09 agosto 2024

PROPÓSITO E MENSAGEM

(Comentário do 3º tópico da Lição 06 – O Livro de Ester)


Ev. WELIANO PIRES


No terceiro tópico, veremos o propósito e a mensagem do Livro de Ester. Falaremos da providência divina, para salvar o seu povo, apesar das suas escolhas fora da vontade de Deus. Falaremos também da falsa estabilidade dos judeus que decidiram permanecer na Pérsia, mesmo após o fim do cativeiro. Por último, veremos a instituição da festa de Purim para comemorar o livramento dado aos judeus. 


1- A providência divina. Assim como aconteceu no Livro de Rute, onde vimos Deus agir para preservar a descendência de Elimeleque e Noemi e através desta, trazer o Messias, no Livro de Ester, vemos também a providência de Deus, para preservar o seu povo do extermínio. Ao longo dos séculos, os filhos de Israel já sofreram várias tentativas de extermínio. Não fosse a providência de Deus, este povo já teria sido extinto, como muitos outros da antiguidade. 

A primeira tentativa de exterminar o povo hebreu aconteceu no Egito, após a morte de José e seus irmãos. Levantou-se um Faraó que não havia conhecido José e, preocupado com o crescimento da população hebréia, tentou matar os bebês israelitas, mas Deus interveio e os libertou das mãos de Faraó. Mesmo após a saída do Egito, Faraó os perseguiu até o Mar Vermelho, mas ele e o seu exército pereceram no meio do mar. 

Durante a jornada pelo deserto, vários inimigos se levantaram e tentaram impedir Israel de chegar à terra prometida, mas apesar das murmurações, Deus deu vitória e cumpriu a promessa feita a Abraão de dar aquela terra aos seus descendentes. Depois que entrou na terra prometida, Israel também enfrentou exércitos poderosos e os venceu, pois Deus estava com eles. 

Após a morte de Josué, o povo caiu na idolatria e, por falta de liderança, se tornou uma anarquia. Por causa disso, Deus permitiu que várias nações os oprimissem, mas não deixou que fossem exterminados. Os filisteus, amalequitas, midianitas, amonitas, assírios, babilônios e muitos outros atentaram contra Israel, mas não conseguiram exterminá-los. 

Nos dias de Ester, mesmo tendo recebido autorização para voltar à sua terra, muitos judeus preferiram permanecer na Babilônia e na Pérsia. Ao contrário dos assírios e dos babilônios, que foram cruéis com os povos dominados, o Império Persa era mais brando e permitia certas liberdades. Voltar a cidade de Jerusalém, que estava destruída e começar tudo do zero, era um sacrifício e renúncia que muitos não estavam dispostos a fazê-lo. Apesar desta escolha equivocada, Deus teve misericórdia deles e não permitiu a sua destruição. 


2- Uma falsa estabilidade. Aqui, o comentarista faz um alerta sobre a confiança nas estruturas deste mundo, que muitas vezes parecem ser vantajosas e oferecer segurança. O povo de Deus sempre foi orientado a confiar no Senhor e não em suas próprias forças, nos seus exércitos ou nas riquezas. 

Muitas vezes Deus permite situações adversas, para que o seu povo o buscasse. Nos dias de Josafá, três exércitos poderosos se uniram contra Judá e, do ponto de vista humano, Israel não tinha a menor chance de vencer aqueles inimigos (2 Cr 20.1,2). Josafá temeu e decidiu buscar ao Senhor. Ele apregoou um jejum em todo o Judá e fez uma longa oração, pedindo o socorro de Deus. O Senhor lhe respondeu dizendo que, naquela peleja, eles não precisariam lutar, pois a peleja era de Deus. Josafá, então, ordenou que os cantores louvassem a Deus. O Senhor colocou emboscadas e os inimigos fugiram. 

Situação parecida aconteceu nos dias de Ezequias, quando o poderoso rei Senaqueribe da Assíria enviou cartas afrontando a Deus e ao rei de Judá. Ezequias não tinha a menor possibilidade de vencê-los, pois os assírios eram uma potência militar naqueles dias. Ezequias e o profeta Isaías oraram ao Senhor pedindo socorro. Deus enviou um anjo e este feriu 185 mil homens do exército da Assíria. 

Nos dias de Ester, muitos judeus se acomodaram à vida no cativeiro, confiando na estabilidade que o Império Persa lhes oferecia. Tudo parecia ir muito bem, até que surgiu o plano maligno de Hamã para destruir todo o povo judeu. Foi necessário a intervenção divina, através de Mardoqueu e Ester, para livrá-los do extermínio. 

Infelizmente, em nossos dias, muitos crentes também se acostumaram à vida neste mundo e confiam no dinheiro e na proteção das leis humanas. Esquecem que não somos daqui e que somos completamente dependentes de Deus. A pandemia veio para provar que neste mundo, ninguém está seguro. Se o Senhor não nos proteger estaremos perdidos: “O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra” (Sl 121.2).


3- A Festa de Purim. A festa de Purim é uma festa milenar dos judeus, que é comemorada até hoje, no dia 14 do mês de Adar (Fevereiro/Março). Esta festa não foi instituída no Pentateuco, mas é obrigatória no Judaísmo em todo o mundo. Se não fosse pelo Livro de Ester, não saberíamos a sua origem. 

O nome Purim é o plural de Pur, que significa sorte. Na ocasião, Hamã, o agagita, descendente de Agague, rei dos amalequitas e inimigo dos judeus, conseguiu fazer o rei Assuero assinar um decreto para que matassem todos os judeus das províncias do Império Persa. A sorte dos judeus estava lançada e na Pérsia, as leis não poderiam ser revogadas, nem mesmo pelo imperador. 

Após a denúncia de Ester ao rei Assuero contra a maldade de Hamã, o mandou enforcá-lo na forca que ele fizera para Mardoqueu. O rei não podia revogar o decreto que ele mesmo havia assinado contra os judeus. Mas ele assinou outro decreto permitindo que os judeus se vingassem dos seus inimigos apenas no dia 13 de Adar. Eles venceram os seus inimigos no dia 13, e Mardoqueu instituiu a festa de Purim para o dia 14. Falaremos deste assunto na última lição deste trimestre. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág.39

Comentário Bíblico Beacon. Vol. II. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 543.

Patterson, D. K, KELLEY, R. H. Comentário Bíblico da Mulher – Antigo Testamento. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp. 897-98

MACARTHUR, John. Manual bíblico MacArthur: Gênesis a Apocalipse. Tradução Erica Campos. RIO DE JANEIRO: Thomas Nelson, 2ª Ed. 2019.

07 agosto 2024

O CONTEXTO HISTÓRICO

(Comentário do 2º tópico da Lição 06 – O Livro de Ester) 

Ev. WELIANO PIRES


No segundo tópico, falaremos do contexto histórico do Livro de Ester. Faremos neste tópico um resumo dos cativeiros da Assíria e da Babilônia, até chegar ao Império Persa, que foi o contexto dos fatos narrados no Livro de Ester. Traremos também alguns detalhes do final do cativeiro babilônico. Por último, falaremos do período pós-exílio, que foi o período em Ester se tornou a rainha da Pérsia. 


1- O povo hebreu no exílio. O contexto histórico do Livro de Ester está no governo de Xerxes I, ou Assuero, como está no texto bíblico. Neste período, o cativeiro já havia chegado ao fim, pois o decreto de Ciro, em 539, havia autorizado os judeus a retornarem para a sua terra. Porém, muitos judeus que nasceram no cativeiro e outros que estavam estabilizados ali, não quiseram retornar para a terra de Israel, que estava em ruínas desde a invasão babilônica. 


Para compreender este contexto, é preciso voltar ao período anterior ao cativeiro do povo de Israel. Primeiro é preciso esclarecer que houve dois cativeiros. Houve o cativeiro das dez tribos do Norte, que foram levadas para a Assíria em 722 a. C. Estes não retornaram mais para a sua terra, pois o rei da Assíria trouxe outros povos para habitar na região (2 Rs 17.23,24). 


Cerca de 100 anos depois, aconteceu também o cativeiro do Reino do Sul, que foi levado para a Babilônia em três etapas: Em 605, foram levados o rei de Judá e membros da família real, entre eles Daniel e seus companheiros; em 597 foram levados outros, entre eles, o profeta Ezequiel; por último, em 586, foi levado o restante do povo e Jerusalém foi completamente destruída). No caso do Reino do Sul, Deus prometeu através do profeta Jeremias, que o cativeiro duraria setenta anos (Jr 25.11). Isto por causa da promessa do advento do Messias, através da descendência de Davi. 


Os motivos para o povo de Israel ser levado cativo, tanto no Reino do Norte quanto no Reino do Sul, foram os mesmos: idolatria, violência, injustiça e opressão ao pobre. O Reino do Norte, desde a divisão das tribos de Israel após a morte de Salomão, se entregou completamente à idolatria. Não houve nenhum rei que temesse a Deus. Todos foram ímpios. 


O Reino do Sul, embora tenha contado com alguns Reis piedosos como Asa, Josafá, Jotão, Ezequias e Josias, teve também muitos reis idólatras que afrontaram a Deus, como Roboão, Jeorão, Acaz, Manassés, Amom, Jeoaquim e Zedequias. Por isso, Deus permitiu que eles também fossem levados cativos. Mesmo vendo o exemplo dos seus irmãos do Norte e sendo advertidos muitas vezes pelos profetas, não deram ouvidos. 


2- O fim do exílio. Deus usou a Assíria e a Babilônia como instrumentos de punição, respectivamente, contra Israel e Judá. Estes dois impérios eram cruéis e foram extremamente violentos contra o povo de Israel. O profeta Jeremias descreveu os horrores praticados pelos babilônios, no Livro de Lamentações. 


O profeta Habacuque, teve uma visão de que Judá seria dominado pela Babilônia e reclamou com Deus, dizendo: “Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1.11). O profeta não entendia como Deus poderia permitir que uma nação ímpia oprimisse o povo de Israel. Mas Deus lhe respondeu que também iria punir aquela nação. 


Tanto a Assíria quanto a Babilônia foram julgadas por Deus e foram vencidas seus inimigos. O Império Assírio foi dominado pelos medos, com o apoio da Babilônia. Em 612 a.C., o rei da Assíria foi morto e Nínive, a capital da Assíria foi destruída. 


A Babilônia se fortaleceu e dominou várias nações, inclusive Judá. Após a morte de Nabucodonosor, a hegemonia babilônica entrou em decadência e foi vencida pela coalizão dos medos e dos persas, liderada por Ciro, o Grande, em 539 a.C. 


3- O pós-exílio. Depois que dominou a Babilônia, Ciro decretou o fim do cativeiro dos judeus em 539 a.C. e autorizou o retorno deles para a sua terra. Cerca de 200 anos antes de Ciro nascer, o profeta Isaías profetizou a respeito dele, dizendo “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante da sua face…” (Is 45.1). Ciro teve contato com esta profecia, provavelmente através do profeta Daniel e decretou o fim do cativeiro dos judeus.


Sob a liderança de Zorobabel um grupo de 42.360 judeus, sem contar os seus servos (Ed 2:64-65), voltaram para iniciarem os trabalhos de reconstrução do templo em Jerusalém. Depois, outro grupo liderado por Esdras retornou, com a missão de ensinar a Lei ao povo e restabelecer o culto judaico. Por último, retornou um grupo de pessoas com Neemias para a reconstrução dos muros de Jerusalém. 


Mesmo com o fim do cativeiro decretado, muitos judeus nascidos na Babilônia e outros que estavam acostumados com a vida lá, não quiseram retornar para Jerusalém, que se encontrava totalmente destruída e os pobres que lá ficaram viviam na mais profunda miséria. Mardoqueu e Ester fazem parte dos que permaneceram no cativeiro e viviam em Susã, capital do Império Persa. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág.39

Comentário Bíblico Beacon. Vol. II. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 543.

Patterson, D. K, KELLEY, R. H. Comentário Bíblico da Mulher – Antigo Testamento. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp. 897-98

MACARTHUR, John. Manual bíblico MacArthur: Gênesis a Apocalipse. Tradução Erica Campos. RIO DE JANEIRO: Thomas Nelson, 2ª Ed. 2019.


06 agosto 2024

A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO

(COMENTÁRIO DO 1º TÓPICO DA LIÇÃO 06 – O LIVRO DE ESTER).

Ev. WELIANO PIRES


No primeiro tópico, veremos a categorização do livro de Ester, apresentando a posição do Livro na Bíblia Hebraica e na Bíblia Cristã. Apresentaremos também as características literárias do livro, destacando a sua historicidade objetiva e o estilo menos dialógico, que difere do Livro de Rute. Por último, veremos as informações referentes à autoria e data da composição desta obra, que são incertas.


1- A categorização de Ester. Na lição 02, quando falamos do Livro de Rute, vimos que, embora o conteúdo da Bíblia Hebraica e o do Antigo Testamento da nossa Bíblia sejam iguais, a ordem e a quantidade de livros são diferentes. A Bíblia hebraica está organizada por assunto e é formada por três seções: Torah (Lei), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos). Este três nomes formam a sigla Tanak, que é a junção das letras iniciais destas três palavras. Dentro do Ketuvim, há um grupo de cinco livros pequenos, chamados de Megillot, que são lidos nas festas judaicas: Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester. O Livro de Ester é lido durante a celebração da festa de Purim. 


O Antigo Testamento da Bíblia Cristã, também está organizado por assunto e se divide em quatro grupos: Pentateuco (Lei), Livros históricos, Livros poéticos e Livros proféticos. O Livro de Ester aparece no  mesmo grupo do Livro de Rute e faz parte do conjunto dos Livros históricos, que são: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. 


Muitos ateus e teólogos liberais tentam desqualificar o Livro de Ester como um livro histórico e dizem que se trata apenas de uma história de ficção ou um romance da antiguidade. Entretanto, o Livro de Ester cita nomes e acontecimentos históricos que podem ser confirmados, como veremos nos próximos tópicos. É um livro que faz parte do Cânon Sagrado, ou seja, foi inspirado pelo Espírito Santo e é parte da inerrante, infalível e perfeita Palavra de Deus. 


2- Características literárias. O Livro de Ester é composto por 10 capítulos e 167 versículos. O seu gênero literário é narrativo, porém, diferente do Livro de Rute, não contém tantos diálogos entre os personagens. O narrador ocupa a maior parte do texto, descrevendo os fatos sem fazer parte deles. É bastante comum nos livros históricos da Bíblia, o escritor não falar em primeira pessoa, mesmo quando ele faz parte dos acontecimentos. Por exemplo, a autoria dos Livros de Samuel é atribuída a ele próprio, mas em momento algum a narrativa se refere a Samuel em primeira pessoa, exceto em diálogos que ele participou. O mesmo ocorre nos Livro do Pentateuco, Josué, Esdras, etc. A exceção é o Livro de Neemias, onde há algumas falas de Neemias em primeira pessoa. Até mesmo os Livros proféticos mencionam os profetas em terceira pessoa, como se eles não fossem os escritores. 


O Livro de Ester tem como principal característica a objetiva historicidade, ou seja, o texto traz informações específicas sobre o rei Assuero, mencionando que este Assuero reinou sobre cento e vinte e sete províncias, desde a Índia até à Etiópia (Et 1.1). O nome Assuero não era o nome próprio de um rei, e sim um título de um monarca da Pérsia. É a transliteração do  termo hebraico Akhashverosh, que corresponde ao termo persa Khsayarsqha, e é chamado no grego de Xerxes. Estes detalhes históricos em relação a Assuero nos permitem identificá-lo como Xerxes I, que governou o Império Persa de 486 a.C, a 465 a.C. 


Conforme nos informou o comentarista, o Livro de Ester também é a fonte histórica da festa judaica de Purim (Et 9.20-33), que é comemorada nos dias 14 e 15 do mês de Adar (Fevereiro/Março) até aos dias atuais pelo povo judeu. A instituição dessa festa não consta na Lei Mosaica, como outras festas de Israel. Entretanto, ela se tornou uma celebração nacional de todos os judeus. Até mesmo os saduceus, que só aceitavam a Torah como Livros Sagrados, celebravam esta festa. 


3- Autoria e data. Assim como acontece em praticamente todos os livros históricos da Bíblia, o Livro de Ester não menciona em lugar algum quem o escreveu. As evidências internas nos permitem apenas saber que ele foi escrito por um judeu, devido ao amplo conhecimento do calendário e costumes judaicos e também pelo forte nacionalismo judaico. Por outro lado, era um judeu que nasceu ou viveu muitos anos na Pérsia, pois possuía amplo conhecimento dos costumes, história e etiqueta persa, e também do Palácio de Susã. Considerando este perfil, os nomes sugeridos para a autoria do Livro de Ester são Mardoqueu, Esdras e Neemias. 


A data da composição da obra também é incerta. As evidências internas indicam que o Livro foi escrito após a morte de Assuero, que ocorreu em 465 a.C. Isto porque, o texto de Ester 10.2 se refere ao governo de Assuero como se ele já estivesse concluído. Por outro lado, o Livro de Ester foi escrito antes da conquista da Pérsia pela Grécia, em 330 A.C., pois não há o uso de expressões ou costumes gregos. Portanto, o Livro foi escrito entre 465 e 330 a.C.


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág.39

Comentário Bíblico Beacon. Vol. II. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 543.

Patterson, D. K, KELLEY, R. H. Comentário Bíblico da Mulher – Antigo Testamento. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp. 897-98

MACARTHUR, John. Manual bíblico MacArthur: Gênesis a Apocalipse. Tradução Erica Campos. RIO DE JANEIRO: Thomas Nelson, 2ª Ed. 2019.

05 agosto 2024

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 06 – O LIVRO DE ESTER

Ev. WELIANO PIRES


REVISÃO DA LIÇÃO PASSADA


Na lição passada, falamos do casamento de Rute e Boaz, que foi o desfecho final da história de Rute e a conclusão da remição da família de Noemi. Esta história começa com a fome e o sofrimento da família de Elimeleque, por causa da sua morte e dos seus dois filhos. Mas termina com dois eventos marcantes: o casamento de Rute e Boaz, e o nascimento de Obede. A história de amor entre Rute e Boaz é um tipo do relacionamento da Igreja com Cristo. 


No primeiro tópico, falamos do compromisso de Boaz para com Rute de casar com ela. Rute poderia ter outras oportunidades fora de casa, mas preferiu ficar no lugar da bênção, sob a liderança de sua sogra Noemi, que elaborou um plano para aproximar Rute e Boaz. O caráter santo e justo de Rute e Boaz, levou-os a respeitar o processo e esperar o momento certo para terem qualquer intimidade. 


No segundo tópico vimos os detalhes do casamento de Boaz e Rute. Boaz estava decidido a se casar com Rute, mas havia um obstáculo, que era a preferência do parente mais próximo. Respeitando o processo, Boaz foi falar com o titular da remição da família. O casamento de Boaz com Rute ressalta o papel da liderança masculina que pressupõe atitude, amor responsável e honra à mulher.


No terceiro tópico falamos da remição da linhagem de Davi. Rute e Boaz geraram a Obede, que foi o avô do rei Davi e permitiu a continuidade da descendência de Noemi e Elimeleque. Esta linda história de amor entre um israelita próspero e uma estrangeira pobre e viúva é também um tipo do relacionamento espiritual de Cristo com a Igreja. 


LIÇÃO 06 – O LIVRO DE ESTER


INTRODUÇÃO


A partir desta lição até à última, teremos uma série de lições baseadas no Livro de Ester. Na primeira lição, vimos um resumo das biografias de Rute e Ester. Assim como fizemos com o Livro de Rute, na lição 02, nesta lição faremos um estudo panorâmico do Livro de Ester, trazendo as informações referentes à posição do Livro na Bíblia Hebraica e na Bíblia Cristã, autoria e data da redação, o contexto dos fatos narrados e a mensagem do Livro de Ester. Diferente do Livro de Rute, que faz menções constantes a Deus, no Livro de Ester não contém nenhuma referência direta a Deus, mas a providência divina está presente em todo o Livro. 


TÓPICOS DA LIÇÃO


No primeiro tópico, veremos a categorização do livro de Ester, apresentando a sua posição do Livro na Bíblia Hebraica e na Bíblia Cristã. Apresentaremos também as características literárias do livro, destacando a sua historicidade objetiva e o estilo menos dialógico, que difere de Livro de Rute. Por último, veremos as informações referentes à autoria e data da composição desta obra, que são incertas.  


No segundo tópico, falaremos do exílio do povo hebreu. Faremos neste tópico um resumo dos cativeiros da Assíria e da Babilônia, até chegar ao Império Persa, que foi o contexto em que deu os fatos narrados no Livro de Ester. Traremos detalhes do final da monarquia do Reino do Sul e do cativeiro babilônico. Depois falaremos do fim do exílio e o período pós-exílio. 


No terceiro tópico, temos a mensagem do Livro de Ester. Falaremos da providência divina, para salvar o seu povo, apesar das suas escolhas fora da vontade de Deus. Falaremos também da falsa estabilidade dos judeus que decidiram permanecer na Pérsia, mesmo após o fim do cativeiro. Por último, veremos a instituição da festa de Purim para comemorar o livramento dado aos judeus, que é comemorada até os dias atuais por eles. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág.39

Comentário Bíblico Beacon. Vol. II. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 543.

Patterson, D. K, KELLEY, R. H. Comentário Bíblico da Mulher – Antigo Testamento. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp. 897-98

02 agosto 2024

A REMIÇÃO DA LINHAGEM DE DAVI ATRAVÉS DE RUTE E BOAZ

(Comentário do 3º tópico da Lição 05: O CASAMENTO DE RUTE E BOAZ: A REMIÇÃO DA FAMÍLIA)

Ev. WELIANO PIRES


No terceiro tópico falaremos da remição da linhagem de Davi. A palavra remição (com ç) vem do verbo remir, que significa “obter de novo, ou tornar isento”. Remissão (com ss), por sua vez, vem do verbo remitir que significa conceder perdão, indultar. É derivado do latim remissionis e, por isso, escreve-se com “ss”.. Remição traz a idéia de resgate ou perdão de uma dívida por meio de algum esforço, ou pagamento por parte do devedor ou de alguém que faz isso por ele. Na remissão, o perdão é obtido por liberalidade, perdão, compaixão e misericórdia por parte do credor. Veremos neste tópico que Rute e Boaz geraram a Obede, que foi o avô do rei Davi e permitiu a continuidade da descendência de Noemi e Elimeleque. Esta linda história de amor entre um israelita próspero e uma estrangeira pobre e viúva é também um tipo do relacionamento espiritual de Cristo com a Igreja. 


1- O nascimento de Obede. Além da bênção do casamento, após ter ficado viúva e ter passado por muitas dificuldades junto com a sua sogra, Rute recebeu também a benção da maternidade. No primeiro casamento, ela não teve filhos, provavelmente por esterilidade do marido. Agora, o Senhor lhe concedeu um filho logo no início do casamento, que recebeu o nome de Obede, que significa “servo”, por indicação das amigas de Noemi. 


O nascimento de Obede foi muito festejado pelas mulheres de Belém e não era para menos. Este menino representava muito para Noemi. Quando retornou de Moabe, ela trazia dentro de si a amargura por ter perdido o esposo e os dois filhos e sem ter nenhum neto que pudesse dar continuidade à sua descendência. Além disso, ela já era idosa e não tinha mais possibilidade de ser mãe. 


Noemi já havia recebido todo apoio e amor da sua nora Rute. Agora, com a remição da família por Boaz, o Senhor completou a sua alegria dando-lhe um menino, que seria considerado seu neto e poder cuidar dela na velhice e dar sequência à sua descendência. Os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3) e os netos são a coroa dos avós na velhice (Pv 17.6). 


2- Boaz, um tipo de Cristo. A história de Rute e Boaz não é apenas a  história de um resgate das terras de uma família e o casamento de um parente próximo de um falecido para lhe suscitar descendência, como dizem, respectivamente, as leis do Resgatador e do Levirato. Esta bela história de amor é uma figura do relacionamento de Cristo com a Sua Igreja. A vida de renúncia, pureza, amor e submissão de Rute representa a Igreja de Cristo. Por outro lado, Boaz representa Cristo que é o nosso eterno Redentor. 


Quando falamos de tipo, nos referimos a pessoas, eventos, instituições e ofícios do Antigo Testamento, que apontavam para o Novo Testamento. A palavra tipo vem do grego typos, que significa golpe ou marca deixada por um golpe. Na tipologia bíblica, algo literal representa de forma intencional e planejada coisas espirituais. A Epístola aos Hebreus nos fornece abundantes exemplos de tipos do Antigo Pacto e os seus respectivos significados na Nova Aliança, apontando também a superioridade desta sobre aquela. Entretanto, é necessário ter cuidado para não inventar tipos e ir além daquilo que está escrito. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág.38.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.360.

CABRAL, Elienai. Relacionamentos em família: Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

Patterson, D. K, KELLEY, R. H. Comentário Bíblico da Mulher Antigo Testamento. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp.486-82.

https://www.comoescreve.com/2014/03/remissao-ou-remicao.html


01 agosto 2024

O CASAMENTO ENTRE BOAZ E RUTE

(Comentário do 2º tópico da Lição 05: O CASAMENTO DE RUTE E BOAZ: A REMIÇÃO DA FAMÍLIA)


Ev. WELIANO PIRES


No segundo tópico veremos os detalhes do casamento de Boaz e Rute. Boaz estava decidido a se casar com Rute, mas havia um obstáculo, que era a preferência do parente mais próximo. Respeitando o processo de remição, Boaz foi falar com o titular. O casamento de Boaz com Rute ressalta o papel da liderança masculina que pressupõe atitude, amor responsável e honra à mulher.


1- Concluindo o negócio. Rute foi informada por Noemi de que Boaz era o remidor da família e seguiu todas as orientações da sua sogra, como vimos no tópico anterior. É provável que Noemi não soubesse, ou não se lembrava de que havia um parente mais próximo, que era o remidor. Quando Rute comunicou a Boaz que ele era o remidor, ele respondeu que havia outro mais próximo. 


Tudo nos leva a crer que tanto Rute como Boaz estavam interessados em se casarem. Porém tinha um obstáculo para o casamento se concretizar, que era este parente mais próximo, que a Bíblia não cita o nome, nem o grau de parentesco dele com Elimeleque. Diante deste obstáculo, Boaz tomou a iniciativa de enfrentar o obstáculo e concluir  o processo do casamento. Como um homem responsável ele chamou para si a responsabilidade de enfrentar o obstáculo. 


Na sociedade pós-moderna, o papel do homem como líder da família e provedor do lar tem sido questionado e desconstruído. Por conta disso, muitos homens se tornam frágeis emocionalmente e não assumem as suas responsabilidades como esposo e pai de família. Deus criou o homem com características físicas e emocionais para liderar a família e prover-lhe sustento e segurança. Desde a criação, o homem sempre foi instruído desde cedo a se preparar para assumir as responsabilidades para com a família. A masculinidade é sinônimo de virilidade, segurança e defesa da mulher e dos filhos. Boaz é um exemplo de masculinidade, pois ele foi um modelo de generosidade e responsabilidade para com a família. 


2- Resgate e lei do levirato. Na lição passada falamos da Lei do resgatador (heb. Goel) e do casamento por Levirato (do latim Levir, que significa cunhado). A primeira visava o resgate das terras vendidas por causa de dívidas, pelo parente mais próximo para a família do falecido. A Lei do Levirato, por sua vez, previa que se um homem falecesse e não tivesse filho, o seu irmão solteiro deveria se casar com a viúva para suscitar descendência ao irmão falecido. O primeiro filho deste casamento seria considerado filho do falecido (Dt 25.5,6). 


Como vimos na lição passada, no tempo dos juízes, a aplicação da Lei do Levirato tinha sido ampliada e se aplicava não apenas ao irmão, mas também ao parente mais próximo, caso o falecido não tivesse irmão. Este era o caso de Malom, primeiro esposo de Rute. Ele faleceu sem deixar filhos e não tinha mais irmão, pois o seu irmão Quiliom também havia falecido em Moabe. Neste caso, para que a terra voltasse à família de Elimeleque, seria necessário que o resgatador além de comprar as terras, também se casasse com a viúva, que poderia ser Noemi ou Rute. Mas Noemi já era muito velha para ter filhos. 


Boaz, então, procurou o parente mais próximo e explicou-lhe que ele tinha o dever de resgatar as terras de Elimeleque. O homem se dispôs a resgatar a terra, mas quando ficou sabendo que fazia parte do pacote casar-se com a viúva, abriu mão da responsabilidade. Infelizmente, há pessoas que pensam apenas no lado econômico e, quando se trata de assumir responsabilidades, não querem saber. Muitos casamentos atualmente se acabam por este motivo. Outros nem acontecem, porque uma das partes não tem condições financeiras. As pessoas valorizam mais o “ter” do que o “ser”. 


3- O registro público. Com a desistência do seu primo, o caminho estava livre para Boaz se casar com Rute. Segundo a Lei do Levirato, se o cunhado não quisesse se casar com a viúva, ela deveria comunicar o fato aos anciãos da cidade. O homem deveria ser chamado à presença dos anciãos para explicar a recusa. Caso insistisse na recusa, a mulher se chegaria a ele, na presença dos anciãos, descalçaria o sapato dele e cuspiria no rosto dele, como sinal de protesto. O apelido do tal homem passaria a ser “a casa do descalçado”. (Dt 25.7-10).


Boaz era um homem correto e queria fazer tudo dentro da legalidade. Por isso, resolveu falar com o homem na porta da cidade. Ali era um local movimentado, por onde passavam todos os que entravam e saiam da cidade. Haviam ambulantes, várias atividades comerciais e discussões d questões de interesse público. Era uma espécie de câmara municipal. 


A porta da cidade era o lugar ideal para Boaz encontrar testemunhas e fazer o registro público da desistência do seu primo de casar-se com Rute, perante os anciãos da cidade. Ao mesmo tempo, ele anunciaria o seu casamento com Rute e ela seria recebida pelos anciãos do povo, como membro da comunidade de Israel. Tanto os anciãos como o povo em geral, se colocaram como testemunhas e proferiram palavras de bênçãos sobre o casal (Rt 4.9-11). 


Infelizmente, em nossos dias, muitas pessoas querem apenas se amasiar ou manter um relacionamento sem nenhum compromisso oficial, alegando que o casamento é apenas um papel. Ora, mesmo antes de haver o casamento civil, já havia os procedimentos, onde as autoridades e testemunhas confirmavam o casamento. Deus nunca aprovou nenhuma forma de clandestinidade. O interessante é que estas mesmas pessoas quando compram ou vendem imóveis e veículos não dizem que o documento é só um papel. Um homem de verdade quando assume publicamente o seu casamento, até mesmo para dar dignidade e proteger a sua esposa. 


REFERÊNCIAS: 


QUEIROZ, Silas. O Deus que governa o Mundo e cuida da Família: Os ensinamentos divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

REVISTA ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 3º Trimestre de 2024. Nº 98, pág.38.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.360.

CABRAL, Elienai. Relacionamentos em família: Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

Patterson, D. K, KELLEY, R. H. Comentário Bíblico da Mulher Antigo Testamento. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp.486-82.

JESUS, O VERBO DE DEUS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O Verbo que se tornou carne) Ev. WELIANO PIRES No segundo tópico, falaremos de Jesus como o Verbo de D...