07 junho 2026

Adeus ao meu querido amigo, Paulo Vasconcelos (PV)


No último dia 3 de junho, fui surpreendido com a triste notícia do falecimento repentino do meu amigo e conterrâneo, Paulo Nilton Gomes de Vasconcelos. Embora, ao longo dos anos, ele tenha enfrentado alguns problemas de saúde, jamais imaginei que partiria de forma tão repentina.

Minha mãe me enviou uma mensagem informando o ocorrido, e aquilo foi um choque para mim. Demorei algum tempo para processar a notícia, pois me recusava a acreditar que fosse verdade. Infelizmente, era.

Conheci Paulo Vasconcelos virtualmente, pelo Facebook, em meados de 2010, por intermédio do meu amigo e conterrâneo Eliomar Freire, que é seu primo e sempre foi muito próximo dele.

Paulo e eu éramos naturais da cidade de Terra Nova, Pernambuco, e parentes distantes, pois alguns dos nossos bisavós eram primos. Entretanto, seus pais mudaram-se de Terra Nova durante a sua infância para Petrolina, e eu não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Mais tarde, ele se mudou para Belém, no Pará, onde passou a maior parte da sua vida.

Eu conheci seus avós maternos e muitos dos seus parentes em minha cidade natal. Por isso, tínhamos muitos amigos em comum. Os seus tios Manoel Elizeu (Senhor), Dona Nelice e Sebastião Lopes de Sá (o nosso saudoso Bastinho), bem como suas respectivas famílias, são meus amigos de longa data.

Sabendo que meu posicionamento político era semelhante ao do seu primo Paulo Vasconcelos, Eliomar nos aproximou no ambiente virtual. A partir daí, passamos a participar de longas conversas sobre política e religião.

Paulo tinha alguns amigos simpatizantes do PT, e nós travávamos debates acalorados sobre política. Naquela época, Lula possuía supostamente, segundo as pesquisas, cerca de 80% de aprovação, e o pensamento de direita era visto quase como uma blasfêmia.

Digo “supostamente” porque, tanto Lula quanto sua sucessora, jamais venceram uma eleição presidencial no primeiro turno. Considerando que, para isso, basta obter mais de 50% dos votos válidos, seria natural imaginar que alguém com tal índice de aprovação tivesse grande facilidade para vencer a eleição no primeiro turno. Mas isso nunca ocorreu.

Sempre fiquei impressionado com o conhecimento que Paulo demonstrava sobre a política nacional e até mesmo sobre geopolítica. Possuía uma memória extraordinária e discorria sobre todos os governos passados, expondo detalhes das alianças políticas e dos planos econômicos dos governos Sarney, Collor, Itamar Franco, FHC e Lula. Era também admirador de Abraham Lincoln, Winston Churchill e Margaret Thatcher.

Nas questões políticas, tínhamos grande concordância. Entretanto, divergíamos frontalmente nas questões religiosas. Na época, Paulo era um ateu declarado, enquanto eu era presbítero da Assembleia de Deus. Por essa razão, ele fazia muitos questionamentos a respeito da Bíblia e da fé cristã, e eu procurava respondê-los com paciência, à luz das Escrituras.

Mesmo não concordando com minhas respostas teológicas, ele admirava meu conhecimento sobre o assunto. Nossos debates eram públicos, o que atraía a atenção de muitos parentes seus, católicos e evangélicos. Isso também me aproximou dessas pessoas no ambiente virtual, já que elas viviam na Região Norte do país, enquanto eu residia no Sudeste.

Paulo era um sujeito absolutamente autêntico e sem filtros. Detestava fingimentos e não admitia nenhuma forma de censura. Contava publicamente particularidades da sua vida, desdenhava dos próprios flagelos e falava palavrões sem receio de represálias. Ele mesmo se autodenominava “o tosco”.

Nas redes sociais, Paulo Vasconcelos conquistou amigos e desafetos pelo mesmo motivo: sua autenticidade e ausência de limites. Em sua opinião, todos os assuntos deveriam ser tratados publicamente, sem censura. Naturalmente, isso lhe trouxe muitos problemas.

Toda essa proximidade que desenvolvemos no ambiente virtual, somada ao histórico de debates entre nós, deu origem a uma amizade genuína e duradoura, baseada no respeito mútuo, na sinceridade e na confiança. Com a popularização do WhatsApp no Brasil, passamos a conversar com mais frequência.

Ele escrevia histórias da própria vida e pedia a amigos músicos que as transformassem em canções. Sempre me enviava essas composições e desabafava comigo quando enfrentava algum problema pessoal. Também compartilhava seus momentos de alegria.

Alguns de seus parentes me diziam: “Paulo Vasconcelos gosta muito de você e sempre fala bem de você”. Quando alguém me criticava em grupos de WhatsApp por causa do meu posicionamento político, ele fazia questão de me defender, afirmando que eu era uma pessoa de bem.

Ele depositava tanta confiança em mim que decidiu escrever sua autobiografia e me escolheu para organizar os relatos de sua vida em um livro. Para isso, enviou-me detalhes de sua trajetória: a infância em Terra Nova e Petrolina; as férias com os avós maternos na Fazenda Juazeiro, em Parnamirim, Pernambuco; a juventude rebelde em Petrolina; os jogos de futebol, uma de suas grandes paixões; o namoro com Silvany, o grande amor de sua vida; as muitas viagens como comprador de feijão; e, por fim, sua trajetória empresarial.

Ele me enviava os relatos com riqueza de detalhes e dizia: “Quero que tudo seja escrito sem limites e sem frescura. Não retire nada!”. Sabia que, por ser evangélico, eu possuo uma linguagem mais polida e não escreveria certas coisas da maneira como ele desejava. Às vezes, era preciso negociar para suavizar algumas passagens.

Trata-se de uma história de vida emocionante. Se a família tiver interesse em publicá-la, eu encaminharei de bom grado todas as anotações que recebi, pois esse era um desejo dele.

Paulo foi um sertanejo nascido em uma pequena cidade do interior pernambucano que saiu do nada e conquistou prosperidade financeira com honestidade e muito trabalho. Quando nos aproximamos, ele estava no auge do sucesso empresarial e falava de milhões de reais com a mesma naturalidade com que eu falo de dez reais.

Em sua vida, enfrentou também muitos dissabores, especialmente problemas de saúde física e emocional. Lutou contra a obesidade mórbida, submeteu-se a uma cirurgia bariátrica e enfrentou diversas complicações. Também combateu o alcoolismo e uma profunda depressão. Fazia uso de medicamentos fortes, que lhe causavam inúmeros efeitos colaterais.

Apesar de ser um grande empresário naquela época, o dinheiro nunca lhe subiu à cabeça. Estava sempre disposto a ajudar quem precisava. Sou testemunha de que auxiliou muitos parentes. Alguns dos que conheço guardam profunda gratidão por tudo o que ele fez por eles.

Também providenciou a distribuição de caminhões de alimentos para pessoas necessitadas de nossa cidade, sem esperar nada em troca. Nunca foi político, e aquelas pessoas sequer tinham condições de retribuir sua generosidade.

Paulo Vasconcelos foi um amigo virtual que a vida me presenteou. Entre os pontos positivos e negativos dessa amizade, os positivos prevaleceram. Sentirei saudades de nossas conversas, de sua autenticidade e de sua sinceridade.

Rogo a Deus que conforte seu pai, irmãos, filhos, tios, primos, demais parentes e amigos neste momento de luto e tristeza pela partida de um ente querido.

Adeus, meu amigo. Foi muito bom conhecê-lo, mesmo sem ter tido a oportunidade de apertar sua mão, abraçá-lo ou comparecer ao seu velório para lhe dar o último adeus.

Weliano Pires 
São Carlos, SP 




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