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão aos rebanhos”. O apóstolo Paulo não era apenas um missionário transcultural que plantava Igrejas. Ele era também um mestre das Escrituras, que se preocupava em doutrinar a Igreja do Senhor. Durante a sua vida, ele enfrentou muitas oposições dos falsos apóstolos nas Igrejas e refutou muitas heresias, como podemos notar nas Epístolas aos Gálatas e aos Colossenses. 

Paulo sabia que a qualquer momento poderia ser preso e condenado à morte, por causa do Evangelho. Por isso, ele se preocupava com o surgimento de falsos mestres, que são devoradores do rebanho. Entretanto, como explicou o comentarista, quando Paulo diz “após a minha partida”, ele não se refere apenas ao fim da sua vida e sim, de forma profética, aos períodos seguintes da Igreja. De fato, muitas heresias surgiram no seio da Igreja Cristã, após a morte dos apóstolos e dos pais da Igreja, como veremos nas próximas lições. 

O ensino sistemático da Palavra de Deus na Igreja e o cuidado do pastor em preservar a Igreja das ações dos lobos são indispensáveis, para evitar que Igreja local seja enganada e destruída. Mas, isso serve apenas para preparar a Igreja para identificar os falsos mestres, enfrentá-los e não cair nos seus engodos. Não é suficiente para evitar que eles apareçam, pois, tanto Jesus como os seus apóstolos profetizaram que surgiriam falsos mestres e falsos profetas em nosso meio e enganariam a muitos (Mt 24.4; 2Pe 2.1-3; Jd 17-19).

3. A origem dos falsos mestres (v.30). Na continuação deste discurso de Paulo, no versículo 30, ele falou: “E que de entre vós mesmos se levantem homens que falem coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”. Podemos identificar duas coisas importantes nesta fala do apóstolo Paulo: 

a) Eles surgirão em nosso meio. Claro que há muitos hereges em religiões não cristãs e devemos também refutar os seus ensinos perante a Igreja. Mas, precisamos estar alertas quanto aos falsos mestres que aparecem em nosso meio. Estes são muito mais perigosos, pois eles têm livre acesso ao rebanho e estão por toda parte. Pode ser um pastor, um pregador itinerante e até um professor da Escola Dominical. É preciso ter muita cautela antes de entregar o microfone da Igreja para alguém pregar, prestar atenção nas aulas da Escola Dominical e ter cuidado com cultos e campanhas nos lares, sem a presença da liderança da Igreja. Eu mesmo já tive que corrigir erros doutrinários de professores em aula da Escola Dominical, quando era superintendente. Como pastor, também tive que corrigir erros que foram pregados por pregadores de congresso. Não tenho nenhum constrangimento, quanto a isso, pois é obrigação dos pastores e superintendentes fazerem isso a fim de proteger a Igreja.

2) Eles falam coisas perversas para atrair os discípulos para si. Os falsos mestres distorcem a Bíblia e não procuram fazer discípulos para Cristo. O interesse deles é buscar seguidores para si, ter fama e enriquecer. Estes lobos são eloquentes, escrevem bem e tem aparência de piedade. Mas são presunçosos e se colocam acima das Escrituras e dos apóstolos. Quando a Bíblia contraria os seus falsos ensinos, eles querem desacreditar a Bíblia, ou adequar a mensagem bíblica às suas heresias. Tomemos muito cuidado com pregadores e ensinadores que desacreditam as narrativas da Bíblia e dizem que “não é bem assim”. São lobos devoradores, vestidos em pele de ovelhas. Neste sentido, a apologética é muito importante, para orientar a Igreja, como veremos no próximo tópico. 

REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam Com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. Ed. 100, p. 36. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025. 
Comentário Bíblico Farol. Vol. 10. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2006, p.233.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.1785


02 janeiro 2025

INTRODUÇÃO LIÇÃO 1: QUANDO AS HERESIAS AMEAÇAM A UNIDADE DA IGREJA


Ev. WELIANO PIRES

Nesta primeira lição, como é de costume nas Lições Bíblicas da CPAD, temos uma lição introdutória aos assuntos que serão expandidos durante o trimestre. Esta lição traz os alertas dos apóstolos Paulo e Pedro, de forma profética, a respeito dos falsos mestres que surgiriam no seio da Igreja Cristã. Tanto Pedro como Paulo não se referiam aos ensinos das religiões não cristãs e sim, aos ensinos perniciosos propagados por falsos mestres ou “lobos vorazes”, expressão usada por Paulo, que agiria dentro da própria comunidade cristã. O comentarista apresenta nesta primeira lição as definições dos termos apologética, seita e heresia. 

Neste primeiro tópico falaremos a respeito das ameaças dos falsos mestres, a quem o apóstolo Paulo chamou de “lobos vorazes”. Usaremos como base a primeira parte da leitura bíblica em classe, que é o texto de Atos 20.28-30. Destacaremos três pontos do discurso de Paulo aos líderes da Igreja de Éfeso, pouco tempo antes da sua prisão no Templo em Jerusalém: Os cuidados pastorais (V. 28), depois da minha partida (v. 29) e a origem dos falsos mestres (v.30).

No segundo tópico, analisaremos a segunda  parte da leitura bíblica em classe, que é o texto de 1Pe 3.15,16). Tomando como base o versículo 15, onde o apóstolo Pedro fala da necessidade de estarmos “preparados para responder (Gr. Apologia) a qualquer um que pedir a razão da nossa esperança”, apresentaremos o conceito de Apologética. Na sequência, veremos a que tipo de defesa o apóstolo Pedro se refere no versículo 16. Por último, responderemos à pergunta: Por que devemos combater as heresias?. 

No terceiro tópico, com base na terceira parte da leitura bíblica em classe, o comentarista nos apresenta o conceito bíblico de heresias. Inicialmente, falaremos dos significados das palavras seitas e heresias no texto bíblico e na atualidade. Na sequência, falarem do termo grego hairesis no Novo Testamento. Por, discorreremos sobre o significado da expressão “heresias de perdição”, usada pelo apóstolo Pedro em 2 Pedro 2.1. 


REFERÊNCIAS:

SOARES, Esequias. Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam Com nova aparência. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2025. 
Revista Ensinador Cristão. Ed. 100, p. 36. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2025. 
Comentário Bíblico Farol. Vol. 10. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2006, p.233.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.1785

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01 janeiro 2025

LIÇÕES BÍBLICAS / 1º TRIMESTRE DE 2025

Título: Em defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência.

Comentarista: Pr. Esequias Soares da Silva. Pastor presidente da Assembléia de Deus, Ministério do Belém, em Jundiaí/SP; graduado em hebraico pela Universidade de São Paulo e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; professor de Hebraico, Grego e Apologia Cristã; comentarista de Lições Bíblicas há vários anos; autor de diversos livros, entre eles: O Ministério Profético na Bíblia, Manual de Apologética Cristã e Visão Panorâmica do Antigo Testamento, todos publicados pela CPAD; Presidente da Comissão de Apologética Cristã da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil); Presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Bíblica do Brasil; Foi o Presidente da Comissão Especial que elaborou a Declaração de Fé das Assembléias de Deus no Brasil em 2016. 

INTRODUÇÃO

Neste primeiro trimestre de 2025, o nosso tema será apologética cristã. Diferente de outros trimestres, quando estudamos este tema enfatizando os ensinos dos grupos heterodoxos como Catolicismo Romano, Testemunhas de Jeová, Islamismo, Espiritismo, Mormonismo, Seitas Orientais, etc., neste trimestre estudaremos as seitas e heresias que ameaçaram a Igreja Cristã nos primeiros séculos da sua existência e foram combatidas pelos apologistas. 

Estes falsos ensinos ressurgem na atualidade não apenas do lado externo da Igreja, através de grupos heterodoxos, mas também no seio da Igreja através dos falsos ensinos propagados por falsos obreiros do nosso meio, principalmente na internet. Neste aspecto o perigo é maior para a Igreja, pois muitos cristãos incautos aceitam como doutrina bíblica, estes ensinos perniciosos que são antigos e reaparecem de forma sutil, com roupagem nova.   

Ao longo destas treze lições, reafirmaremos os principais pontos doutrinários que foram ameaçados nos primórdios da Igreja como a divindade de Cristo, a humanidade de Cristo, a Santíssima Trindade, as naturezas humana e divina de Cristo, a pessoa do Espírito Santo, a corrupção geral do ser humano, entre outros. Simultaneamente, apontaremos os falsos ensinos contras estas doutrinas bíblicas no passado e no contexto atual e as respectivas respostas bíblicas. 

RESUMO DAS LIÇÕES 

Lição 1: Quando as heresias ameaçam a unidade da Igreja

Nesta primeira lição faremos uma abordagem introdutória do tema do trimestre. A lição está baseada em três textos bíblicos: 

1. Atos 20.28-31: O apóstolo Paulo faz um alerta aos anciãos da Igreja de Éfeso a respeito dos lobos vorazes, que surgiram após  a sua partida; 

2. 1 Pedro 3.15,16: O apóstolo Pedro fala da necessidade de estarmos preparados para responder (fazer a defesa da nossa fé) com mansidão a qualquer um que pedir a razão da nossa esperança. Com base neste texto, o comentarista apresenta-nos o conceito de apologética;

3. 2 Pedro 2.1-3: O apóstolo Pedro alerta a Igreja a respeito do surgimento de falsos mestres no seio da Igreja, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, negando o Senhor que os resgatou. Baseando-se neste alerta de Pedro, o comentarista apresenta-nos o conceito de seitas e heresias, à luz do Novo Testamento. 

Lição 2: Somos cristãos

Nesta lição veremos os alertas dos apóstolos no primeiro século para preservar a Igreja dos judaizantes, que insistiam no ensino de que os gentios convertidos à fé cristã precisavam guardar os rituais da Lei Mosaica, como a circuncisão, guarda do sábado e abstinência de certos tipos de alimentos. Falaremos das tendências judaizantes daquela época e o perigo desta tendência judaizante nos dias atuais, pois certos grupos que se dizem evangélicos querem introduzir no meio da Igreja costumes e práticas judaicas.   

Lição 3: A encarnação do Verbo

Nesta lição estudaremos a doutrina bíblica da humanidade de Jesus, denominada “Encarnação do Verbo”. Apresentaremos as heresias que negavam a corporeidade de Cristo, difundidas pelo Docetismo e pelo Gnosticismo. Veremos também as afirmações dos apóstolos sobre a humanidade de Jesus. Por fim, veremos como estas heresias se apresentam na atualidade com novas roupagens, negando o nascimento virginal de Jesus e a sua crucificação. 

Lição 4: Deus é Trino

Nesta lição estudaremos a doutrina bíblica da Santíssima Trindade. Embora não houvesse a formulação teológica desta doutrina nos tempos da Igreja Primitiva e a palavra Trindade não apareça nas páginas da Bíblia, podemos perceber claramente que os apóstolos criam em um Deus Triúno. Veremos a revelação bíblica a respeito da Santíssima Trindade, no Antigo e no Novo Testamento. Na sequência, falaremos das heresias antigas contra a doutrina da Trindade. Por último, falaremos dos movimentos unicistas da atualidade que pregam contra a  Trindade, especialmente o Grupo Voz da Verdade, cujas músicas são cantadas por muitas pessoas em nossas Igrejas, apesar dos alertas do Conselho de Doutrina da Convenção Geral.  

Lição 5: Jesus é Deus

Nesta lição falaremos a respeito da Divindade do Senhor Jesus, que nos foi revelada no Antigo e no Novo Testamento. No prólogo do Evangelho segundo João, falando sobre Jesus, João foi enfático ao afirmar que “o Verbo era Deus”. Além disso, em vários textos bíblicos os atributos exclusivos de Deus são atribuídos ao Senhor Jesus. Veremos as principais heresias que negavam a divindade de Cristo nos primeiros séculos da Igreja: o Ebionismo, o Monarquismo dinâmico e o Arianismo. Por fim, falaremos das implicações destas heresias na atualidade defendidas pelas Testemunhas de Jeová, pelos panteístas monistas e por outros grupos como o Islamismo e as religiões reencarnacionistas. 

Lição 6: O Filho é igual ao Pai

Esta lição é uma continuidade do tema estudado na lição anterior. Com base no texto de João 10.30, onde Jesus disse: “Eu e o Pai somos um”, falaremos a respeito da igualdade entre o Pai e o Filho. Mostraremos a fundamentação bíblica para a doutrina da relação do Filho com o Pai e o seu significado teológico. Falaremos também da heresia do subordinacionismo, que ensinava que o Filho era subordinado ao Pai e o Espírito Santo subordinado ao Filho. Por último, mostraremos como o subordinacionismo se apresenta atualmente, no contexto islâmico e nas Testemunhas de Jeová. 

Lição 7: As naturezas humana e divina de Jesus

Nesta lição estudaremos a doutrina bíblica das duas naturezas de Cristo: humana e divina. Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, plenamente humano e plenamente divino. Este conceito teológico é chamado de União Hipostática. Veremos o ensino bíblico a respeito da dupla natureza de Jesus, exemplificado nas expressões “da descendência de Davi segundo a carne”, “declarado Filho de Deus em poder” e no hino Cristológico de Filipenses 2.5,6.  Falaremos também das heresias contra a dupla natureza de Cristo: o Nestorianismo e o Monofisismo, que foram refutados no Concílio de Calcedônia. Por último, veremos o perigo destas heresias na atualidade, que tem roupagens novas através das tradições siro-monofisita ou joacobista, o kenoticismo e a mariolatria. 

Lição 8: Jesus viveu a experiência humana

Nesta lição estudaremos a vida humana de Jesus. Ele não viveu como um monge, isolado da sociedade, mas teve uma vida social e religiosa, interagindo com as pessoas. Analisaremos a experiência humana de Jesus, através dos debates com os religiosos, os aspectos sociais e religiosos e as características naturais de um ser humano que ele possuía. Na sequência, falaremos das heresias do Apolinarismo e do Monotelismo, que negavam a humanidade de Jesus, e a reação da Igreja contra essas heresias. Por último, veremos como estas heresias se manifestam na atualidade através do Movimento Nova Era e outros grupos esotéricos e ocultistas. 

Lição 9: Quem é o Espírito Santo

Nesta lição estudaremos sobre a identidade e deidade do Espírito Santo. Faremos uma exegese da expressão “Outro Consolador”, usada por Jesus, quando prometeu aos seus discípulos que enviaria o Espírito Santo para que ficasse para sempre com eles. Falaremos também da deidade do Espírito Santo, mostrando inúmeras referências bíblicas que comprovam que Ele é Deus. Veremos ainda os atributos divinos do Espírito Santo e as suas obras mencionadas na Bíblia. Por fim, apresentaremos as heresias antigas sobre a pessoa do Espírito Santo: os arianistas, tropicianos e pneumatropicianos; e como estas heresias se apresentam na atualidade, através das Testemunhas de Jeová e no Islamismo. 

Lição 10: O pecado corrompeu a Natureza Humana

Nesta lição estudaremos sobre a realidade do pecado, que corrompeu a natureza humana. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas o pecado do primeiro casal distorceu esta imagem e interrompeu a relação entre o homem e o seu Criador. Apresentaremos nesta lição, a doutrina bíblica do pecado, mostrando a origem, consequências e extensão do pecado. Na sequência, falaremos da heresia do Pelagianismo, que surgiu no Século IV da Era Cristã e negava a universalidade do pecado, ensinando que o pecado de Adão atingiu apenas a ele próprio. Por último, falaremos dos pensamentos pelagianistas da atualidade, que se manifestam nas religiões reencarnacionistas, Ciência Cristã e Mormonismo. 

Lição 11: A Salvação não é obra humana

Nesta lição veremos o ensino bíblico a respeito da Salvação. A Bíblia deixa claro que a salvação é um ato da Graça divina, obtido pelos méritos de Cristo e não por obras ou méritos humanos. Todos os seres humanos, sem exceção, encontravam-se mortos espiritualmente em seus delitos e pecados. Somente pela Graça de Deus, mediante a fé em Cristo, poderiam ser salvos. Veremos ainda nesta lição, alguns ensinos antigos inadequados a respeito da salvação, como os reencarnacionistas, os galacionistas ou legalistas judaizantes e os gnósticos. Por fim, apresentaremos três ensinos inadequados sobre a salvação na atualidade: o Islamismo, as Testemunhas de Jeová e o Mormonismo. 

Lição 12: A Igreja tem uma natureza organizacional

Nesta lição estudaremos sobre a natureza organizacional da Igreja. A Igreja tem duas dimensões: espiritualmente, a Igreja é um organismo vivo, mas é também uma organização, com CNPJ e forma de governo. Veremos que o apóstolo Paulo colocou Tito como pastor da Ilha de Creta, para que ele organizasse as coisas por lá e estabelecesse presbíteros em cada cidade. A lição nos apresenta a institucionalidade da Igreja no Novo Testamento. Isto fica bastante evidente na instituição dos diáconos, locais e horários de cultos, serviço social, realização de concílio para discutir questões doutrinárias, etc. Por último, falaremos da necessidade de organização da Igreja nos dias atuais. O Movimento Pentecostal surgiu em um contexto de contestação da Igreja como organização. Mas pouco tempo depois, alguns viram a necessidade de se organizar para evitar o crescimento desordenado. 

Lição 13: Perseverando na fé em Cristo

Nesta última lição, falaremos da necessidade de perseverar na fé que uma vez nos foi dada. Ao longo deste trimestre, falamos dos principais enganos e desvios doutrinários que ameaçam a verdadeira identidade da Igreja de Cristo e apresentamos as respostas bíblicas contra estes falsos ensinos. Veremos nesta lição que é necessário perseverar na fé, diante dos ataques dos falsos mestres, atentando principalmente para os alertas das cartas pastorais. Devemos seguir a recomendação de Paulo a Timóteo para aprender, ser inteirado e saber as Sagradas Letras, divinamente inspiradas por Deus. Devemos ter as Escrituras como o nosso único manual de fé e prática. 

CONCLUSÃO 

O estudo destas lições certamente nos preparará para a defesa da fé que professamos, tanto para nos prevenirmos pessoalmente dos enganos dos falsos mestres, como para defender a Igreja de Cristo destes enganos e alcançar os adeptos de grupos heterodoxos para Cristo. 

Bons estudos! 

Ev. WELIANO PIRES 
AD BELÉM / SÃO CARLOS-SP 

JESUS, O VERBO DE DEUS

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