(Comentário do 3º tópico da Lição 5: O grande mandamento)
No terceiro e último tópico, estudaremos a manifestação do amor a Deus e ao próximo por meio de ações práticas. As Escrituras Sagradas nos ensinam que o verdadeiro amor não se limita a meros sentimentos ou palavras, mas expressa-se essencialmente através de atitudes concretas (1 Jo 3.18).
A
palavra "amor" possui uma relevância singular no livro de
Deuteronômio. De todo o Pentateuco, este é o livro onde o termo e seus
derivados aparecem com maior frequência, totalizando mais de vinte ocorrências.
Devido a essa centralidade temática, proeminentes estudiosos do Antigo
Testamento apropriadamente o denominam como o "Livro do Amor".
Deuteronômio
assevera que o amor direcionado ao Senhor deve ser consciente, integral e
evidenciado por meio de uma obediência diária e incondicional, ratificando que
quem ama a Deus guarda os seus mandamentos (Dt 6.5,6; Jo 14.15).
Finalmente,
compreenderemos que esse amor prático precisa governar prioritariamente as
nossas relações familiares, santificando o relacionamento conjugal e a
edificação dos filhos no temor do Senhor (Dt 6.7; Ef 5.25, 6.4).
1.
A palavra “amor” em Deuteronômio. Diferentemente
do conceito moderno de amor, em Deuteronômio o amor não se resume a um mero
sentimento ou a uma emoção passageira. Trata-se de um conceito relacional e
pactual, que constitui um dos fundamentos da aliança entre o Senhor e o seu
povo (Dt 7.9). Amar a Deus, portanto, envolve manter um relacionamento com Ele,
demonstrado por meio da obediência aos seus mandamentos. Tanto na aliança
estabelecida com Israel quanto na nova aliança em Cristo, o amor a Deus está
relacionado ao compromisso de seu povo com o Senhor. Quando amamos a Deus, não
fazemos algo extraordinário, mas apenas correspondemos ao amor que Ele
demonstrou primeiro por nós (1Jo 4.19).
Deuteronômio
deixa claro que Deus amou Israel primeiro (Dt 4.37; 10.15) e o escolheu não por
seus méritos, força ou grandeza, mas por seu soberano e gracioso amor (Dt
7.7,8). Em resposta a esse amor, o Senhor esperava de seu povo lealdade
absoluta, manifestada por meio da obediência contínua à sua Palavra (Dt 11.1).
O
verdadeiro amor a Deus não se resume a palavras ou sentimentos, mas deve ser
demonstrado na prática. Ele se manifesta na fidelidade à Palavra, na reverência
ao Senhor e àquilo que lhe pertence, bem como na submissão ao seu senhorio (Dt
10.12,13; 30.20). Portanto, amar a Deus significa reconhecê-lo como Senhor de
nossa vida e demonstrar esse amor por meio de uma obediência sincera e
perseverante (Jo 14.15; 1Jo 5.3).
2.
A teologia do amor em Deuteronômio. Quando
o comentarista utiliza a expressão “teologia do amor”, refere-se ao ensino
bíblico acerca do amor de Deus. Esse tema ocupa um lugar central no livro de
Deuteronômio. O termo hebraico ’ahēb
significa “amar” ou “ter afeição por alguém” e expressa não apenas afeição, mas
também compromisso e fidelidade. Esse termo e seus derivados aparecem 22 vezes
no livro de Deuteronômio.
O
amor apresentado em Deuteronômio possui caráter eletivo e pactual, ou seja,
está relacionado à escolha de Israel por Deus e à aliança estabelecida com esse
povo. O Senhor havia feito uma aliança com Abraão, Isaque e Jacó, prometendo
fazer de sua descendência uma grande nação, por meio da qual todas as famílias
da terra seriam abençoadas. Essa promessa encontra seu cumprimento em Cristo
(Gn 12.1-3; Gl 3.8,16).
Diante
do imensurável amor de Deus, cada israelita era chamado a responder ao Senhor
com obediência sincera, lealdade e dedicação. Em Deuteronômio, amor e
obediência estão intimamente relacionados (Dt 10.12,13; 11.1). Portanto, não
bastava aos israelitas recitar diariamente a declaração do Shemá Israel,
conforme a prática de ensinar e recordar as palavras de Deus no cotidiano; era
necessário reconhecer, de fato, o Senhor como o único Deus e amá-lo de todo o
coração, de toda a alma e com todas as forças (Dt 6.4-6).
3.
Vivendo o amor na prática. O
amor a Deus é consciente e se expressa por meio da obediência diária. Em outras
palavras, quem ama a Deus demonstra esse amor obedecendo à sua Palavra. Em
Deuteronômio, encontramos frequentemente essa relação entre amor e obediência,
mostrando que a fidelidade ao Senhor é uma das principais evidências de um
coração que o ama (Dt 10.12,13; 11.1). No Novo Testamento, o Senhor Jesus
reafirmou esse princípio aos seus discípulos, dizendo: “Se me amardes,
guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15).
No
tópico anterior, estudamos a responsabilidade dos pais de ensinar a Palavra de
Deus aos filhos. Neste subtópico, o comentarista amplia essa abordagem,
destacando que os pais também devem ensinar o amor a Deus, não apenas por meio
de palavras, mas, sobretudo, pelo exemplo de vida. Afinal, a fé e o amor ao
Senhor precisam ser demonstrados nas atitudes e nos relacionamentos dentro do
lar.
O
amor deve ser vivido no ambiente familiar por meio de relacionamentos
saudáveis, fundamentados nos princípios da Palavra de Deus. Os cônjuges devem
amar-se mutuamente, servindo de exemplo aos filhos (Ef 5.25,33). Os pais, por
sua vez, devem demonstrar amor pelos filhos, criando-os na doutrina e
admoestação do Senhor, protegendo-os e evitando atitudes que os provoquem à ira
(Ef 6.4; Cl 3.21). Os filhos também devem demonstrar amor e respeito aos pais,
honrando-os e obedecendo-lhes no Senhor (Ef 6.1-3). Dessa maneira, o amor a
Deus deixa de ser apenas uma declaração verbal e se torna visível nas atitudes
cotidianas da família.
Ev. WELIANO PIRES

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