20 junho 2026

O ENCONTRO ENTRE JACÓ E ESAÚ


(Comentário do 2⁰ tópico da lição 12: A reconciliação de Jacó com Esaú)

Neste tópico, estudaremos o encontro entre os irmãos Jacó e Esaú, após cerca de vinte anos de separação, ocasionada pelo conflito que surgiu quando Jacó recebeu a bênção destinada ao primogênito (Gn 27.41-45). Durante esse período, Esaú alimentou o propósito de vingar-se do irmão, o que levou Jacó a fugir para a casa de Labão. 

19 junho 2026

IRMÃOS EM CONFLITO

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 12: a reconciliação de Jacó com Esaú)

Neste primeiro tópico, trataremos do conflito entre os irmãos Esaú e Jacó. Embora esse assunto já tenha sido estudado detalhadamente na Lição 9, faz-se necessário retomá-lo para contextualizar a reconciliação entre ambos, tema central desta lição.

18 junho 2026

Parabéns à Assembleia de Deus pelos 115 anos de fundação.

Foto: AD Belém São Carlos/SP

Na Rua Azusa, em Los Angeles
Um fenômeno atípico aconteceu
Em um velho templo abandonado
Uma reunião de crentes ocorreu
Foram cheios do Espírito Santo
E a notícia pelo mundo correu.

Por todo o país se espalhou
Este Movimento Pentecostal
Várias Igrejas foram avivadas
Com grande fervor espiritual
Os crentes foram despertados
Para a missão internacional.

Nesse clima de avivamento
Dois jovens foram impactados
Daniel Berg e Gunnar Vingren
Por Deus foram direcionados
Eles viviam nos Estados Unidos
E para o Brasil foram enviados.

No ano de mil novecentos e dez
Em Belém do Pará chegaram
Não conheciam o nosso idioma
Muitas dificuldades enfrentaram
A Igreja Batista já existia aqui
E nela eles se congregaram.

Entretanto, a mensagem pregada 
Incomodou aos irmãos batistas
A liderança ficou contrariada 
Pois eram cessacionistas
Uma reunião foi marcada
E desligaram os avivalistas 

Junho de mil novecentos e onze
Dezenove crentes se reuniram
Após saírem da Igreja
Por unanimidade decidiram
Criar uma nova denominação
Da obra de Deus não desistiram.

Missão da Fé Apostólica
Foi este o nome escolhido
Para a nova denominação
Pelo Espírito Santo dirigidos
Se espalharam pela nação
Pregando aos oprimidos.

Depois, outros missionários
Ao nosso Brasil chegaram
Para apoiar esta grande obra
Com coragem desbravaram
Os mais longínquos rincões
Cantaram, oraram e pregaram.

Em mil novecentos e dezoito
Mudaram o nome da missão
Tornou-se Assembleia de Deus
Firmada na doutrina e na oração
Pregavam os dons, cura divina
Batismo no Espírito e salvação.

Em mil novecentos e vinte e dois
Foi lançada a primeira edição
Com cem hinos de doutrina sã
O novo hinário da denominação
Que foi chamado Harpa Cristã
Usado no louvor e adoração.

No ano mil novecentos e trinta
A Convenção Geral foi criada
Visando a união e crescimento
Para que a obra fosse divulgada
Decidiram lançar o jornal oficial
Na primeira reunião realizada.

Dez anos depois foi criada
A nossa Casa Publicadora
Pela demanda apresentada
Na expansão evangelizadora
Várias obras foram publicadas
Com mensagens consoladoras

Devido à grande expansão
Surgiram divisões regionais
Chamadas de ministérios
Com suas lideranças locais
Porém estavam vinculadas
Com as diretrizes nacionais.

Com o passar dos anos surgiram
Muitos ministérios e convenções
Que se tornaram independentes
Cada um com suas convicções
Chamam-se Assembleia de Deus
Mas com ela não têm ligações.

Pela Igreja Assembleia de Deus
Eu nutro respeito e gratidão
Foi nela que eu ouvi o Evangelho
Fui criado e aprendi a ser cristão.
Hoje, eu quero parabenizá-la
Pelo aniversário de fundação.

Ev.  Weliano Pires
Assembléia de Deus
Ministério do Belém
São Carlos-SP.



16 junho 2026

Introdução à Lição 12: A reconciliação de Jacó com Esaú

Data: 21 de junho de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram.” (Gn 33.4).


VERDADE PRÁTICA:

Em Deus, sempre há possibilidade de perdão e reconciliação.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 33.1-10.


Objetivos da Lição: 

I) Explicar que Jacó e Esaú tinham sérios conflitos; 

II) Mostrar o encontro de Jacó e Esaú;

III) Saber que, depois do encontro com seu irmão, Jacó segue seu caminho.


INTRODUÇÃO 

Estamos nos aproximando do final deste trimestre, e esta penúltima lição será a última dedicada ao estudo da vida do patriarca Jacó. Nesta oportunidade, veremos o reencontro dos irmãos Esaú e Jacó, após cerca de vinte anos de separação, desde que Jacó obteve a bênção da primogenitura e despertou a ira de seu irmão (Gn 27.41).

Dando continuidade à lição anterior, observaremos que Jacó ainda estava apreensivo diante da possibilidade de um confronto com Esaú, que vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens (Gn 32.6,7). Contudo, após sua experiência transformadora com Deus em Peniel (Gn 32.24-30), Jacó demonstrou humildade e disposição para reconciliar-se com seu irmão.

O encontro dos dois não resultou em vingança, mas em perdão e restauração (Gn 33.3,4). Assim, esta lição nos ensina que a graça de Deus pode restaurar relacionamentos rompidos e produzir reconciliação entre aqueles que se dispõem a andar segundo a vontade divina.

Palavra-Chave: RECONCILIAÇÃO


A palavra reconciliação deriva do latim reconciliatio, formada pelo prefixo re (“de novo”, “novamente”) e pelo verbo conciliare (“unir”, “harmonizar”, “promover a concórdia” ou “tornar favorável”). Portanto, a palavra reconciliação significa o restabelecimento de uma relação rompida, a reaproximação entre pessoas ou grupos, ou a restauração da amizade e da harmonia após um desentendimento.


Ev. WELIANO PIRES

13 junho 2026

JACÓ NO VAU DO JABOQUE


(Comentário do terceiro tópico da lição 11: Jacó – De enganador a homem de honra)

Neste terceiro tópico, abordaremos o ponto culminante da trajetória de Jacó: sua passagem pelo vau de Jaboque, onde teve um encontro pessoal com Deus e sua vida foi transformada.

Depois de se reconciliar com Labão, Jacó seguiu o seu caminho em direção à terra de seus pais. Contudo, ainda carregava em seu coração angústia e temor por causa do reencontro com seu irmão Esaú. Ao saber que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens, Jacó ficou preocupado diante daquela situação (Gn 32.6).

Diante disso, Jacó enviou mensageiros e presentes ao seu irmão, buscando uma atitude de paz. Depois de atravessar sua família pelo ribeiro de Jaboque, ficou sozinho e teve um encontro com um ser em forma humana, identificado posteriormente como o próprio Deus, com quem lutou até o amanhecer (Gn 32.24,30; Os 12.3,4).

Ao perceber que não prevaleceria contra Jacó, o Senhor tocou-lhe na articulação da coxa, deixando-o marcado fisicamente. Mesmo ferido, Jacó não desistiu e pediu uma bênção, demonstrando sua dependência de Deus (Gn 32.26). Naquele momento, seu nome foi mudado de Jacó para Israel (Gn 32.28), indicando uma nova identidade e uma transformação realizada pelo Senhor.

1. A angústia e o medo de Jacó. Depois de se reconciliar com seu sogro Labão, Jacó seguiu em direção à terra de seus pais. No caminho, teve uma experiência marcante ao ver um exército de anjos e reconheceu aquele lugar como “Maanaim”, o acampamento de Deus (Gn 32.1,2). Apesar dessa manifestação divina, Jacó ainda estava angustiado e temeroso por causa do reencontro com seu irmão Esaú, que vinha ao seu encontro com quatrocentos homens (Gn 32.6).

O temor de Jacó se justificava, pois vinte anos antes ele havia enganado seu irmão Esaú, tomando-lhe a bênção, e este havia prometido matá-lo. Agora, diante daquela situação, Jacó temia pela sua vida e pela sua família. Sua reação revela que, mesmo tendo experimentado a proteção e a fidelidade de Deus ao longo de sua caminhada, ainda enfrentava momentos de medo e insegurança.

Diante dessa angústia, Jacó decidiu buscar a Deus em oração, reconhecendo sua total dependência do Senhor e pedindo-lhe proteção. Ele também tomou atitudes para tentar promover a reconciliação com seu irmão, enviando presentes e preparando o encontro com Esaú. 

Todos nós estamos sujeitos a passar por momentos que ameaçam nossa segurança e nos causam medo. Entretanto, nas crises, o melhor caminho é buscar o socorro de Deus e não se desesperar. Assim como Jacó, devemos reconhecer nossa dependência do Senhor, pois Ele é o nosso refúgio, fortaleza e socorro nos momentos de angústia.

2. Jacó ficou só e lutou com o anjo. Depois de conduzir sua família para além do ribeiro de Jaboque, Jacó ficou sozinho e teve um encontro com Deus, lutando com Ele até o amanhecer (Gn 32.24,30; Os 12.3,4). Aquele momento representou um confronto espiritual decisivo, no qual Jacó foi conduzido a reconhecer sua total dependência do Senhor.

Ao perceber a perseverança de Jacó, o Senhor tocou na articulação de sua coxa, deixando uma marca física daquele encontro. Mesmo ferido, Jacó não desistiu e clamou por uma bênção, demonstrando sua dependência de Deus: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26).

Naquele momento, seu nome foi mudado de Jacó para Israel (Gn 32.28), simbolizando uma nova identidade e a transformação espiritual realizada pelo Senhor em sua vida. O texto bíblico revela que aquela experiência envolvia o próprio Deus, pois Jacó declarou: “Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32.30).

A atitude de Jacó, em uma noite marcada por angústia e incertezas, nos ensina sobre a importância da perseverança na oração, da dependência de Deus e da disposição para permitir que o Senhor opere as mudanças necessárias em nosso caráter.

3. Jacó é transformado. Depois do encontro com Deus no vau de Jaboque, houve uma mudança decisiva na história de Jacó. O seu nome foi mudado de Jacó — relacionado ao sentido de “agarrado ao calcanhar” e associado à ideia de suplantador — para Israel, que expressa a ideia de alguém que prevalece com Deus. Conforme observamos em lições anteriores, na cultura bíblica o nome possuía um significado profundo, estando frequentemente relacionado à identidade e à história da pessoa.

Portanto, Deus não mudou apenas o nome de Jacó, mas também trabalhou o seu caráter e reafirmou o propósito que havia estabelecido para sua vida. A transformação de Jacó demonstra que o Senhor não apenas abençoa circunstâncias externas, mas opera uma mudança interior na vida daqueles que têm um encontro verdadeiro com Ele.

O encontro no vau de Jaboque nos ensina que Deus trabalha no interior do ser humano, transformando seu caráter e conduzindo-o ao cumprimento dos seus propósitos (2 Co 5.17; Fp 1.6). Aquele que experimenta uma verdadeira comunhão com Deus não permanece dominado pelos antigos padrões de vida, pois o Espírito Santo produz uma nova maneira de viver, refletindo as virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22).

Obs.: Houve um equívoco na sinopse deste tópico, na revista do professor, pois foi repetida a do terceiro tópico da lição anterior, que não tem nada a ver com o assunto deste tópico. 

Podemos substituir pelo seguinte: 

“Jacó passou o vau de Jaboque em profunda angústia e teve um encontro com Deus. Este encontro revela a sua transformação”.

Ev. WELIANO PIRES 

12 junho 2026

JACÓ DESEJA RETORNAR À SUA TERRA

(Comentário do 2º tópico da Lição 11: Jacó - De enganador a homem de honra) 

Neste segundo tópico, abordaremos o desejo de Jacó de retornar à terra de seus pais após vinte anos vivendo na casa de seu tio Labão. Quando chegou àquela região, Jacó nada possuía; entretanto, prosperou grandemente, porque o Senhor o abençoou (Gn 30.43; 31.9). Essa prosperidade despertou a inveja e o descontentamento de Labão e de seus filhos contra ele (Gn 31.1,2).

Diante dessa situação, Jacó manifestou o desejo de voltar à casa de seus pais e solicitou a Labão que o liberasse juntamente com suas esposas e seus filhos (Gn 30.25,26). Contudo, esse propósito não partiu apenas de uma iniciativa pessoal. Deus estava conduzindo Jacó de volta à terra de Canaã, em cumprimento às promessas que lhe havia feito anteriormente (Gn 28.13-15; 31.3).

Ao tomar conhecimento da intenção de Jacó, Labão procurou convencê-lo a permanecer em sua casa e propôs um acordo para que continuasse trabalhando para ele (Gn 30.27,28). Após um período adicional de serviço, o Senhor ordenou que Jacó retornasse à sua parentela, prometendo estar com ele nessa jornada (Gn 31.3).

Em obediência à voz de Deus, Jacó partiu com sua família. Quando Labão soube da partida, saiu em sua perseguição, mas o Senhor interveio e não permitiu que ele causasse qualquer dano a Jacó (Gn 31.22-24). Assim, Deus demonstrou sua fidelidade, protegendo o patriarca e conduzindo-o de volta ao lugar onde cumpriria seus propósitos em sua vida.

1. Jacó almeja retornar para sua casa.

Conforme abordamos no tópico anterior, Jacó chegou a Padã-Arã solteiro, a pé e sem possuir bem algum. Entretanto, o Senhor o abençoou grandemente e, após vinte anos, ele havia constituído família e adquirido muitos bens. Nessa ocasião, Jacó já possuía duas esposas, onze filhos e uma filha — Benjamin ainda não havia nascido —, além de numerosos rebanhos, servos, servas, camelos e jumentos (Gn 30.43).

Toda essa prosperidade despertou a inveja dos filhos de Labão, que diziam: “Jacó tem tomado tudo o que era de nosso pai; e do que era de nosso pai fez ele toda esta glória” (Gn 31.1). Além disso, Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mesma de antes (Gn 31.2).

Contudo, o desejo de Jacó de retornar à sua terra não era motivado apenas pela saudade ou pelo desgaste do relacionamento com a família de Labão. Tratava-se também da ação de Deus, que, em sua soberania, dirigia seus passos de volta à terra da promessa. Ali, o Senhor cumpriria as promessas da aliança feitas a Abraão, Isaque e ao próprio Jacó em Betel (Gn 28.13-15; 31.3,13).

2. O acordo entre Labão e Jacó.

Na sociedade patriarcal da época, cabia ao chefe do clã tomar as principais decisões da família. Assim, não bastava que Jacó desejasse partir; era necessário tratar da questão com Labão, seu sogro e patrão. Reconhecendo que havia sido abençoado por causa de Jacó, Labão procurou convencê-lo a permanecer e propôs que continuasse trabalhando para ele (Gn 30.27,28).

Jacó, então, sugeriu um acordo: os animais salpicados, malhados e escuros que nascessem entre os rebanhos seriam o seu salário (Gn 30.32,33). Labão aceitou a proposta, e Jacó continuou servindo ao sogro. A partir daquele momento, passou a trabalhar para formar o patrimônio de sua própria casa (Gn 30.34-36).

O Senhor, porém, abençoou o trabalho de Jacó, fazendo com que seus rebanhos crescessem de forma extraordinária (Gn 30.43; 31.9-12). Dessa maneira, Deus compensou os prejuízos causados pelos anos de exploração e pelas constantes mudanças de salário impostas por Labão (Gn 31.7,41,42).

Essa experiência ensina que há momentos em que Deus nos chama para permanecer e outros em que nos conduz a uma nova etapa de sua vontade. O mais importante não é ficar ou sair, mas discernir e obedecer à direção do Senhor (Ec 3.1; Sl 32.8).

Também devemos compreender que Deus conduz cada pessoa segundo os seus propósitos. A Abraão, o Senhor ordenou que deixasse sua terra e sua parentela para seguir rumo ao desconhecido (Gn 12.1-4). A Jacó, porém, determinou que retornasse à terra de seus pais (Gn 31.3). Em ambos os casos, a bênção estava vinculada à obediência à voz de Deus.

3. Deus manda Jacó retornar à casa de seus pais.

O ambiente na casa de Labão tornou-se cada vez mais hostil para Jacó. Os filhos de Labão o acusavam injustamente de enriquecer às custas de seu pai, quando, na realidade, havia sido Labão quem o explorara durante vinte anos, alterando repetidas vezes o seu salário (Gn 31.1,7,41). Contudo, a prosperidade de Jacó não era resultado apenas de seu trabalho, mas, sobretudo, da bênção de Deus sobre a sua vida (Gn 31.9,12).

Nesse contexto, o Senhor falou claramente a Jacó, ordenando-lhe que retornasse à terra de seus pais: “Torna-te à terra dos teus pais e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31.3). Mais adiante, Deus relembrou a experiência de Betel e confirmou que havia visto todas as injustiças praticadas por Labão (Gn 31.12,13).

Sabendo que seu sogro dificilmente aceitaria sua partida, Jacó aproveitou a ausência de Labão, que havia saído para tosquiar suas ovelhas, e partiu com suas esposas, filhos e bens (Gn 31.17-21). Ao saber da fuga, Labão reuniu seus parentes e perseguiu Jacó por sete dias, alcançando-o na montanha de Gileade (Gn 31.22,23).

Entretanto, antes do encontro, Deus advertiu Labão em sonho, dizendo: “Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal” (Gn 31.24). Assim, o Senhor protegeu seu servo e impediu que lhe fosse causado qualquer dano.

Durante esse episódio, Raquel furtou os ídolos domésticos de seu pai sem o conhecimento de Jacó (Gn 31.19). Embora Labão os procurasse insistentemente, não conseguiu encontrá-los (Gn 31.33-35). Ao final, ambos fizeram uma aliança de paz, e Labão retornou à sua terra, enquanto Jacó prosseguiu sua jornada rumo a Canaã (Gn 31.44-55).

A experiência de Jacó nos ensina que, quando Deus nos dirige por um caminho, também cuida de nós durante a caminhada. O Senhor abriu o caminho diante de Jacó, protegeu-o de seus adversários e o conduziu em segurança ao cumprimento de seus propósitos. Da mesma forma, aqueles que obedecem à direção divina podem confiar no cuidado e na fidelidade de Deus (Sl 37.23,24; Is 41.10).

Ev. WELIANO PIRES

11 junho 2026

A FAMÍLIA DE JACÓ

(Comentário do 1⁰ tópico da Lição 11: Jacó – De enganador a homem de honra)

No primeiro tópico, discorreremos sobre a formação da família de Jacó. Esse tema é de grande importância para a história bíblica, pois de seus descendentes surgiriam as doze tribos de Israel, o povo escolhido por Deus para cumprir seus propósitos redentivos na história.

Jacó deixou a casa paterna para fugir da ameaça de seu irmão Esaú e partiu para Padã-Arã, onde passou a viver com seu tio materno, Labão. Ao chegar à terra de seus parentes, sem conhecer ninguém e sem possuir recursos materiais, encontrou sua prima Raquel junto a um poço.

Desejando casar-se com ela, Jacó propôs a Labão trabalhar durante sete anos como dote. Labão aceitou a proposta, mas, ao final dos sete anos, enganou Jacó, entregando-lhe Léia (ou Lia), sua filha mais velha. Posteriormente, permitiu que ele também se casasse com Raquel, mediante o compromisso de trabalhar outros sete anos.

Por meio de Léia, Raquel e de suas servas, Zilpa e Bila, Jacó teve doze filhos e uma filha, dos quais surgiram as doze tribos de Israel. A formação dessa família, porém, não foi resultado apenas de circunstâncias humanas, mas ocorreu sob a direção da providência divina, pois Deus conduzia a história de Jacó para o cumprimento de suas promessas.

1. Um encontro especial. 

Após o encontro com Deus em Betel, onde teve a visão da escada que ligava a terra aos céus e recebeu promessas divinas acerca de sua posteridade e da proteção do Senhor (Gn 28.10–22), Jacó prosseguiu sua jornada até a terra de seus parentes, dando continuidade ao cumprimento do pacto abraâmico na sua história. A viagem foi longa e exaustiva, percorrendo aproximadamente 860 km.

Cansado da caminhada, Jacó chegou a um poço em uma região de Harã, onde pastores davam água aos rebanhos. Ali, ele perguntou de onde eram aqueles homens, e eles responderam que eram de Harã (Gn 29.1–4). Em seguida, Jacó indagou sobre Labão, irmão de sua mãe Rebeca, e foi informado de que ele era bem conhecido entre eles.

Enquanto conversavam, Raquel, filha de Labão, chegou com as ovelhas de seu pai (Gn 29.6). Ao vê-la, os homens informaram Jacó de quem ela era. Movido por iniciativa e gentileza, Jacó ajudou Raquel a dar água ao rebanho e, então, apresentou-se como seu parente, filho de Rebeca (Gn 29.10–12).

Raquel correu imediatamente para contar a seu pai o que havia acontecido. Labão, ao saber da chegada de Jacó, foi ao seu encontro e o recebeu com hospitalidade em sua casa (Gn 29.13–14). Jacó, porém, chegou sem recursos e passou a trabalhar na casa de Labão.

Após um mês de permanência, Labão perguntou qual seria o salário de Jacó, reconhecendo a necessidade de estabelecer um acordo justo para seu trabalho (Gn 29.15). Jacó, já profundamente atraído por Raquel, propôs trabalhar sete anos para poder desposá-la. 

Labão aceitou a proposta, conforme os costumes da época, nos quais o serviço podia ser associado ao pagamento do dote matrimonial. As Escrituras registram que esses anos pareceram poucos dias a Jacó, devido ao amor que tinha por Raquel (Gn 29.18–20).

Deus conduziu Jacó até o cumprimento das promessas feitas em Betel (Gn 28.15), mostrando que o Senhor dirige os passos de Seus servos mesmo em jornadas longas e difíceis. O texto também destaca valores como diligência, perseverança e compromisso no trabalho. 

O amor de Jacó por Raquel é apresentado no relato bíblico como intenso, sacrificial e perseverante (Gn 29.20). Devemos considerar também o contexto cultural da época, no qual o casamento envolvia pactos familiares e prestação de serviço como forma de acordo. 

2. O enganador é enganado. 

Passados os sete anos de trabalho, Jacó preparou-se para casar-se com Raquel, conforme o acordo feito com Labão. Contudo, naquela ocasião, seu tio Labão o enganou, entregando-lhe Lia, sua filha mais velha, em lugar de Raquel (Gn 29.21–25).

O texto bíblico indica que, segundo os costumes do Oriente Próximo antigo, a noiva era conduzida ao encontro do noivo com o rosto coberto por um véu, o que favoreceu o engano. Por isso, Jacó não percebeu imediatamente a troca, vindo a constatar a situação somente na manhã seguinte.

Ao confrontar Labão, Jacó ouviu como justificativa o costume local de que a filha mais nova não poderia ser dada em casamento antes da mais velha (Gn 29.26). Mas, o combinado não era este. Labão, então, propôs conceder também Raquel a Jacó, desde que ele cumprisse mais sete anos de serviço.

Jacó experimenta, nesse episódio, as consequências de suas ações passadas. O mesmo homem que outrora enganara seu pai Isaque, apresentando-se como Esaú para receber a bênção (Gn 27.18–29), agora enfrenta uma situação em que também é enganado. Em outro momento da narrativa, Esaú havia chorado amargamente por causa daquele engano e nutrido desejo de vingança (Gn 27.41).

As Escrituras apresentam esse ciclo como parte da disciplina e do agir soberano de Deus na história, ainda que não se possa reduzir toda consequência à simples retribuição mecânica dos atos humanos. O apóstolo Paulo, ao escrever aos Gálatas, declara: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7), ressaltando o princípio de responsabilidade moral diante de Deus.

Esse episódio evidencia que as escolhas humanas produzem consequências reais, ainda que Deus permaneça soberano e misericordioso em meio às falhas humanas. A narrativa também reforça a importância da integridade e da verdade nas relações.

Deus perdoa o pecado quando há arrependimento, mas muitas vezes permite que o ser humano enfrente os efeitos de suas próprias decisões, como parte de um processo formativo e pedagógico (Pv 11.18; Gl 6.7). 

3. Muitos filhos. 

A poligamia trouxe consequências terríveis para as famílias, em especial a família de Jacó. Porém, Deus honrou a Jacó e lhe concedeu muitos filhos. Os filhos sempre foram e são “heranças do Senhor”, ou seja, são uma recompensa que Ele nos dá (Sl 127.3).

Jacó teve filhos com Leia e com a serva dela. Também teve filhos com Raquel e sua serva. Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (Gn 29.32-35; 30.17-20), totalizando seis filhos e mais uma filha, a quem deu o nome de Diná (Gn 30.21). Com a serva de Leia, Zilpa, teve dois filhos, Gade e Aser (Gn 30.9-13).

Com sua amada esposa teve dois filhos. São eles: José e Benjamim (Gn 30.22-24; 35.16-19). Com Bila, serva de Raquel, teve mais dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8). Apesar de seus erros, Jacó foi honrado pelo Senhor, e seus filhos tornaram-se os líderes das doze tribos de Israel.

Jacó constituiu sua família em um contexto marcado pela poligamia e por casamentos arranjados mediante acordos familiares. Ele desejava casar-se apenas com Raquel, a quem amava. Porém, depois de ser enganado por seu sogro, Labão, acabou casando-se primeiro com Leia e, posteriormente, com Raquel.

Na cultura em que Jacó viveu, as famílias desejavam ter muitos filhos, pois isso representava aumento da força de trabalho e maior proteção para o grupo familiar. Além disso, os filhos eram considerados um sinal da bênção de Deus. Por essa razão, na casa de Jacó surgiu uma disputa entre suas esposas sobre quem teria mais filhos.

Jacó teve um total de doze filhos homens e uma filha, que posteriormente deram origem às doze tribos de Israel. A primeira esposa a gerar filhos foi Leia. Ela não possuía a mesma beleza de sua irmã Raquel e não havia conquistado o coração de Jacó, pois ele se casou com ela por imposição de seu sogro.

Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, além de sua filha Diná (Gn 29.32-35; 30.17-20). Raquel, porém, era estéril e, ao observar que Leia estava tendo filhos, entregou sua serva Bila a Jacó para que tivesse filhos por meio dela, conforme o costume daquela época. Bila gerou dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8).

Leia também seguiu o mesmo costume e entregou sua serva Zilpa a Jacó, por meio de quem nasceram Gade e Aser (Gn 30.9-13). Finalmente, Deus lembrou-se de Raquel, abriu a sua madre, e ela deu à luz José. Mais tarde, ela também teve Benjamim, mas morreu durante o parto (Gn 30.22-24; 35.16-19).

A poligamia, embora fosse uma prática aceita naquela cultura, trouxe muitos conflitos e sofrimentos para a família de Jacó. Deus permitiu essa prática dentro do contexto histórico em que ela existia, mas o propósito original estabelecido por Deus para o casamento sempre foi a união entre um homem e uma mulher. O Senhor é soberano e realiza os seus propósitos mesmo em meio às limitações e imperfeições humanas.

A Bíblia apresenta vários casos de pessoas que nasceram em contextos familiares marcados por erros e situações contrárias à vontade de Deus, mas que foram alcançadas pelos propósitos divinos. Um exemplo é Tamar, que teve um filho com seu sogro Judá, após seus maridos morrerem sem deixar descendência. Esse filho, Perez, passou a fazer parte da genealogia de Jesus Cristo. A Escritura também apresenta Raabe, uma mulher de Jericó com um passado marcado pela prostituição, mas que, após unir-se ao povo de Deus, tornou-se parte da linhagem messiânica.

Esses exemplos demonstram que Deus cumpre seus propósitos por meio de pessoas imperfeitas, sem, contudo, aprovar os erros cometidos por elas. Ao mesmo tempo, a Bíblia revela que escolhas equivocadas podem trazer consequências dolorosas para a vida familiar.

Por causa da poligamia, Jacó enfrentou diversos conflitos dentro de sua casa. Seu filho primogênito, Rúben, envolveu-se com Bila, concubina de seu pai, trazendo grande desonra à família. Havia também a rivalidade entre Leia e Raquel, intensificada pelo fato de Jacó demonstrar maior amor por Raquel. Além disso, a preferência de Jacó por José acabou despertando inveja e ódio nos demais filhos, que chegaram ao ponto de vendê-lo como escravo aos ismaelitas.

Ev. WELIANO PIRES 

09 junho 2026

INTRODUÇÃO LIÇÃO 11: JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA


Data: 14 de junho de 2026

TEXTO ÁUREO:

“Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” (Gn 32.28).

VERDADE PRÁTICA:

Somente Deus pode transformar o caráter e a vida do ser humano.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 32.22-31.

Objetivos da Lição:

I) Enfatizar os aspectos da família de Jacó;

II) Explicar que o desejo de Jacó de retornar à sua casa era divino;

III) Mostrar a passagem de Jacó pelo vau de Jaboque. 

INTRODUÇÃO

Na lição anterior, estudamos o início do processo de transformação na vida do patriarca Jacó. Essa mudança começou em Betel, quando ele teve a visão de uma escada que ligava a terra ao céu, pela qual os anjos de Deus subiam e desciam (Gn 28.10-22). Naquela ocasião, Jacó ouviu a voz do Senhor, que lhe confirmou as promessas anteriormente feitas a Abraão e a Isaque, assegurando-lhe Sua presença, proteção e fidelidade à aliança (Gn 28.13-15).

Nesta lição, daremos continuidade ao estudo da trajetória espiritual de Jacó, destacando seu encontro pessoal com Deus em Peniel, nome que significa “face de Deus” (Gn 32.30). Ao retornar à terra de seus pais, Jacó passou pelo vau do Jaboque, onde lutou durante toda a noite com um ser celestial enviado por Deus (Gn 32.24-28; Os 12.3-4). Nesse marcante episódio, seu nome foi mudado de Jacó para Israel, indicando uma profunda transformação espiritual e moral. O nome Israel pode ser compreendido como “aquele que luta com Deus” ou “Deus luta”, ressaltando sua nova identidade diante do Senhor.

A história de Jacó nos leva a refletir sobre uma importante questão: é possível que uma pessoa mude verdadeiramente o seu caráter? As Escrituras demonstram que sim. A vida de Jacó, assim como a de muitos outros servos de Deus, evidencia o poder transformador da graça divina. Aquele que, em sua juventude, ficou conhecido por sua astúcia e atitudes questionáveis (Gn 27.35-36), terminou sua jornada como Israel, patriarca das doze tribos e homem marcado pela dependência de Deus (Gn 49.1-33; Hb 11.21). 

Entretanto, essa transformação não foi resultado de esforço humano ou aperfeiçoamento pessoal, mas da ação soberana de Deus em sua vida. O Senhor trabalhou no caráter de Jacó ao longo dos anos, utilizando experiências, provações e encontros pessoais para moldá-lo segundo Seus propósitos (Rm 8.28-29; Fp 1.6).

Palavra-Chave: HONRA

A palavra honra deriva do latim honor (honoris), que significa estima, respeito, dignidade, consideração ou reconhecimento. Na Bíblia, honra é o reconhecimento do valor de alguém, expresso por meio do respeito, da obediência e de atitudes compatíveis com esse reconhecimento.

No Antigo Testamento, a principal palavra hebraica traduzida por honra é kābôd, que literalmente significa “peso”. Na cultura hebraica, aquilo que possuía peso era considerado importante, valioso e digno de respeito. Quando aplicada a Deus, essa palavra também pode ser traduzida como “glória”, indicando Sua majestade, grandeza e excelência (Êx 24.16,17; Sl 19.1).

No Novo Testamento, o termo grego mais utilizado para honra é timḗ, que significa respeito, estima e reconhecimento. Honrar pessoas envolve tratá-las com dignidade e consideração, conforme os princípios divinos (Ef 6.2; 1Pe 2.17). Honrar a Deus significa reconhecer Seu supremo valor, obedecer à Sua vontade e glorificá-Lo com a própria vida (Pv 3.9; Jo 5.23).

No contexto desta lição, a honra refere-se ao favor e à distinção concedidos por Deus àqueles que se submetem à Sua vontade. Jacó experimentou essa honra quando teve sua vida transformada pelo Senhor e recebeu uma nova identidade, passando de Jacó para Israel (Gn 32.27,28). A honra concedida por Deus não é resultado de mérito humano, mas da Sua graça operando na vida daqueles que se rendem ao Seu propósito

Ev. WELIANO PIRES

07 junho 2026

Adeus ao meu querido amigo, Paulo Vasconcelos (PV)


No último dia 3 de junho, fui surpreendido com a triste notícia do falecimento repentino do meu amigo e conterrâneo, Paulo Nilton Gomes de Vasconcelos. Embora, ao longo dos anos, ele tenha enfrentado alguns problemas de saúde, jamais imaginei que partiria de forma tão repentina.

Minha mãe me enviou uma mensagem informando o ocorrido, e aquilo foi um choque para mim. Demorei algum tempo para processar a notícia, pois me recusava a acreditar que fosse verdade. Infelizmente, era.

Conheci Paulo Vasconcelos virtualmente, pelo Facebook, em meados de 2010, por intermédio do meu amigo e conterrâneo Eliomar Freire, que é seu primo e sempre foi muito próximo dele.

Paulo e eu éramos naturais da cidade de Terra Nova, Pernambuco, e parentes distantes, pois alguns dos nossos bisavós eram primos. Entretanto, seus pais mudaram-se de Terra Nova durante a sua infância para Petrolina, e eu não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Mais tarde, ele se mudou para Belém, no Pará, onde passou a maior parte da sua vida.

Eu conheci seus avós maternos e muitos dos seus parentes em minha cidade natal. Por isso, tínhamos muitos amigos em comum. Os seus tios Manoel Elizeu (Senhor), Dona Nelice e Sebastião Lopes de Sá (o nosso saudoso Bastinho), bem como suas respectivas famílias, são meus amigos de longa data.

Sabendo que meu posicionamento político era semelhante ao do seu primo Paulo Vasconcelos, Eliomar nos aproximou no ambiente virtual. A partir daí, passamos a participar de longas conversas sobre política e religião.

Paulo tinha alguns amigos simpatizantes do PT, e nós travávamos debates acalorados sobre política. Naquela época, Lula possuía supostamente, segundo as pesquisas, cerca de 80% de aprovação, e o pensamento de direita era visto quase como uma blasfêmia.

Digo “supostamente” porque, tanto Lula quanto sua sucessora, jamais venceram uma eleição presidencial no primeiro turno. Considerando que, para isso, basta obter mais de 50% dos votos válidos, seria natural imaginar que alguém com tal índice de aprovação tivesse grande facilidade para vencer a eleição no primeiro turno. Mas isso nunca ocorreu.

Sempre fiquei impressionado com o conhecimento que Paulo demonstrava sobre a política nacional e até mesmo sobre geopolítica. Possuía uma memória extraordinária e discorria sobre todos os governos passados, expondo detalhes das alianças políticas e dos planos econômicos dos governos Sarney, Collor, Itamar Franco, FHC e Lula. Era também admirador de Abraham Lincoln, Winston Churchill e Margaret Thatcher.

Nas questões políticas, tínhamos grande concordância. Entretanto, divergíamos frontalmente nas questões religiosas. Na época, Paulo era um ateu declarado, enquanto eu era presbítero da Assembleia de Deus. Por essa razão, ele fazia muitos questionamentos a respeito da Bíblia e da fé cristã, e eu procurava respondê-los com paciência, à luz das Escrituras.

Mesmo não concordando com minhas respostas teológicas, ele admirava meu conhecimento sobre o assunto. Nossos debates eram públicos, o que atraía a atenção de muitos parentes seus, católicos e evangélicos. Isso também me aproximou dessas pessoas no ambiente virtual, já que elas viviam na Região Norte do país, enquanto eu residia no Sudeste.

Paulo era um sujeito absolutamente autêntico e sem filtros. Detestava fingimentos e não admitia nenhuma forma de censura. Contava publicamente particularidades da sua vida, desdenhava dos próprios flagelos e falava palavrões sem receio de represálias. Ele mesmo se autodenominava “o tosco”.

Nas redes sociais, Paulo Vasconcelos conquistou amigos e desafetos pelo mesmo motivo: sua autenticidade e ausência de limites. Em sua opinião, todos os assuntos deveriam ser tratados publicamente, sem censura. Naturalmente, isso lhe trouxe muitos problemas.

Toda essa proximidade que desenvolvemos no ambiente virtual, somada ao histórico de debates entre nós, deu origem a uma amizade genuína e duradoura, baseada no respeito mútuo, na sinceridade e na confiança. Com a popularização do WhatsApp no Brasil, passamos a conversar com mais frequência.

Ele escrevia histórias da própria vida e pedia a amigos músicos que as transformassem em canções. Sempre me enviava essas composições e desabafava comigo quando enfrentava algum problema pessoal. Também compartilhava seus momentos de alegria.

Alguns de seus parentes me diziam: “Paulo Vasconcelos gosta muito de você e sempre fala bem de você”. Quando alguém me criticava em grupos de WhatsApp por causa do meu posicionamento político, ele fazia questão de me defender, afirmando que eu era uma pessoa de bem.

Ele depositava tanta confiança em mim que decidiu escrever sua autobiografia e me escolheu para organizar os relatos de sua vida em um livro. Para isso, enviou-me detalhes de sua trajetória: a infância em Terra Nova e Petrolina; as férias com os avós maternos na Fazenda Juazeiro, em Parnamirim, Pernambuco; a juventude rebelde em Petrolina; os jogos de futebol, uma de suas grandes paixões; o namoro com Silvany, o grande amor de sua vida; as muitas viagens como comprador de feijão; e, por fim, sua trajetória empresarial.

Ele me enviava os relatos com riqueza de detalhes e dizia: “Quero que tudo seja escrito sem limites e sem frescura. Não retire nada!”. Sabia que, por ser evangélico, eu possuo uma linguagem mais polida e não escreveria certas coisas da maneira como ele desejava. Às vezes, era preciso negociar para suavizar algumas passagens.

Trata-se de uma história de vida emocionante. Se a família tiver interesse em publicá-la, eu encaminharei de bom grado todas as anotações que recebi, pois esse era um desejo dele.

Paulo foi um sertanejo nascido em uma pequena cidade do interior pernambucano que saiu do nada e conquistou prosperidade financeira com honestidade e muito trabalho. Quando nos aproximamos, ele estava no auge do sucesso empresarial e falava de milhões de reais com a mesma naturalidade com que eu falo de dez reais.

Em sua vida, enfrentou também muitos dissabores, especialmente problemas de saúde física e emocional. Lutou contra a obesidade mórbida, submeteu-se a uma cirurgia bariátrica e enfrentou diversas complicações. Também combateu o alcoolismo e uma profunda depressão. Fazia uso de medicamentos fortes, que lhe causavam inúmeros efeitos colaterais.

Apesar de ser um grande empresário naquela época, o dinheiro nunca lhe subiu à cabeça. Estava sempre disposto a ajudar quem precisava. Sou testemunha de que auxiliou muitos parentes. Alguns dos que conheço guardam profunda gratidão por tudo o que ele fez por eles.

Também providenciou a distribuição de caminhões de alimentos para pessoas necessitadas de nossa cidade, sem esperar nada em troca. Nunca foi político, e aquelas pessoas sequer tinham condições de retribuir sua generosidade.

Paulo Vasconcelos foi um amigo virtual que a vida me presenteou. Entre os pontos positivos e negativos dessa amizade, os positivos prevaleceram. Sentirei saudades de nossas conversas, de sua autenticidade e de sua sinceridade.

Rogo a Deus que conforte seu pai, irmãos, filhos, tios, primos, demais parentes e amigos neste momento de luto e tristeza pela partida de um ente querido.

Adeus, meu amigo. Foi muito bom conhecê-lo, mesmo sem ter tido a oportunidade de apertar sua mão, abraçá-lo ou comparecer ao seu velório para lhe dar o último adeus.

Weliano Pires 
São Carlos, SP 




05 junho 2026

A COLUNA DE BETEL

(Comentário do 3⁰ tópico da Lição 10: a experiência transformadora de Jacó)

Neste terceiro e último tópico, falaremos a respeito da coluna de Betel, um monumento erguido por Jacó com a pedra que havia posto por cabeceira.

Após despertar daquele sonho, profundamente impactado pela visão que tivera, Jacó tomou a pedra que havia usado como travesseiro, transformou-a em uma coluna e derramou azeite sobre ela.

Depois da consagração dessa coluna, Jacó fez um voto a Deus, movido por um sentimento de fé e profunda gratidão. Nesse voto, comprometeu-se a ter Deus como o único Senhor de sua vida e a entregar o dízimo de tudo o que viesse a possuir.

Por fim, falaremos sobre o concerto de Deus com Jacó. Embora Deus já tivesse revelado que a bênção da aliança seria dele, Jacó, inicialmente, não esperou no Senhor e tentou alcançar essa bênção por meio do engano. Entretanto, Deus revelou-se a ele e reafirmou as suas promessas.

1. A pedra transformada em coluna. 

Jacó levantou-se de madrugada, tomou a pedra que havia colocado por cabeceira e a ergueu como uma coluna memorial, para marcar e recordar a extraordinária experiência que tivera naquele lugar. Em seguida, derramou azeite sobre ela, consagrando-a ao Senhor. Na cultura do Antigo Testamento, era comum erguer memoriais para preservar a lembrança de acontecimentos marcantes relacionados à ação de Deus.

O próprio Senhor ordenou, em diversas ocasiões, que o seu povo estabelecesse memoriais. Antes da saída de Israel do Egito, por exemplo, Deus instituiu a Páscoa para que as futuras gerações se lembrassem da libertação do povo da escravidão egípcia. Da mesma forma, após a travessia do rio Jordão, Deus ordenou que fossem retiradas doze pedras do leito do rio e colocadas como memorial daquele grande milagre (Js 4.5-7).

Esses memoriais tinham a finalidade de manter viva a lembrança dos feitos de Deus e transmitir às gerações futuras o testemunho de sua fidelidade. A coluna erguida por Jacó em Betel cumpria esse mesmo propósito: recordar o encontro que ele teve com o Senhor e as promessas que lhe foram feitas.

Embora, na Nova Aliança, não sejamos chamados a erguer monumentos ou símbolos materiais como memoriais da fé, devemos preservar e transmitir às próximas gerações a memória das obras de Deus em nossa vida. Uma das maneiras de fazer isso é compartilhando os testemunhos das bênçãos, livramentos e transformações que o Senhor realizou em nós.

2. O voto de gratidão a Deus (Gn 28.20-22). 

Durante o ato de consagração daquele memorial a Deus, Jacó fez um voto a Deus, assumindo dois compromissos para com Deus. Ele prometeu que, se o Senhor fosse com ele naquela viagem, lhe providenciasse os alimentos e as vestes, e lhe fizesse voltar em paz à casa dos seus pais, o Senhor seria o seu Deus e ele daria o dízimo de tudo. 

O comentarista colocou aqui que Jacó fez voto com um sentimento de fé e gratidão. Entretanto, estas promessas de Jacó, indicam que ele ainda estava na dúvida e propôs uma barganha com Deus. Ora, Deus havia acabado de lhe prometer exatamente isso. Então, não faria sentido fazer um voto dizendo “se o Senhor fizer…”. 

As promessas de Jacó, no entanto, demonstram que iniciou-se uma transformação em seu coração. Ele prometeu a Deus que não teria outros deuses e o Senhor (Yahweh) seria o seu Deus. Prometeu também dar o dízimo de tudo. Neste ponto, há um erro no texto da revista, dizendo que Jacó seguiu o exemplo de Melquisedeque, que deu o dízimo de tudo a Abraão. Na verdade, foi o contrário. 

Não havia ainda a lei exigindo dízimos e ofertas. Portanto, esta promessa de Jacó era de uma contribuição voluntária ao Senhor. Infelizmente, na atualidade há muitas pessoas combatendo o dízimo, dizendo que isso é coisa da Lei. Entretanto, o dízimo é o resultado de um coração grato a Deus por tudo o que Ele nos deu e o reconhecimento de que tudo pertence a Ele.

3. O concerto de Deus com Jacó. 

Neste subtópico, estudamos a aliança de Deus com Jacó. Na cultura patriarcal, a bênção da primogenitura era normalmente concedida ao filho mais velho. Contudo, Deus, em sua soberania, nem sempre seguiu essa lógica humana, escolhendo, em algumas ocasiões, filhos mais novos para dar continuidade à linhagem da promessa, como ocorreu com Isaque e, posteriormente, com Jacó.

Também observamos a conduta de Esaú, que desprezou o seu direito de primogenitura ao trocá-lo por um prato de lentilhas (Gn 25.29-34). Entretanto, essa não foi a razão pela qual Deus escolheu Jacó para ser herdeiro da promessa. Antes mesmo do nascimento dos gêmeos, o Senhor já havia declarado: “o maior servirá ao menor” (Gn 25.23), demonstrando que sua escolha fazia parte de seus propósitos soberanos.

Por outro lado, antes de seu encontro transformador com Deus, Jacó também apresentava falhas em seu caráter. Ele agiu de forma egoísta e oportunista ao se aproveitar da necessidade do irmão para negociar o direito de primogenitura. Mais tarde, com a ajuda de sua mãe, enganou seu pai para receber a bênção destinada ao primogênito (Gn 27.1-29). Apesar disso, Deus não escolhe as pessoas com base em seus méritos, mas segundo a sua graça e soberania.

A história de Jacó nos ensina que a escolha divina manifesta a soberania de Deus, enquanto a transformação do caráter evidencia a ação da sua graça na vida daqueles que se submetem à sua vontade. Assim, Deus continua chamando pessoas imperfeitas para cumprir seus propósitos e transformando-as à medida que elas se rendem ao seu senhorio.

Ev. WELIANO PIRES 

AS DESCOBERTAS DE JACÓ


(Comentário do 2⁰ tópico da Lição 10: a experiência transformadora de Jacó)

No segundo tópico, falaremos a respeito das descobertas de Jacó, ou seja, das conclusões a que ele chegou após despertar do sono. Veremos o que Jacó compreendeu ao acordar daquele sonho extraordinário. Todas essas descobertas apontavam profeticamente para Cristo.

A primeira conclusão a que Jacó chegou foi que Deus estava presente naquele lugar, conforme ele mesmo declarou: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28.16).

A segunda conclusão de Jacó foi que aquele lugar era a Casa de Deus. Por isso, ele deu àquele lugar o nome de Betel, que significa “Casa de Deus”, e declarou: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a Casa de Deus...” (Gn 28.17).

Por último, Jacó concluiu que o topo daquela escada representava o acesso aos céus, pois afirmou: “...e esta é a porta dos céus” (Gn 28.17c).

1. Jacó descobriu a presença de Deus. 

Conforme vimos no tópico anterior, Jacó deixou a casa de seus pais às pressas, temendo a ameaça de morte feita por seu irmão Esaú. Ele não levou bens consigo e partiu sozinho, provavelmente a pé, para uma terra distante e desconhecida.

Jacó ainda não possuía um conhecimento pessoal de Deus, nem mantinha com Ele um relacionamento semelhante ao de seu pai Isaque e de seu avô Abraão. Pelo contrário, sua história era marcada por enganos e atitudes reprováveis. Alguém poderia argumentar que ele enganou o irmão em obediência à sua mãe e que Esaú lhe vendeu voluntariamente o direito de primogenitura.

Isso é verdade. Contudo, Jacó também teve sua parcela de responsabilidade nesses acontecimentos. Primeiro, agiu de forma egoísta ao aproveitar-se da fome e da fragilidade de Esaú para obter vantagens pessoais. Segundo, mentiu ao seu pai, fazendo-se passar por seu irmão. Além disso, envolveu o nome de Deus em seu engano, afirmando que o Senhor havia providenciado rapidamente a caça que apresentava a Isaque.

Deus conhecia o caráter de Jacó e sabia de seu passado marcado por falhas e trapaças. Entretanto, foi ao seu encontro, manifestou-lhe a Sua graça e revelou-Se a ele. A partir daquela experiência, Jacó começou a conhecer a Deus de maneira pessoal. Assim como Jó, ele passou a ter uma experiência própria com o Senhor e não apenas um conhecimento baseado no testemunho de outras pessoas (Jó 42.5).

Nos momentos de aflição e desespero, Deus se faz presente para socorrer os seus servos. O nosso Deus não é o deus do deísmo, que teria criado o universo, estabelecido leis para o seu funcionamento e depois o abandonado à própria sorte. O Deus da Bíblia relaciona-se com o seu povo, acompanha a sua caminhada e intervém em seu favor. Seus olhos estão voltados para os que nele confiam, e Ele contempla as suas aflições. Por isso, o salmista declarou: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1).

Muitos estudiosos entendem que essa manifestação divina possui um forte significado cristológico. Alguns chegam a considerá-la uma cristofania, isto é, uma manifestação de Cristo antes da Sua encarnação. Embora o texto não afirme que Jacó tenha contemplado diretamente o Filho de Deus, a experiência aponta para Cristo, que é a revelação perfeita e visível de Deus à humanidade. O próprio Senhor Jesus associou a visão de Jacó à Sua pessoa (Jo 1.51). Da mesma forma, o apóstolo Paulo escreveu acerca de Cristo: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9).

2. Jacó descobriu a Casa de Deus. 

A segunda conclusão de Jacó foi que aquele lugar era a Casa de Deus, conforme ele mesmo exclamou: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a Casa de Deus” (Gn 28.17). Naturalmente, Deus não morava naquele lugar, assim como não mora em nenhum lugar desta terra. A Bíblia afirma que “Deus não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 17.24). Na Nova Aliança, o templo de Deus é o nosso corpo (1 Co 6.19).

Jacó ainda não possuía essa compreensão. Após ter aquela visão extraordinária em Betel, ele concluiu que aquele lugar era a morada de Deus. Por isso, chamou-o de Betel, que significa “Casa de Deus”. De fato, a presença de Deus manifestou-se naquele lugar. Jacó pôde senti-la, ouvir a voz divina e reagir com profunda reverência.

As Escrituras revelam a imensidão e a onipresença de Deus. Nenhum lugar seria suficiente para contê-lo. O céu é apresentado como o lugar da sua habitação (2 Cr 6.21). Além disso, Deus ordenou a construção do Tabernáculo para habitar no meio do seu povo (Êx 25.8).

Posteriormente, o rei Salomão construiu um suntuoso templo, revestido de ouro, e, ao inaugurá-lo, reconheceu que nenhum lugar poderia conter a plenitude da presença divina: “Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Rs 8.27).

O Novo Testamento esclarece que o Tabernáculo apontava para uma realidade maior: a Igreja como habitação de Deus neste mundo. Paulo escreveu: “Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Co 6.16).

Os templos que construímos são locais destinados ao culto e à oração (Mt 21.13). Por isso, devemos demonstrar reverência quando nos reunimos para adorar a Deus. O fato de o templo não ser a habitação literal de Deus não significa que qualquer atividade seja apropriada para esse ambiente. Trata-se de um lugar consagrado ao Senhor para o culto cristão. 

Entretanto, a verdadeira habitação de Deus somos nós. Por essa razão, devemos conservar a pureza do nosso corpo e viver de modo santo diante do Senhor.

3. Jacó descobriu a porta dos céus. 

A terceira descoberta de Jacó por meio daquela visão foi a Porta dos Céus, conforme declarou: “...e esta é a porta dos céus” (Gn 28.17). A escada vista por Jacó ligava a terra ao céu e, em seu topo, havia uma abertura de acesso à esfera celestial, por onde os anjos de Deus subiam e desciam.

O Senhor Jesus fez referência a essa visão ao aplicar a si mesmo a figura da escada contemplada por Jacó, indicando que ela apontava para a sua pessoa e obra: “Na verdade, na verdade vos digo que, daqui em diante, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51).

A porta é o meio legítimo de acesso a um lugar fechado. Quem procura entrar por outro caminho é considerado intruso ou invasor (Jo 10.1). No Novo Testamento, Jesus apresenta-se como a Porta: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9).

Essa declaração revela que Cristo é o único meio pelo qual o ser humano pode ter acesso a Deus e à vida eterna. Outras passagens bíblicas confirmam essa verdade de forma inequívoca: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6); “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).

A Bíblia também apresenta Jesus como o único Mediador entre Deus e a humanidade: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Tm 2.5). Portanto, não necessitamos da intercessão de anjos nem de pessoas que já morreram. O único que pode nos conduzir à presença de Deus é o próprio Filho de Deus, que se fez homem, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação.

Assim, a visão de Jacó não apenas revelou uma realidade espiritual daquele momento, mas também apontou profeticamente para Cristo, o único caminho que liga a terra ao céu e reconcilia o homem com Deus. 

Ev. WELIANO PIRES 

CHAMADO PARA ENSINAR : O desafio de ensinar a Palavra de Deus mesmo com poucos recursos.

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