(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 10: a experiência transformadora de Jacó)
Neste terceiro e último tópico, falaremos a respeito da coluna de Betel, um monumento erguido por Jacó com a pedra que havia posto por cabeceira.
Após despertar daquele sonho, profundamente impactado pela visão que tivera, Jacó tomou a pedra que havia usado como travesseiro, transformou-a em uma coluna e derramou azeite sobre ela.
Depois da consagração dessa coluna, Jacó fez um voto a Deus, movido por um sentimento de fé e profunda gratidão. Nesse voto, comprometeu-se a ter Deus como o único Senhor de sua vida e a entregar o dízimo de tudo o que viesse a possuir.
Por fim, falaremos sobre o concerto de Deus com Jacó. Embora Deus já tivesse revelado que a bênção da aliança seria dele, Jacó, inicialmente, não esperou no Senhor e tentou alcançar essa bênção por meio do engano. Entretanto, Deus revelou-se a ele e reafirmou as suas promessas.
1. A pedra transformada em coluna.
Jacó levantou-se de madrugada, tomou a pedra que havia colocado por cabeceira e a ergueu como uma coluna memorial, para marcar e recordar a extraordinária experiência que tivera naquele lugar. Em seguida, derramou azeite sobre ela, consagrando-a ao Senhor. Na cultura do Antigo Testamento, era comum erguer memoriais para preservar a lembrança de acontecimentos marcantes relacionados à ação de Deus.
O próprio Senhor ordenou, em diversas ocasiões, que o seu povo estabelecesse memoriais. Antes da saída de Israel do Egito, por exemplo, Deus instituiu a Páscoa para que as futuras gerações se lembrassem da libertação do povo da escravidão egípcia. Da mesma forma, após a travessia do rio Jordão, Deus ordenou que fossem retiradas doze pedras do leito do rio e colocadas como memorial daquele grande milagre (Js 4.5-7).
Esses memoriais tinham a finalidade de manter viva a lembrança dos feitos de Deus e transmitir às gerações futuras o testemunho de sua fidelidade. A coluna erguida por Jacó em Betel cumpria esse mesmo propósito: recordar o encontro que ele teve com o Senhor e as promessas que lhe foram feitas.
Embora, na Nova Aliança, não sejamos chamados a erguer monumentos ou símbolos materiais como memoriais da fé, devemos preservar e transmitir às próximas gerações a memória das obras de Deus em nossa vida. Uma das maneiras de fazer isso é compartilhando os testemunhos das bênçãos, livramentos e transformações que o Senhor realizou em nós.
2. O voto de gratidão a Deus (Gn 28.20-22).
Durante o ato de consagração daquele memorial a Deus, Jacó fez um voto a Deus, assumindo dois compromissos para com Deus. Ele prometeu que, se o Senhor fosse com ele naquela viagem, lhe providenciasse os alimentos e as vestes, e lhe fizesse voltar em paz à casa dos seus pais, o Senhor seria o seu Deus e ele daria o dízimo de tudo.
O comentarista colocou aqui que Jacó fez voto com um sentimento de fé e gratidão. Entretanto, estas promessas de Jacó, indicam que ele ainda estava na dúvida e propôs uma barganha com Deus. Ora, Deus havia acabado de lhe prometer exatamente isso. Então, não faria sentido fazer um voto dizendo “se o Senhor fizer…”.
As promessas de Jacó, no entanto, demonstram que iniciou-se uma transformação em seu coração. Ele prometeu a Deus que não teria outros deuses e o Senhor (Yahweh) seria o seu Deus. Prometeu também dar o dízimo de tudo. Neste ponto, há um erro no texto da revista, dizendo que Jacó seguiu o exemplo de Melquisedeque, que deu o dízimo de tudo a Abraão. Na verdade, foi o contrário.
Não havia ainda a lei exigindo dízimos e ofertas. Portanto, esta promessa de Jacó era de uma contribuição voluntária ao Senhor. Infelizmente, na atualidade há muitas pessoas combatendo o dízimo, dizendo que isso é coisa da Lei. Entretanto, o dízimo é o resultado de um coração grato a Deus por tudo o que Ele nos deu e o reconhecimento de que tudo pertence a Ele.
3. O concerto de Deus com Jacó.
Neste subtópico, estudamos a aliança de Deus com Jacó. Na cultura patriarcal, a bênção da primogenitura era normalmente concedida ao filho mais velho. Contudo, Deus, em sua soberania, nem sempre seguiu essa lógica humana, escolhendo, em algumas ocasiões, filhos mais novos para dar continuidade à linhagem da promessa, como ocorreu com Isaque e, posteriormente, com Jacó.
Também observamos a conduta de Esaú, que desprezou o seu direito de primogenitura ao trocá-lo por um prato de lentilhas (Gn 25.29-34). Entretanto, essa não foi a razão pela qual Deus escolheu Jacó para ser herdeiro da promessa. Antes mesmo do nascimento dos gêmeos, o Senhor já havia declarado: “o maior servirá ao menor” (Gn 25.23), demonstrando que sua escolha fazia parte de seus propósitos soberanos.
Por outro lado, antes de seu encontro transformador com Deus, Jacó também apresentava falhas em seu caráter. Ele agiu de forma egoísta e oportunista ao se aproveitar da necessidade do irmão para negociar o direito de primogenitura. Mais tarde, com a ajuda de sua mãe, enganou seu pai para receber a bênção destinada ao primogênito (Gn 27.1-29). Apesar disso, Deus não escolhe as pessoas com base em seus méritos, mas segundo a sua graça e soberania.
A história de Jacó nos ensina que a escolha divina manifesta a soberania de Deus, enquanto a transformação do caráter evidencia a ação da sua graça na vida daqueles que se submetem à sua vontade. Assim, Deus continua chamando pessoas imperfeitas para cumprir seus propósitos e transformando-as à medida que elas se rendem ao seu senhorio.
Ev. WELIANO PIRES
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