05 dezembro 2024

A MARAVILHOSA PROTEÇÃO DE DEUS

(Comentário do 2° tópico da Lição 10: A Promessa de proteção divina). 

Ev. WELIANO PIRES 

No segundo tópico, falaremos da maravilhosa proteção de Deus. Com base no primeiro verso do Salmo 91, falaremos da proteção divina prometida a quem se relaciona com Deus. Em seguida, falaremos de Deus como o nosso refúgio e fortaleza, trazendo os significados de várias expressões que aparecem em sentido figurado, como “laço do passarinheiro”, “peste perniciosa”, espanto noturno e outras que aparecem no mesmo Salmo. Por último, falaremos da Onipotência de Deus, com base na palavra “Altíssimo” que aparece nos versos 1 e 7, deste Salmo. 

1- A proteção de quem se relaciona com Deus. O Salmo 91 é de autoria desconhecida, pois não possui título ou quaisquer informações que nos permitam identificar o autor, data ou circunstâncias em que foi escrito. Alguns estudiosos judeus sugerem que neste caso, podemos concluir que o autor é o mesmo do Salmo anterior. Se for este o caso, o autor seria Moisés, que é o autor identificado no Salmo 90. Este Salmo fala a respeito dos perigos que rondam a nossa vida, como armadilhas ocultas, pragas, terrores noturnos, flechas de adversários e ataques mortais de animais como cobras e leões. 
O primeiro verso do Salmo indica que a proteção de Deus é para aqueles que se relacionam com Ele: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará” (v.1). O verbo hebraico traduzido por habitar significa literalmente “sentar”. No contexto deste salmo significa “sentar-se em um local secreto na casa de alguém”, que no caso é Deus. Isso fala de comunhão e intimidade, pois, só pode sentar-se em um local assim na casa de alguém, quem tem intimidade com o dono da casa e desfruta da sua proteção. 
No caso de Deus, não se trata de um lugar físico e sim de uma linguagem simbólica para se referir ao acesso a Deus, mediante Jesus Cristo, o Único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Ninguém jamais conseguirá ter acesso a Deus se não for através de Cristo (Jo 14.6). Estar sob a proteção de Deus nos proporciona segurança e descanso. Jamais alguém conseguirá atingir aquele que está sob a proteção de Deus, exceto se Ele permitir. 

2- Deus, o nosso refúgio e fortaleza. No Verso 2 deste Salmo, o salmista faz três afirmações importantes sobre Deus, que analisaremos a seguir: 

a) Ele é o meu Deus. Esta afirmação demonstra o seu relacionamento pessoal com Deus (meu Deus). O salmista não se refere ao Deus dos seus pais ou de qualquer outra pessoa, mas ao seu próprio Deus. A palavra hebraica traduzida por Deus neste texto é Elohim, que é o plural de Eloah e pode se referir a qualquer deus, aos anjos ou mesmo a homens poderosos. Mas, aqui se refere ao Deus Criador. O salmista usa o pronome possessivo meu, pois,  ele conhecia a Deus por experiência própria.
b) O meu refúgio. Significa um esconderijo onde se tem proteção e segurança. Em muitos salmos, os compositores afirmaram que Deus é o nosso refúgio, como no Salmo 46, que diz: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”.
c. Fortaleza. Eram os quartéis generais, ou lugares de segurança máxima, que eram os últimos lugares a serem invadidos pelos inimigos. Em Deus nós estamos totalmente seguros, pois ninguém tem condições de invadir o esconderijo dos seus escolhidos. 
d) Em quem eu confio. Deus é absolutamente digno de confiança, porque Ele é Fiel e jamais falhará. Não há possibilidade de alguém ter relacionamento com Deus, sem que haja confiança ou fé nele. 

Nos versos 3 a 13, o salmista usa linguagem simbólica para falar da proteção de Deus em várias situações de perigo:
a) O laço do passarinheiro. Literalmente refere-se às armadilhas preparadas pelos caçadores para capturar passarinhos. Em sentido figurado se refere aos planos malignos do inimigo para nos tragar. O inimigo é ardiloso e prepara os seus laços para nos capturar e nos destruir, mas o nosso Deus conhece tudo e nos livra. 
b. A peste perniciosa, peste que anda na escuridão e mortandade que assola ao meio dia. Refere-se às doenças incuráveis. Conforme já estudamos na lição 6, o Senhor promete curar as nossas enfermidades. Mas, esta promessa só se cumprirá em sua plenitude, na glorificação do nosso corpo. 
c. Debaixo das suas asas estarás seguro. No verso 4, o salmista usa a simbologia de uma pássaro que abriga os seus filhotes debaixo das suas asas para aquecê-los e protegê-los da chuva e do sol. Em seguida, Ele faz a aplicação em relação à proteção de Deus e diz que a Sua Verdade é o nosso escudo e broquel, que é um escudo móvel que protegia dos ataques de espada. 
d. O terror noturno e seta que voe de dia. É uma referência aos medos e pavores que assustam a nossa alma. Quem está escondido em Deus não tem medo de assombração, gato preto, sexta-feira 13, feitiçaria e manifestações demoníacas. 
e. Seta que voe de dia. Refere-se aos perigos reais durante o dia, representados pelas flechas envenenadas lançadas pelos inimigos. 
f. Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita. Deus promete proteção e livramento em meio a uma guerra com ataques de todos os lados. 
g. Verás a recompensa dos ímpios. Refere-se às ações de Deus contra os malfeitores. Quem está guardado em Deus não precisa se preocupar em agir com as próprias forças contra aqueles que nos perseguem. No tempo certo, Deus entrará com providência e dará a devida recompensa a todas as maldades praticadas. 
h. Proteção angelical. Nos versos 11 e 12 há a promessa de proteção dos anjos. Esta proteção, no entanto, não pode ser usada como desculpa para tentar a Deus, como o diabo sugeriu a Jesus. Os anjos são espíritos ministradores que cumprem ordens divinas em favor daqueles que servem a Deus. É importante saber que, mesmo trabalhando em nosso favor, os anjos não obedecem às nossas ordens. Portanto, não podemos jamais fazer orações aos anjos ou adorá-los. Lamentavelmente, em muitas igrejas há uma angelolatria e dão mais ênfase aos anjos que ao próprio Jesus. 
i. Proteção contra ataques de inimigos ferozes e mortais. O salmista usa a imagem do leão e da serpente, para falar da proteção de Deus contra os ataques do inimigo, que é a antiga serpente e brama como leão, buscando a quem possa tragar. Os versos finais concluem reafirmando que Deus protege aqueles que o amam. É também uma profecia messiânica e se refere ao Senhor Jesus.
 
3- A Onipotência de Deus. O Salmo 91 nos apresenta alguns títulos de Deus que dão sustentação às suas promessas de proteção, cura e livramento, contidas ao longo de todo o Salmo. O primeiro destes títulos é “Altíssimo”. A palavra hebraica traduzida por Altíssimo é Elyon, que significa alto, elevado e exaltado. Quando este adjetivo é usado para se referir a Deus, automaticamente vai para o superlativo e significa altíssimo, muito elevado, superior a todos. Isto fala da grandeza, soberania e majestade de Deus, que domina sobre tudo e todos. 

O segundo título de Deus que aparece é Shaddai, que significa Todo-Poderoso, ou Totalmente Suficiente. Foi com este nome que Deus se revelou a Abraão, Isaque e Jacó. Este título fala da Onipotência, que é um dos atributos incomunicáveis de Deus. Este atributo exclusivo de Deus indica que Ele tem todo poder e não existe nenhum poder superior ou a Ele. Deus pode fazer tudo o que lhe apraz, sem ter que dar satisfação a ninguém. Não há ninguém que possa enfrentá-lo ou livrar-se da sua mão. “Ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos. Operando Eu, quem impedirá?” (Is 43.13).

O terceiro título que aparece é o tetragrama que corresponde às letras YHWH (Em hebraico, Yod, Hê, Vav, Hê). O significado deste nome é ser, existir e vir a ser, ou seja, enfatiza a imutabilidade, eternidade e fidelidade de Deus. Este nome divino foi transliterado para Yahweh (Javé) ou Yehowah (Jeová). Este último surgiu a partir de 1518, quando foram incluídas as vogais do nome Adonai ao tetragrama. Em nossas Bíblias em português, no lugar deste nome aparece o nome SENHOR, com letras maiúsculas. Este Nome é considerado sagrado pelos Judeus e eles pararam de pronunciá-lo, por volta do ano 300 a.C. Para não correr o risco de tomar o nome de Deus em vão os judeus o substituíram pelo nome Adonai, que significa Meu Senhor. Por causa disso, perdeu-se a pronúncia e não se sabe ao certo qual seria a pronúncia correta.  

04 dezembro 2024

PROTEÇÃO ESPIRITUAL CONTRA O INIMIGO

(Comentário do 1° tópico da Lição 10: A promessa de proteção divina)

Ev. WELIANO PIRES

No primeiro tópico, falaremos da proteção espiritual contra o inimigo. Primeiro, falaremos da proteção divina contra o nosso maior inimigo que é o diabo. Na sequência, falaremos de outros inimigos espirituais do crente, descritos em Efésios 6, que são os principados, potestades, príncipes das trevas deste século e hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais. Por último, falaremos das armas espirituais do crente contra estes inimigos, que foram descritas em Efésios 6 pelo apóstolo Paulo. 


1- Proteção contra o maior inimigo. A Igreja do Senhor está no meio do campo de batalha neste mundo. O primeiro grande inimigo do cristão nesta batalha é o diabo e seus anjos. O diabo é o arquiinimigo de Deus e, portanto, ele odeia o povo de Deus. Além disso, ele é um inimigo perigosíssimo, pois é mentiroso e pai da mentira. O seu modo de agir é caracterizado pela falsidade, sutileza e toda sorte de engano. 


Muitas pessoas no mundo atual negam a existência do diabo. Para os secularistas e ateus,  o diabo é apenas uma fantasia ou mito criado por pessoas que não querem assumir as suas culpas pelos próprios erros e os atribuem ao diabo. Os filósofos e psicólogos, por sua vez,  dizem que a figura do diabo faz parte do subconsciente do ser humano e está relacionada aos impulsos e desejos egoístas de pessoas que querem fugir das próprias responsabilidades e criam uma figura mitológica, responsável pela origem de todos os males. 


Os judeus reconhecem que o diabo é uma pessoa, mas dizem que ele não é um ser autônomo, inimigo de Deus e do seu povo, mas é um agente de Deus, criado exatamente para exercer o papel de acusador diante de Deus. Os Calvinistas têm posição semelhante à dos judeus. Embora creiam que o diabo é um ser maligno, inimigo do povo de Deus e que é já está condenado, ensinam que o diabo está a serviço de Deus e só faz aquilo que Deus decretou.


Quando falamos de batalha espiritual, precisamos tomar cuidado para não cairmos no erro de pensar que há um dualismo entre Deus e o diabo, como se fossem duas forças equivalentes que disputam para ver quem vai vencer. Isso não tem nenhum fundamento bíblico, pois, Deus é soberano sobre o Universo e tem o domínio de tudo. O inimigo já está derrotado e não há possibilidade alguma dele vencer a batalha. Por outro lado, precisamos ter cuidado para não cair no erro dos neopentecostais que acham que basta "amarrar o diabo" ou fazer algumas declarações que ele foge. O diabo é astuto e muitas vezes se disfarça de anjo de luz (2Co 11.14). 


2- Os inimigos espirituais em Efésios. O diabo não é o único inimigo espiritual do cristão. Ele é o chefe das forças do mal e o seu reino é organizado. O apóstolo Paulo disse: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. (Ef 6.12). Este texto nos deixa claro que o reino das trevas é organizado e possui hierarquia, sob o comando do diabo. Jesus disse que “todo reino dividido contra si mesmo será destruído” (Mt 12.25).  Por isso, o reino das trevas não briga entre si. Quem faz isso são os crentes carnais, que promovem divisão no meio da Igreja e disputam posições. 


Há algumas recomendações na Bíblia para vencer o inimigo e as suas hostes espirituais. A primeira delas é conhecer a sua forma de atuação, pois é um erro fatal entrar em uma guerra sem conhecer o inimigo e as suas estratégias de guerra. Um exército que possui um armamento superior, pode ser facilmente derrotado, se entrar em um campo desconhecido. É preciso conhecer a Palavra de Deus, para cair nos enganos do inimigo. 


A Bíblia nos recomenda a nos revestimos do Senhor e da força do seu poder (Ef 6.10). Nenhum cristão consegue vencer o inimigo com a própria inteligência, influência política, oratória, experiência, etc. Se não estiver revestido do poder do Espírito Santo, será facilmente derrotado pelo inimigo. É preciso também ser sóbrio e vigiar, como disse Pedro (1 Pe 5.8), pois o inimigo é astuto e anda em derredor, brama do como leão, buscando a quem possa tragar.  Tiago nos recomendou sujeitar-se a Deus e resistir ao diabo, pois assim ele fugirá (Tg 4.7). A Bíblia não nos manda fugir do diabo, mas enfrentá-lo. Se estivermos cheios de Deus, o inimigo fugirá. Devemos fugir do pecado e das obras da carne, não do diabo. 


3- As armas espirituais do crente. Se a nossa batalha é espiritual, as armas que devemos usar nesta batalha também são armas espirituais. Escrevendo aos Coríntios, o apóstolo Paulo disse que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas são poderosas em Deus, para a destruição das fortalezas”. (2 Co 10.4). Paulo usou a simbologia da armadura do soldado romano, para descrever a armadura do cristão. O apóstolo recomendou que o cristão deve tomar “toda a armadura de Deus” e não apenas uma parte dela. A armadura de Deus é completa e tem as armas de defesa e ataque. As armas espirituais mencionadas por Paulo são: 

a) O cinto da verdade. O soldado romano usava um cinturão de couro que prendia a sua roupa ao corpo durante a luta, evitando que a sua espada caísse, ou que o seu corpo ficasse sem a proteção. Este cinto representa a verdade de Cristo e a integridade do caráter do cristão.

b) A couraça da justiça. Era uma vestimenta de couro que protegia os órgãos vitais do soldado durante o combate. Representa a Justiça de Cristo que nos é atribuída por Deus e também a vida santa que o Espírito Santo produz em nós.

c) O escudo da fé. O escudo era uma arma de defesa, feita de couro e madeira, com a qual, o soldado se protegia de flechas inflamadas, lançadas contra ele. Representa a confiança inabalável em Deus. Quem confia plenamente em Deus não se abate com as investidas do inimigo.  

d) Os pés calçados da preparação do Evangelho da paz. O soldado romano usava uma bota com cravas, para dar estabilidade e evitar que ele escorregasse. O Evangelho de Cristo, nos traz a paz com Deus, pois somos reconciliados com Ele mediante a fé em Cristo. Isto nos proporciona firmeza e impede que caiamos nos enganos do diabo. 

e) A espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. As lutas naqueles tempos eram travadas na espada cara a cara. O soldado precisa ter habilidade tanto para se defender com a espada, quanto para atacar. Qualquer vacilo, seria fatal. A espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, é uma arma indispensável ao Cristão, pois serve para se defender dos ataques do inimigo e também para atacar o pecado. Jesus usou a Palavra de Deus para vencer as investidas do inimigo no deserto (Mt 4.1-11). A Palavra de Deus é uma arma muito poderosa, mas é preciso saber manejá-la bem (12 Tm 2.15)


Por último, o apóstolo recomenda o cristão a “buscar a Deus com toda a oração e súplica no Espírito, em todo o tempo.” (Ef 6.18). Para vencer a batalha espiritual é indispensável o cristão manter-se em vigilância, oração e perseverança. Estas coisas precisam caminhar juntas, uma não exclui a necessidade das outras. Há crentes que oram muito, mas não vigiam e não perseveram em oração. Por isso, são vencidos. 


REFERÊNCIAS: 


RENOVATO, Elinaldo. As promessas de Deus: Confie e viva as bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu. RIO DE JANEIRO : CPAD, 1ª Ed. 2024.  

ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2024, Ed. 99, p. 41. 

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, pp. 1655,56.

SOARES, Esequias; SOARES, Daniele. Batalha Espiritual: O Povo de Deus e a Guerra Contra as Potestades do Mal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp. 33,34. 

GOMES, Osiel. A Carreira que nos está proposta: O caminho da Salvação, santidade e perseverança para chegar ao Céu. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024.

Bíblia de Estudo Pentecostal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2002, p.883.


03 dezembro 2024

INTRODUÇÃO À LIÇÃO 10: A PROMESSA DA PROTEÇÃO DIVINA

Ev. WELIANO PIRES

Nesta lição, estudaremos sobre a promessa divina de proteção ao seu povo. Não nos referimos à proteção contra inimigos humanos, mas à proteção espiritual contra o diabo e seus demônios. O apóstolo Paulo escreveu que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra as hostes espirituais da maldade, nas regiões celestiais.

Apesar do tema da lição ser promessa de proteção, o comentarista enfatizou bastante o tema da batalha espiritual. Muitos crentes na atualidade vivem apavorados com medo do diabo, de trabalhos de feitiçaria, de maldições e de qualquer coisa ligada ao ocultismo. Precisamos ter em mente que o Senhor nos deu poder sobre o inimigo e aquele que está em nós é maior que tudo. Em relação ao inimigo das nossas almas, precisamos evitar dois equívocos: subestimar as suas artimanhas e achar que ele está “amarrado”; ou superestimá-lo a ponto de achar que está medindo forças com Deus. 

No primeiro tópico, falaremos da proteção espiritual contra o inimigo. Primeiro, falaremos da proteção divina contra o nosso maior inimigo que é o diabo. Na sequência, falaremos de outros inimigos espirituais do crente, descritos em Efésios 6, que são os principados, potestades, príncipes das trevas deste século e hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais. Por último, falaremos das armas espirituais do crente contra estes inimigos, que foram descritas em Efésios 6 pelo apóstolo Paulo. 

No segundo tópico, falaremos da maravilhosa proteção de Deus. Com base no primeiro verso do Salmo 91, falaremos da proteção divina prometida a quem se relaciona com Deus. Em seguida, falaremos de Deus como o nosso refúgio e fortaleza, trazendo os significados de várias expressões que aparecem em sentido figurado, como “laço do passarinheiro”, “peste perniciosa”, espanto noturno e outras que aparecem no mesmo Salmo. Por último, falaremos da Onipotência de Deus, com base na palavra “Altíssimo” que aparece nos versos 1 e 7, deste Salmo. 

No terceiro tópico, falaremos de promessas e proteção. Inicialmente, falaremos da promessa de que os inimigos da Igreja serão derrotados, que se cumprirá integralmente no final de todas as coisas. Na sequência, falaremos da promessa de segurança e vitória para os que temem ao Senhor. Devemos fazer a nossa parte e cuidar da nossa segurança, mas sabendo que se o Senhor não nos proteger, não estaremos seguros. Por último, falaremos da abrangência da proteção divina. Esta promessa abrange a nossa vida e a nossa família, onde quer que estejamos. 


REFERÊNCIAS: 

RENOVATO, Elinaldo. As promessas de Deus: Confie e viva as bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu. RIO DE JANEIRO : CPAD, 1ª Ed. 2024.  
ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2024, Ed. 99, p. 41. 
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. RIO DE JANEIRO: CPAD, pp. 1655,56.
SOARES, Esequias; SOARES, Daniele. Batalha Espiritual: O Povo de Deus e a Guerra Contra as Potestades do Mal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp. 33,34. 
Bíblia de Estudo Pentecostal. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2002, p.883.

29 novembro 2024

BÊNÇÃOS, PAIS E FILHOS

(Comentário do 3º tópico da Lição 09: Promessas para país e filhos).

Ev. WELIANO PIRES 

No terceiro tópico, falaremos das bênçãos prometidas aos pais e filhos. Primeiro falaremos da promessa de bênçãos para a posteridade. Os pais devem orar para que as bênçãos do Senhor venham sobre os seus filhos. Depois, falaremos da família como um lugar onde os filhos devem ser abençoados, principalmente através do culto doméstico, para que eles se desenvolvam espiritualmente. Por último, falaremos da proteção dos pais aos filhos. Os pais devem fazer do lar um ambiente em que os filhos estejam protegidos em todos os aspectos: físico, emocional e espiritual. 

1- Bênçãos para posteridade.  Neste ponto, o comentarista destaca a promessa de bênçãos espirituais para os filhos e menciona a promessa do batismo no Espírito Santo. Como fundamentação bíblica, ele cita o texto de Isaías 44.3,4, que diz: “Porque derramarei água sobre o sedento e rios, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes. E brotarão entre a erva, como salgueiros junto aos ribeiros das águas.” Na verdade, este texto não se refere ao batismo no Espírito Santo, mas é uma promessa de derramamento do Espírito Santo para Israel. Este avivamento acontecerá no Milênio, quando todo Israel se converterá a Cristo. Mas, o texto traz sim promessa para os filhos (sobre a tua prosperidade… sobre os teus descendentes). 

Na sequência, o autor faz menção ao texto de Joel 2.28 que diz: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” Este sim, refere-se à promessa do batismo no Espírito Santo, conforme foi dito pelo apóstolo Pedro no Dia de Pentecostes, em Atos 2.16.17: “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos”. Mais adiante em seu discurso, Pedro diz: “A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, o nosso Senhor, chamar”. (At 2.39). 

Os pais devem incentivar os filhos a buscarem o revestimento de poder, desde a infância. O Senhor Jesus batiza também crianças, adolescentes e jovens com o Espírito Santo. Na minha infância, eu sempre participei de cultos de oração e vigílias. Fui batizado com o Espírito Santo em uma vigília, aos 12 anos de idade. Infelizmente, muitos pais imaginam que os seus filhos devem apenas brincar, inclusive no templo. Não ensinam os filhos a orar e a buscar o revestimento de poder. Mas não deve ser assim. Temos vários exemplos de pessoas na Bíblia que buscaram a Deus na infância e adolescência, como José, Samuel, Davi, Timóteo e o próprio Jesus, que aos 12 anos estava no templo falando da Palavra de Deus com os doutores da Lei. 

2- Família: Lugar onde os filhos devem ser abençoados. O nosso lar deve ser um ambiente espiritual, onde buscamos a Deus em oração, lemos a Palavra de Deus e cantamos hinos de louvor a Deus. Aliás, na Igreja Primitiva, os crentes não tinham templos e cultuavam a Deus nas casas. Por isso, Paulo usa a expressão “a Igreja que está em sua casa”, referindo-se ao casal Priscila e Áquila (1 Co 16.19). Os irmãos estavam sempre juntos nas casas, cultuando a Deus e fazendo refeições juntos. Eles não se reuniam para falar mal dos outros ou da liderança da Igreja. Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos reunis, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação, faça-se tudo para edificação”. (1 Co 14.26). 

Hoje, graças a Deus, temos os nossos templos para nos reunirmos e cultuar a Deus com mais conforto, som e um espaço mais amplo do que as nossas casas. Mas, isso não significa que devemos cultuar a Deus somente no templo. Precisamos reunir a nossa família em nossas casas e também adorar a Deus. Nas lutas e dificuldades, os membros da família precisam estar juntos e encontrar amparo uns nos outros. Os nossos filhos precisam nos ver orando, estudando a Palavra de Deus e falando das coisas de Deus. No lar cristão não pode haver brigas, desrespeito, xingamentos, músicas profanas, novelas e filmes indecentes. Quando os nossos filhos, porventura, ouvirem algo que não agrada a Deus e repetirem em casa, devemos explicar para eles que Deus não se agrada daquilo. 

3- Pais que protegem seus filhos. No primeiro tópico, quando falamos de pais e filhos, com base no Salmo 127, a referência é aos filhos que são úteis aos pais, pois auxiliam no trabalho e ajudam a defender a família dos inimigos. Aqui neste ponto, o comentarista faz referência aos pais como protetores dos filhos na infância, adolescência e juventude, quando eles ainda estão em desenvolvimento e não têm ainda experiência de vida. As crianças são frágeis em todos os aspectos e precisam de proteção. Uma criança não tem noção dos riscos de acidentes e os pais precisam estar atentos para evitar fatalidades. É preciso proteger os nossos filhos também emocionalmente para evitar traumas psicológicos. Crianças não podem assistir qualquer coisa e ter contato com a violência e a imoralidade. No aspecto espiritual também as crianças precisam de proteção. O satanismo e o ocultismo estão por toda parte e nós precisamos proteger as nossas crianças destas abominações. Lamentavelmente, há pais cristãos que deixam os seus filhos assistirem filmes de terror e bang-bang. Os resultados serão trágicos. 

Na adolescência e juventude, embora os nossos filhos já tenham noção dos perigos físicos, eles são afoitos e gostam de correr riscos. Os pais precisam estar alertas com certas diversões que podem causar acidentes e até mortes como pipas, bicicletas, skates, represas, etc. Do ponto de vista emocional também os adolescentes e jovens são facilmente manipuláveis e podem ser influenciados por pessoas de má índole. Os pais precisam tomar cuidado com as amizades dos filhos e com aquilo que eles acessam na internet. O perigo está por toda parte. Os nossos filhos precisam ter confiança nos pais para falar sobre qualquer assunto e não se aconselharem com estranhos. 

REFERÊNCIAS: 

RENOVATO, Elinaldo. As promessas de Deus: Confie e viva as bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024. 
RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 94
ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2024, Ed. 99, p. 40.
SWINDOLL, Charles R. Vivendo Provérbios. 13ª. Ed. Rio de Janeiro: 2023, p. 229. 

28 novembro 2024

O CUIDADO DOS PAIS COM OS FILHOS

Comentário do 2° tópico da Lição  09: Promessas para pais e filhos).

Ev. WELIANO PIRES

No segundo tópico, falaremos do cuidado dos pais com os filhos. O primeiro cuidado que os pais devem ter, é cultivar o ensino da Palavra de Deus aos filhos, começando no lar e depois conduzindo-os à Igreja local. Na sequência falaremos das prioridades na vida familiar, enfatizando que o cristão deve priorizar a sua família, pois, se as famílias estiverem bem, a Igreja também estará. Por último, falaremos da disciplina e estímulo aos filhos, que deve ser equilibrada e baseada no amor. A disciplina deve ser feita através do ensino e do exemplo dos pais. 


1- Cultivando o ensino da Palavra de Deus. A Igreja local, principalmente o pastor e o professor da Escola Dominical, tem a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus aos crentes. Entretanto, o ensino da Palavra de Deus deve começar em casa. É de responsabilidade dos pais ensinar aos seus filhos a Palavra de Deus. O tema da leitura bíblica diária da quarta-feira é: Cuidando dos filhos com a Palavra de Deus. Nas referências bíblicas, temos os textos de Deuteronômio 6.4-8 e 11.18,19. Nestes dois textos bíblicos, o Senhor fala para os pais ensinarem a Lei do Senhor aos filhos, assentados com eles à mesa, andando com eles no caminho, ao deitar e ao levantar. 


No Livro de Provérbios também há várias referências recomendando aos pais que instruam os seus filhos, mostrando-lhes o caminho em que devem andar. O texto mais conhecido é Provérbios 22.5 que diz: “Instrui à criança no caminho em que deve andar e quando envelhecer não se desviará dele”. Este texto nos mostra que os pais têm a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus aos filhos. Este ensino, no entanto, não deve ser apenas teórico. Os pais devem ensinar os filhos “no caminho” e não sobre o caminho. Ou seja, devem ensinar, andando também no caminho. O ensino do “faça o que digo, mas não o que eu faço”, não convence ninguém, principalmente as crianças. 


É importante esclarecer também que este texto não é uma promessa de que se ensinarmos a Palavra de Deus, os nossos filhos nunca se desviarão. Isso é uma tendência, pois aquilo que ensinamos na infância as crianças tendem a guardar por toda a vida. Mas, cada um é livre para fazer as suas escolhas. Há muitos pais que são servos de Deus e ensinaram a Palavra de Deus aos seus filhos, tanto na teoria, como no exemplo. Mas os filhos cresceram e se enveredaram por caminhos tortuosos. Neste caso, os pais fizeram a parte deles. 


Os nossos filhos passam várias horas por dia expostos a vários tipos de ensino perniciosos e a práticas que contrariam a Palavra de Deus. Por isso, precisamos gastar tempo com eles, para orar, ler a Bíblia e ensiná-los a ter um relacionamento com Deus. Não podemos negligenciar esta responsabilidade, ou deixá-los apenas a cargo da Igreja. Infelizmente, muitos pais crentes não se preocupam com a salvação dos seus filhos e não lhes ensinam a Palavra de Deus. Depois que os filhos crescem e dão trabalho ficam se perguntando onde erraram. 


2- Prioridades na vida familiar. Na sociedade pós-moderna, há muita correria e excesso de atividades. Há cobrança por todos os lados no trabalho, nos estudos e até na Igreja. É preciso estar conectado e se qualificar, senão fica para trás e não consegue trabalho. Um empresário, ou executivo de uma grande empresa, por exemplo, precisa estar antenado com várias informações da economia, política, tecnologia, leis, atualidades, etc. Participa de várias reuniões com acionistas, fornecedores, funcionários e clientes. Sendo assim, saem de casa cedo e voltam tarde, exaustos. Os operários, construtores, bancários, vigilantes, comerciantes, domésticas, atendentes, etc. também chegam em casa tarde, cansados e exaustos, tanto no aspecto físico como psicológico.  Sendo assim, não tem tempo e disposição para a família. 


Até mesmo os pastores e obreiros em geral tem tantas atividades, que muitas vezes não sobra espaço na agenda para a família. Mas não deve ser assim. Nos textos bíblicos em que há requisitos para se exercer o ministério, ou orientações para os obreiros, sempre é enfatizado o cuidado com a família. Escrevendo a Timóteo e a Tito, o apóstolo Paulo falou que os bispos e diáconos devem cuidar bem da sua casa e dos seus filhos (1Tm 3.2,4,12; Tt 1.5,6). Esta recomendação não se limita aos obreiros. Paulo disse também que “se alguém não cuida da sua família e dos seus, negou a fé e é pior do que o infiel”. (1Tm 5.8).


Se não podemos dar conta de fazer tudo o que nos é exigido, devemos estabelecer prioridades em nossa vida. Neste ponto, o comentarista apresentou uma proposta de prioridades na vida dos casais, que segundo ele, a família estaria assistida, se esta ordem for seguida: 1) o cônjuge; 2) os filhos; e 3) a igreja local. Muitos casais erram e prejudicam a família colocando os filhos acima do cônjuge. Outros colocam a igreja local à frente da família, o que também é um erro, pois se as famílias estiverem desestruturadas, a Igreja também estará, pois ela é formada de famílias. Alguém poderia perguntar: E Deus? não está em primeiro lugar? Na verdade, Deus não entra nesta lista, porque Ele deve estar presente em todos os momentos da nossa vida. Seja em casa, na Igreja, no trabalho, no lazer, Deus precisa ocupar o primeiro lugar em nossa vida. 


3- Disciplina e estímulos aos filhos. A disciplina é um ponto bastante polêmico, principalmente, porque muitas pessoas não sabem o significado de disciplina e a confundem com agressão. Por um lado há os liberais, que ensinam que não se pode jamais castigar uma criança e querem argumentar com as crianças de igual para igual, como se elas tivessem discernimento de adulto. Por outro lado, há os que praticam agressões e espancamentos, que podem até matar, achando que isso é disciplina. Isso é incompatível com a conduta cristã e é caso de polícia. 


Estes dois extremos devem ser evitados. Do ponto de vista bíblico, a disciplina tem dois aspectos. A disciplina pode ser uma referência à repreensão ou castigo, como em Hebreus 12.7,8. Nesse caso, o pai pode corrigir o filho que lhe desobedece, mas esta correção precisa ser moderada e com amor. Também deve ser o último recurso, caso haja insistência na desobediência. O outro aspecto da disciplina é o treinamento para desenvolver hábitos saudáveis, sejam alimentares, morais, ou espirituais (Ef 6.4; 1Tm 3.4). Os soldados e os atletas são usados como exemplos de disciplina. Os pais também devem ensinar bons hábitos aos seus filhos e treiná-los na prática. 


Nem só de disciplina vivem os filhos, como muitos pais antigos imaginavam. Deve haver também o estímulo por parte dos pais, para que o lar não se transforme num quartel. Os pais precisam elogiar os filhos quando eles acertarem. Há pais que são muito rápidos para repreender e criticar. Mas quando os filhos fazem algo de bom, ou obtém boas notas, dizem que não fizeram nada além da sua obrigação. Os pais também devem oferecer carinho, afago e brincar com eles, para que eles possam desenvolver afetividade para com os pais e os seus semelhantes. 


REFERÊNCIAS: 

RENOVATO, Elinaldo. As promessas de Deus: Confie e viva as bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024. 
RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os ataques do inimigo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 94
ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2024, Ed. 99, p. 40.
SWINDOLL, Charles R. Vivendo Provérbios. 13ª. Ed. Rio de Janeiro: 2023, p. 229. 

27 novembro 2024

O RELACIONAMENTO BÍBLICO ENTRE PAIS E FILHOS

(Comentário do 1° tópico da Lição 09: Promessas para pais e filhos)

Ev. WELIANO PIRES

No primeiro tópico, falaremos do relacionamento bíblico entre pais e filhos. Com base no Salmo 127, falaremos dos filhos como herança e galardão do Senhor, e da responsabilidade dos pais para com os filhos, em relação à educação e formação espiritual deles. Na sequência, falaremos da promessa para os filhos, que está condicionada à obediência aos pais. Por último, falaremos do mandamento e promessa para os pais, na criação dos seus filhos.

1- Pais e filhos. O Salmo 127 é de autoria de Salomão e faz parte de grupo de salmos chamados de “Cânticos dos degraus”, que vai do Salmo 120 ao 134. Alguns dizem que estes salmos são assim chamados, porque os levitas os cantavam enquanto subiam os degraus do templo. Outros dizem que os peregrinos cantavam estes salmos, quando subiam anualmente a Jerusalém, durante a viagem. Estes salmos expressam diversas experiências e sentimentos do povo de Deus em diferentes situações da vida, como angústias, calúnias, falta de segurança, cativeiro, felicidade no lar, etc. 

A mensagem do Salmo 127 é que todos os benefícios que temos provém de Deus. Se Ele não nos concedê-los, todos os nossos esforços, na construção da casa,  na segurança da cidade, ou no trabalho para ganhar o pão, serão em vão (Sl 127.1,2). Nos versos 3 e 4, o salmista fala da importância dos filhos, como herança e galardão do Senhor, e os compara a flechas nas mãos de um guerreiro, que as usa para se defender dos inimigos. Isto nos mostra que os filhos são úteis aos pais e também para a sociedade. 

Uma sociedade de pessoas estéreis ou com poucos filhos, em pouco tempo será uma sociedade de idosos, como está acontecendo nos países da Europa. Na sociedade pós-moderna, os filhos se tornaram fardos para muitos casais, que não querem ter trabalho, ou se sacrificar pela próxima geração. Não são poucos os casais que se casam e não querem ter filhos. Querem substituí-los por animais de estimação e chegam ao cúmulo de dizer que são “pais e mães de pets”. Por outro lado, pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo querem, a qualquer custo, adotar filhos. Há também mulheres que engravidam em relacionamentos sem nenhum compromisso e querem  abortar o filho, ou são forçadas pelo parceiro a fazê-lo, como se a criança fosse um objeto descartável, que pode ser jogado fora após o uso. É uma total inversão de valores. A presença do pai e da mãe, desde a concepção e durante toda a infância, é fundamental para a formação do caráter dos filhos e proteção deles. 

2- Um mandamento com promessa para os filhos. O quinto mandamento do Decálogo é direcionado aos filhos e é o primeiro dos mandamentos que vem com uma promessa condicional à sua obediência. Este mandamento ordena: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. (Êx 20.12). Na Epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo, em seu ensino para os filhos, diz que eles devem obedecer aos pais no Senhor, porque isso é justo. Em seguida, ele menciona este mandamento e acrescenta “para que te vá bem e vivas muito sobre a terra”. (Ef 6.1-3).

A obediência, o respeito e a honra aos pais é algo justo que agrada a Deus. Quando são pequenos, os filhos nada sabem da vida e necessitam das orientações e ordem dos pais,  para aprender e também para a própria proteção. Os nossos pais exercem autoridade sobre nós e, portanto, devemos obedecer-lhes, para o nosso bem. Quando eles dizem não é porque nos amam e querem o nosso bem. Não são poucos os filhos que se deram muito mal, por desobedecer aos pais. 

Além de obedecer, devemos também honrar os nossos pais, em qualquer fase da nossa vida. Muitos filhos pensam que, pelo fato de terem crescido, os pais são dispensáveis. Claro que na idade adulta, os filhos são livres para tomar as próprias decisões. Mas isso não significa que devem desprezar a experiência dos pais e os seus conselhos. Na velhice, os papéis se invertem e os nossos pais devem ser honrados e cuidados por nós. Lamentavelmente, muitos filhos são ingratos, têm vergonha dos pais e os abandonam à própria sorte. Mas, certamente, irão colher o que plantaram. 

3- Mandamentos e bênçãos para os pais.  Conforme vimos acima, os filhos são herança e galardão do Senhor para os pais. Há mandamento para os filhos obedecerem e honrarem aos seus pais, com promessa de bênção. Entretanto, para os pais também há mandamento e promessa. Em muitos textos do Antigo Testamento é ordenado aos pais que ensinem a Palavra de Deus aos filhos e os criem segundo os princípios da Palavra de Deus. Falaremos disso no próximo tópico. 

O apóstolo Paulo orienta também aos pais para que “não provocar a ira dos seus filhos, mas criá-los na doutrina e admoestação do Senhor”. (Ef 6.4). O termo grego traduzido por “provocar a ira” é  “parorgizo”, que significa irritar, provocar, ou enfurecer. Os pais não devem abusar da autoridade que têm sobre os filhos e irritá-los com atitudes e palavras insensatas. Os pais irritam os filhos quando estão ausentes em momentos importantes na vida dos seus filhos, preocupados apenas em ganhar dinheiro e nunca tem tempo para os filhos. Outra forma de provocar a ira dos filhos é abusar deles, não apenas no sentido sexual, mas em todos os sentidos. Há muitos pais que abusam dos filhos com cobranças exageradas para a idade deles, agressões físicas e psicológicas e excesso de regras. 

Na segunda parte, do versículo, Paulo recomenda aos pais para criarem os filhos na doutrina e admoestação do Senhor. O termo grego traduzido por “criar” é “ektrefo”, que significa “levar à maturidade”. Os pais, portanto, devem levar os seus filhos à maturidade, na “doutrina e  admoestação do Senhor”. A palavra grega traduzida por doutrina neste texto é “paideia”, que significa disciplia e treino. Já a palavra admoestação aqui é “nouthesia”, que significa literalmente “colocar na mente”. Portanto, os pais devem levar os seus filhos à maturidade, com treinando-os e colocando a Palavra de Deus na mente deles. 


REFERÊNCIAS: 

RENOVATO, Elinaldo. As promessas de Deus: Confie e viva as bênçãos do Senhor porque Fiel é o que prometeu. RIO DE JANEIRO: CPAD, 1ª Ed. 2024. 
RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os ataques do inimigo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 94
ENSINADOR CRISTÃO. RIO DE JANEIRO: CPAD, 2024, Ed. 99, p. 40.
SWINDOLL, Charles R. Vivendo Provérbios. 13ª. Ed. Rio de Janeiro: 2023, p. 229. 

23 novembro 2024

A PAZ QUE JESUS PROMETEU

(Comentário do 3º tópico da Lição 08: A promessa de paz)

Ev. WELIANO PIRES 

No terceiro tópico, falaremos da Paz prometida por Jesus. Veremos que Jesus é o Príncipe da Paz, como falou o profeta Isaías, e somente Ele pode oferecer a verdadeira paz. Na sequência, falaremos da paz como uma promessa redentora. Deus prometeu que nasceria um da descendência da mulher, para redimir o ser humano e restabelecer a Paz com Deus. Por último, veremos que esta paz prometida por Deus excede todo entendimento, acalma o nosso coração e nos fortalece diante dos dissabores desta vida. 

1- O Príncipe da Paz. Segundo a profecia de Isaías 9.6, Deus prometeu enviar o Messias, que teria os seguintes nomes: “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz”. No versículo seguinte, o profeta afirma que esta paz não terá fim. No Novo Testamento, vemos o cumprimento desta profecia, na Pessoa bendita de Jesus Cristo, que veio trazer a Paz. Conforme diz o Texto Áureo da lição, Jesus disse aos seus discípulos:  “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou…”. 

Esta paz prometida por Deus no Antigo Testamento e cumprida em Jesus no Novo Testamento, acompanha os seus discípulos atualmente não plenamente, mas como uma amostra do que será na eternidade. Quando Jesus enviou os seus discípulos, com a missão de pregar o Evangelho, Ele disse: “E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a; E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.” (Mt 10.12,13). Somos, portanto, portadores da paz que o Príncipe da Paz veio trazer. 

Entretanto, esta paz que Jesus veio trazer habita apenas no coração daqueles que nele crerem, pois a paz é fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). Certa vez, Jesus disse aos seus discípulos: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.” (Mt 10.34-36). Parece haver uma contradição deste texto, onde Jesus disse que “não veio trazer paz”, com o texto de João 14.27, onde Ele disse “Deixo-vos a paz”. É simples de compreender e não há contradição nenhuma. O fato é que Jesus veio trazer paz aos que nele creem, mas os que não crerem odiarão e serão inimigos dos discípulos de Jesus.

2- Uma promessa redentora. Quando Deus criou o primeiro casal, eles tinham paz e comunhão plena com Deus. Todos os dias, Deus visitava o Jardim e conversava com o casal. Entretanto, depois que eles pecaram contra Deus, tornaram-se inimigos de Deus e foram expulsos do Jardim. Deus é absolutamente Santo e não pode coabitar com o pecado. Para haver uma reconciliação entre Deus e o homem pecador, havia a necessidade de um redentor, ou seja, alguém que pagasse o preço do pecado e restabelecesse a paz com Deus. O próprio Deus prometeu enviar, através da descendência da mulher, alguém que derrotaria a serpente, que é o próprio Satanás (Gn 3.15; Ap 12.9).

Esta promessa de um redentor cumpriu-se em Cristo, que veio reconciliar o homem com Deus, mediante o seu sacrifício na cruz do Calvário. Jesus veio trazer a Paz com Deus e esta paz é obtida, unicamente através da justificação pela fé (Rm 5.1). Não pode haver paz entre o homem e Deus, se não houver justificação do pecado. Também não pode haver justificação do pecado por outro meio que não seja a fé em Cristo. Ninguém será justificado pelas obras, sofrimentos, sacrifícios ou merecimento. 

A paz com Deus está disponível a todos os povos. Na cruz, foi derrubada a parede de separação entre judeus e gentios: “Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. (Ef 2.14,15). Os judeus se vangloriavam de serem o povo de Deus e desprezavam os demais povos. Mas, Cristo veio trazer paz e reconciliar com Deus todos os que nele crerem, de todos os povos. 

3- Uma promessa que excede todo o entendimento. Escrevendo aos Filipenses, o apóstolo Paulo os orientou a não se inquietarem por coisa alguma, mas apresentarem as suas petições a Deus em oração, súplicas e ações de graças (Fp 4.6). Na sequência, ele diz: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Fp 4.7). Isso nos mostra que a paz que Jesus oferece não é a ausência de problemas e conflitos. É uma tranquilidade sobrenatural diante das circunstâncias adversas, que está acima da compreensão humana. 

Quando olhamos para a situação dos verdadeiros cristãos ao longo da história, podemos perceber esta paz de Deus em seus corações, diante de grandes tubulações. O apóstolo Pedro, por exemplo, viu o seu colega de ministério, Tiago, ser preso e executado a mando de Herodes. Em seguida, ele também foi preso e sabia que seria o próximo. Mas ele dormia tranquilamente na prisão, enquanto a Igreja fazia contínua oração por ele. Deus não lhe revelou que ele seria liberto da prisão, mas em momento algum ele entrou em desespero. 

Da mesma forma, Paulo e Silas foram açoitados com varas em Filipos e presos. Na prisão, presos com cadeias de bronze, sem poderem sequer sentar, sentindo as dores dos açoites, eles encontraram motivação para orar e cantar louvores a Deus. Eles tinham em seus corações, uma paz sobrenatural vinda de Deus, que excede toda a compreensão humana. Nenhum ser humano, se não estiver cheio de Deus, consegue ter paz em uma situação dessa. No final da carreira, o mesmo Paulo estava preso em Roma, sabendo que seria executado. Mesmo assim, ele escreveu a segunda Epístola a Timóteo, dizendo: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”. (2Tm 4 7). Na sequência deste texto, ele ainda falou para Timóteo trazer a capa, os livros e os pergaminhos. Como pode alguém que está preso em uma masmorra, aguardando o momento da sua execução, pedir livros e as Escrituras para ler? Somente a paz de Deus pode fazer isso. 

21 novembro 2024

A PAZ ILUSÓRIA DO MUNDO

(Comentário do 2° tópico da Lição 8: A promessa de paz)

Ev. WELIANO PIRES


No segundo tópico, falaremos da paz ilusória deste mundo. Veremos que a paz que o mundo oferece é uma paz enganosa, pois se limita ao que é terreno e humano. Falaremos também da suposta paz que muitos pensam ter, através da prática das obras da carne, que não passa de ilusão. Por último, falaremos da falsa paz que haverá durante a Grande Tribulação, que será superficial, frágil e de aparências. 


1- Uma paz enganosa. Conforme falamos no tópico anterior, segundo o dicionário, paz é a ausência de conflitos, guerras e desarmonia. Com o fim do período medieval, na chamada Modernidade, teve início os ideais igualitários e o racionalismo. Isso deu origem aos primeiros movimentos democráticos nas américas. Esperava-se obter a paz, prosperidade e harmonia entre os povos. Entretanto, ocorreu o contrário, tivemos o surgimento de regimes autoritários e genocidas como o Nazismo, Fascismo e Comunismo, e duas guerras mundiais que resultaram em milhões de mortos. 


No final da Segunda Guerra Mundial foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de “unir todas as nações do mundo em prol da paz e do desenvolvimento, com base nos princípios da justiça, dignidade humana e no bem-estar de todos.” Mas, o que se viu foi o surgimento da Guerra Fria, a corrida armamentista das grandes potências por armas nucleares, aumento de conflitos religiosos, aumento do terrorismo, aumento da fome e desigualdade social, etc.


As pessoas buscam paz também naquilo que lhes oferece momentos de prazer e sensação de bem estar, como os vícios, drogas e bailes, e nos discursos das falsas religiões. Os vícios, drogas e baladas, podem trazer a sensação de paz momentânea, especialmente à juventude, que procura preencher o seu vazio existencial. Mas esta paz é enganosa e passageira. Quando estes momentos passam, o interior da pessoa continua cheio de tensões e conflitos internos. Muitos jovens, inclusive, brigam e até morrem, por causa do envolvimento com estes prazeres que o mundo oferece. 


As falsas religiões também propagam discursos enganosos de paz sem Jesus, através de meditações, sacrifícios, incensos, boas obras, comunicação com espíritos e guias, objetos supostamente sagrados, etc. Mas, estas coisas, em vez de trazer paz, trazem mais perturbação aos corações das pessoas que as praticam. Por isso, Jesus disse que não dá a sua paz como o mundo a dá. A paz que Jesus oferece é verdadeira, eterna e oferece descanso e tranquilidade aos que nele confiam. Esta paz fez com que Paulo e Silas tivessem motivação para orar e cantar louvores na prisão, após terem sido barbaramente açoitados, sem terem cometido crime algum. 


2- A “paz” das obras da carne. Aqui, o comentarista faz menção às obras da carne, que oferecem uma paz ilusória aos que praticam tais obras. No capítulo 5, da Epístola aos Gálatas, o apóstolo Paulo fala sobre a liberdade cristã, que é uma referência a não viver sob o jugo das ordenanças da Lei. Entretanto, Paulo faz uma ressalva e diz aos gálatas que o fato de não estarem mais sujeitos à lei, não deve servir de justificativa para continuarem na prática do pecado. 


A partir do versículo 16, Paulo faz um contraste entre as obras da carne e o Fruto do Espírito e cita uma lista de 16 obras que são incompatíveis com a vida cristã. A palavra carne neste texto, no grego é sarx, e tem vários significados na Bíblia, principalmente nas epístolas. Pode significar fraqueza física (GI 4.13); o corpo ou o ser humano (Rm 1.3) o pecado (Gl 5.24), os desejos реcaminos (Rm 8.8). No texto  de Gálatas 5.19-21, carne significa a natureza ресаminоsa do ser humano. 


As obras da carne mencionadas por Paulo, se dividem em três grupos: 

a. Pecados contra a moral: Prostituição, impureza e lascívia;

b. Pecados contra a fé: Idolatria e feitiçaria;

c. Pecados contra o próximo: Inimizades, porfias, emulações/ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonarias. 


Paulo deixa claro que aqueles que se dizem cristãos e participam destas coisas não herdarão o Reino de Deus (Gl 5.21). Esta lista não é exaustiva, pois ele fala de “coisas semelhantes a estas”. As pessoas que vivem sem Deus, ou os falsos cristãos, praticam estas coisas buscando satisfação, felicidade e paz. Mas estas coisas, além de afrontarem a Deus, escravizam o ser humano e deixam um rastro de infelicidade onde são praticadas.


3- Uma falsa paz. Aqui, o comentarista usa a expressão “falsa paz”, referindo-se ao texto de 1 Tessalonicenses 5.3, onde o apóstolo Paulo fala sobre a falsa paz que será prometida na Grande Tribulação, que ocorrerá logo após o arrebatamento da Igreja. O governo do Anticristo assumirá o governo mundial, prometendo paz e segurança para o mundo. Mas, o que virá será exatamente o contrário, repentina destruição. 


Neste período, o mundo experimentará o aumento exponencial das guerras, fomes, desastres ambientais, doenças incuráveis e mortes. Estes acontecimentos foram profetizados por João no Apocalipse, representados por quatro cavaleiros, montados em cavalos das cores branca, vermelha, preta e amarela. Estas cores simbolizam, respectivamente: a falsa paz do Anticristo (branco), as guerras (vermelha),  os problemas econômicos  e a fome (preta) e as pestes e mortes (amarela). 


Não apenas na Grande Tribulação, mas em qualquer época, a paz que exclui Jesus, prometida por tratados internacionais, governos, ciência, religiões, ecumenismo, etc. será sempre uma falsa paz. Não pode haver paz sem Jesus, pois Ele é o Príncipe da Paz. Somente Ele pode nos conceder a verdadeira Paz. Portanto, a paz que o mundo oferece é enganosa e ilusória. Tem um hino antigo do Trio Alexandre que diz: 


Paz, paz, perfeita paz

Tem quem aceita a mensagem da cruz

Aceita a Cristo autor que dá paz,

Paz só se tem em Jesus.


JESUS, O VERBO DE DEUS

(Comentário do 2º tópico da Lição 01: O Verbo que se tornou carne) Ev. WELIANO PIRES No segundo tópico, falaremos de Jesus como o Verbo de D...