(Comentário do 1° tópico da Lição 13: O legado de Abraão, Isaque e Jacó)
No primeiro tópico, estudaremos o legado do patriarca Abraão, personagem que foi objeto de estudo nas lições 1 a 7 deste trimestre.
Abrão vivia com seus pais, irmãos e parentes em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia, quando recebeu o chamado divino para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, dirigindo-se para uma terra que Deus lhe mostraria (Gn 12.1; At 7.2-4).
O alcance do legado de fé de Abraão ultrapassa os limites de sua própria vida e de sua descendência natural. Deus lhe fez promessas que não se restringem a Israel, mas alcançam também a Igreja e toda a humanidade. Entre elas, destaca-se a promessa de que, em sua descendência, seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.3; 22.18; Gl 3.8,16).
Ao ser chamado por Deus, Abrão demonstrou fé incondicional e obediência imediata, pois atendeu à ordem divina sem conhecer todos os detalhes do plano de Deus. Pela fé, partiu sem saber para onde ia, confiando inteiramente na direção do Senhor (Gn 12.4; Hb 11.8).
Deus se agradou da resposta de Abrão ao seu chamado e lhe fez diversas promessas, posteriormente reafirmadas a seu filho Isaque e a seu neto Jacó (Gn 26.3-5; 28.13-15). Durante toda a sua vida, Abraão viveu como peregrino, habitando em tendas, pois aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor (Hb 11.9,10).
1. O alcance do legado de fé de Abraão. O legado de Abraão não foi material, mas espiritual. Sua vida tornou-se um exemplo permanente de fé, obediência e confiança nas promessas de Deus, inspirando gerações a andar segundo a vontade do Senhor (Rm 4.11,12,16; Hb 6.12).
Abrão nasceu em Ur dos caldeus, na antiga Mesopotâmia. De acordo com Josué 24.2, seus antepassados, incluindo Terá, seu pai, serviam a outros deuses. É possível que o próprio Abrão também compartilhasse desse contexto religioso antes de conhecer o verdadeiro Deus. A Bíblia não informa de que maneira ocorreu seu primeiro contato com o Senhor. Contudo, Gênesis 11.31 relata que Terá saiu de Ur acompanhado de Abrão e de seus familiares com o propósito de ir à terra de Canaã.
Ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali e permaneceram naquele lugar até a morte de Terá (Gn 11.31,32). Depois disso, Abrão recebeu o chamado divino para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, a fim de seguir para a terra que Deus lhe mostraria (Gn 12.1; At 7.2-4).
Juntamente com o chamado, Deus fez promessas a Abrão que ultrapassavam os limites de sua própria existência e alcançariam todas as gerações. Entre elas, destaca-se a declaração: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O propósito divino revelado a Abraão envolvia a formação do povo de Israel, o surgimento da Igreja e a salvação oferecida a todas as nações por meio de Jesus Cristo.
O Novo Testamento revela que essas promessas encontram seu pleno cumprimento em Cristo. Por isso, Jesus é apresentado como o descendente prometido de Abraão, por meio de quem a bênção divina alcança todas as nações da terra (Mt 1.1; Gl 3.8,16). Dessa forma, o legado de Abraão transcende sua descendência biológica e alcança todos aqueles que, pela fé em Cristo, tornam-se herdeiros das promessas de Deus (Rm 4.16; Gl 3.29).
2. A fé incondicional de Abraão. Abraão demonstrou uma fé incondicional nas promessas de Deus. Ele deixou sua terra, sua parentela e a segurança da vida que possuía em Ur dos caldeus, uma das principais cidades da antiga Mesopotâmia, para seguir em direção a um lugar que Deus ainda lhe mostraria (Gn 12.1-4).
O texto de Hebreus 11.8 destaca que Abraão saiu sem saber para onde ia. Ele não possuía todas as respostas, mas confiava naquele que havia feito a promessa. Mesmo vivendo em um contexto marcado pela idolatria e sem possuir a revelação escrita das Escrituras, Abraão creu na palavra que havia recebido do Senhor e demonstrou uma fé obediente (Js 24.2; Hb 11.8).
A fé verdadeira em Deus obedece mesmo sem conhecer todos os detalhes do caminho; confia antes de ver o cumprimento da promessa e segue as orientações divinas mesmo quando nem tudo está esclarecido. A revelação de Deus ocorre de maneira progressiva, e muitas vezes o Senhor revela o próximo passo enquanto caminhamos em obediência à sua vontade.
Por isso, a caminhada de fé exige confiança plena na Palavra de Deus. Como afirma a Escritura: “Sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).
3. A resposta ao chamado de Deus. Abrão recebeu o chamado de Deus inicialmente em Ur dos caldeus e, posteriormente, em Harã. Diante da voz do Senhor, ele entregou o curso de sua vida a Deus e partiu em obediência, sem conhecer todos os detalhes do caminho que percorreria. Ele não perguntou como seria a terra para onde iria nem de que maneira sustentaria sua família; simplesmente confiou na promessa daquele que o havia chamado (Gn 12.1-4; Hb 11.8).
Deus prometeu que faria de Abrão uma grande nação e que sua descendência seria numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar (Gn 12.2; 15.5; 22.17). Essa promessa foi feita quando Abrão tinha 75 anos e sua esposa, Sarai, era estéril (Gn 12.4; 11.30). Depois de aproximadamente 25 anos de espera, nasceu Isaque, o filho da promessa, quando Abraão tinha 100 anos e Sara 90 anos (Gn 21.1-5; 17.17).
Durante esse período de espera, Abraão e Sara enfrentaram momentos de fragilidade na fé. Diante da impossibilidade humana de gerar filhos, decidiram recorrer a uma prática comum daquela cultura, e Abraão teve um filho com Agar, serva de Sara, chamado Ismael (Gn 16.1-4,15). Contudo, Deus deixou claro que a aliança seria estabelecida por meio de Isaque, o filho que nasceria de Sara (Gn 17.19,21; 21.12).
Quando Deus reafirmou sua promessa, mudou os nomes de Abrão e Sarai para Abraão e Sara, indicando uma nova etapa no cumprimento do seu propósito (Gn 17.5,15). Um ano depois, nasceu Isaque, demonstrando que a promessa de Deus se cumpriria no tempo determinado por Ele (Gn 21.1-2).
Mais tarde, Deus provou a fé de Abraão ao ordenar que oferecesse Isaque como sacrifício em holocausto (Gn 22.1-2). Abraão demonstrou confiança absoluta no Senhor e seguiu em obediência, crendo que Deus era poderoso até mesmo para ressuscitar seu filho dentre os mortos, se fosse necessário (Hb 11.17-19).
A fé de Abraão não estava fundamentada apenas nas bênçãos recebidas de Deus, mas no próprio Deus que prometeu. Uma fé genuína entrega ao Senhor todas as áreas da vida, confiando em seu caráter santo, em sua soberania e em sua fidelidade (Rm 4.20-21).
Ev. WELIANO PIRES
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